Xavi, o Operário Rei

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Xavi se foi do Barcelona. Sim. Foi possível. Parecia que não seria, nunca. Raras vezes se viu um jogador tão absorvido dentro de um clube. Xavi se encaixava com tanta perfeição no esquema tático do Barcelona que dominou os últimos anos que é muito difícil afirmar que foi somente ele que deu certo lá dentro. Não. Às vezes eu acho que foi o Barcelona que deu certo sob Xavi. O baixinho meia de recepção de bola perfeita, toques de primeira ou com tempo inútil de respiração e passes robóticos, curtos ou longos, mas sempre perfeitos, personificou a realização de um sonho de jogo perseguido há muito por muitos blaugranas. O futebol de operários-craques, no qual a destoância está na combinação coletiva, e raramente no individual. Deste sonho também surgiu um produto que combina tudo o que Xavi apresentou com sua técnica soberba, mas acrescido de genialidade para individualismos: Messi.  Mas eu não vou falar de Messi. Chega. Nem a final da Champions quis falar dele. Desprezou seu nome no placar final, algo hoje em dia até ofensivo para o argentino.

É trabalho duro pinçar uma origem neste fenômeno que foi o Barcelona com Xavi, especialmente depois da saída de Ronaldinho do clube – falo do time de onze em um só em campo. Quem começou, Xavi ou o clube catalão? Um era a cara do outro. O meia era o rei entre todos os súditos de um time que, às vezes, precisou de gênios pra vencer. Mas nem sempre. Quase o mesmo time disputou a Copa de 2010 com a camisa da Espanha, mas sem os gênios, e a venceu.

Todo coletivo tem seu principal representante, todo país tem seu embaixador, toda época tem seus ícones. Pois Xavi sempre será a assinatura, não do Barcelona, mas deste Barcelona lunaticamente formidável em desejar a posse de bola, tanto que às vezes até mais do que em correr para os gols. O Barça dos operários geniais. Mas operários. Agora explico: Xavi não foi gênio. Foi um bom jogador, que amou e foi amado por seu clube. Impôs suas virtudes e as fez valer no esquema de jogo. E o Barcelona impôs em Xavi sua classuda, mas sobretudo autêntica filosofia para a formação de jogadores.

Xavi chega para ganhar dinheiro com conforto no Catar e o Barcelona ganhou a Champions dependendo pouquíssimo dele em campo. Mas pouco importa. Se me entendem, este Barcelona dá adeus a Xavi e agradece a ele. Xavi dá adeus e agradece ao Barcelona. Com seu desligamento, morrem ambos. Mas persiste a esperança de que o legado deixado no Camp Nou se perpetue. Que El Barça esteja impregnado de Xavizinhos em La Masía.

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