A final da Libertadores vista por nós argentinos: este Lanús não é casualidade, mas sim trabalho sério

Créditos da imagem: EFE

O Lanús chegou à final da Copa Libertadores pela primeira vez na sua história, mas além da milagrosa classificação à semifinal no confronto contra o River -quando virou uma partida histórica metendo quatro gols em 25 minutos- este feito não é algo casual, foi produto de um trabalho de muitos anos, de gestão séria e, principalmente, de seu técnico, Jorge Almirón, que deu a forma necessária a esta equipe que é pequena mas que joga como grande.

O clube foi fundado em 1915 e somente em 2008 disputou sua primeira Copa Libertadores – eliminado pelo mexicano Atlas nas oitavas de final. Um ano antes, conseguiria o primeiro título importante de sua história: o Apertura 2007, consagrando-se na Bombonera, na última rodada, contra o Boca Juniors, quando empatou por 1 a 1 com gol de José Sand (que será titular na final contra o Grêmio).

A partir daquela conquista, o Lanús seguiu sendo protagonista dos torneios locais e obteve a Copa Sul-Americana de 2013 ante a humilde Ponte Preta. No entanto, a chegada do atual treinador, Jorge Almirón, em 2016, terminou de transformar o “Granate” (apelido do clube, pela cor grená). Conquistou o Campeonato Argentino apenas cinco meses depois de sua chegada, praticando um futebol brilhante e derrotando o San Lorenzo por 4 a 0 na final, no Monumental de Nuñez. Sete meses depois, obteve a Supercopa Argentina 2016 -jogam o campeão da liga contra o campeão da Copa Argentina- contra o River, ao vencê-lo por 3 a 0 no Estádio Único de La Plata. Também se corou em uma Copa oficial denominada “Bicentenario”, que jogou contra o Racing -campeão de 2014- em partida única em plena casa do adversário. O time de Almirón venceu a “Academia” (apelido do Racing) por 1 a 0 e assim completou uma tarefa incrível: três títulos com vitórias em finais sobre três dos cinco gigantes argentinos.

Por tudo isso, não surpreende que a equipe de Almirón tenha chegado à final da Libertadores. Seu jogo se baseia na pressão. São diretos, mas pacientes. Se não podem entrar porque a defensa rival é fechada, voltam para trás e começam mais uma vez. A tática que utiliza é sempre  4-3-3, mas em muitos momentos da partida é um 3-4-3, porque Marcone, o volante central, soma-se aos defensores e libera os laterais para o meio-campo – Gómez y Velázques. Todos os jogadores são importantes, mas sua principal figura é o atacante Lautaro Acosta, que junto a Sand e ao próprio Velázquez foram chave daquele primeiro título em 2007. O goleiro Andrada é especialista em pegar pênaltis e é como um jogador de linha a mais, já que o Lanús sempre tenta sair jogando com a bola no chão, sem chutões.

Por aqui, não se sabe muito sobre este Grêmio, ainda que se tenha visto a partida contra o Barcelona, no Equador, e essa grande vitória com grande atuação do goleiro. Sabemos que Luan é possivelmente o jogador mais importante e que é um clube histórico que sabe o que é disputar finais como essa e sair campeão delas. E também que seria muito importante ganhar o título mais importante no mesmo ano em que o maior rival jogou a Série B. Algo que, na Argentina, somente o Independiente conseguiu, em 1984, derrotando justamente o Grêmio na final da Libertadores, no que se chamou de “el partido perfecto”, enquanto seu rival Racing estava na B (e, à diferença do Inter, não conquistou o acesso nesse mesmo ano).

Na Argentina, à exceção dos torcedores do Banfield -principal rival- a maioria quer que o Lanús conquiste a Copa Libertadores. Isso é tanto por se tratar de uma equipe pequena quanto pelo bom trabalho realizado. Ninguém duvida que merecem. Muitos cremos que a façanha que foi a vitoria contra o River lhe dará a confiança necessária para poder obter o título. Porque isso não se trata de uma casualidade, mas sim de um trabalho sustentado no tempo em que foi colecionando troféus nos últimos anos. E que, a partir desta quarta-feira, pode seguir escrevendo a história.

8 comentários em: “A final da Libertadores vista por nós argentinos: este Lanús não é casualidade, mas sim trabalho sério

  1. Aqui no Brasil a gente sempre se acha favorita, sempre acha que tá jogando contra ninguém, mas não sei não, viu, eu tô achando que vai dar Lanús!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Na Liberta a gente é freguês de argentino!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    1. Me parece que sabemos mais deles, que eles sabem de nós. O respeito existe desde o torcedor ao jogador…ninguém no Sul trata como jogo-jogado. Seria leviano demais pensar assim..

Deixe sua opinião e colabore na discussão