A improvável final do Paulistão

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Aos 15s de jogo, Alison faz violenta falta em Pedrinho na lateral direita do campo de defesa do Corinthians. A imprudente jogada, em área remota do campo, lhe rendeu o cartão amarelo e mostrou o nível de vontade com que os santistas entraram em campo.

Corinthians e Santos se enfrentaram quatro vezes neste ano. Foram dois empates e uma vitória para cada -mas tomo a liberdade de ignorar a primeira partida, um 0 a 0 em janeiro, quando os jogadores dos dois times ainda estavam conhecendo seus novos colegas.

Sampaoli era incensado no primeiro embate oficial entre os dois rivais como um revolucionário que estaria ensinando futebol moderno aos técnicos brasileiros. Fabio Carille disse aos jornalistas que não havia novidades no que ele propunha e que Fernando Diniz já adotava as mesmas estratégias há tempos no futebol nacional. O técnico corintiano sofreu críticas e teve alguns elogios.

O jogo acabou em 1 a 1 e foi considerado por muitos o melhor até aquele momento na temporada que se iniciava. Carille ganhou elogios por fazer uma marcação alta e impedir o tiki-taka santista. Sampaoli reconheceu os méritos do adversário. No segundo confronto, já pelas semifinais, o Corinthians foi superior na maior parte do jogo, venceu e sua torcida ficou com um gostinho de que poderia ter sido uma vantagem maior.

Na segunda-feira, foi a vez de Sampaoli dar o troco. Seu time entrou com “sangue nos olhos” e muito bem montado. Vitor Ferraz e Diego Pituca atuavam nas laterais quando atacados e viravam verdadeiros meias quando a bola estava com os santistas. O restante do time jogou pontos acima que os adversários. O Corinthians estava inerte. Superado pela vontade e compenetração santista, e com jogadores muito abaixo de suas atuações normais (Sornoza, Pedrinho, Clayson, principalmente), o Corinthians parecia e era uma presa fácil. Praticou o horrendo e covarde futebol de chutões.

Mas, como disse meu amigo Mario Andrada, jornalista e santista, O Santos enfrentou São Pedro e São Cássio. Assim, fica difícil. O gol salvador no final do segundo tempo, porém, dava a impressão de que chegava finalmente a justiça para os santistas. Aí entra em funcionamento o fator Cássio. Ele não defendeu pênaltis, mas sua estrela em decisões brilhou mais forte.

Para encerrar, uma observação importante. Na rodada em que ídolos e líderes de equipes refugaram na hora de cobrar pênaltis, o garoto Kaio Jorge aceitou a tarefa e valentemente foi para o desafio. Não fez o gol, mas não ficou feio. Feio é fugir. Quem enfrenta pode se dar bem ou não. Ponto positivo para a revelação santista.

Antes da definição dos finalistas, a crônica esportiva e os torcedores apontavam o Palmeiras como nome certo na final. Corinthians e Santos dividiam as apostas. Mas foi o São Paulo que conseguiu a proeza de cravar o impensável nas semifinais. Graças à força de sua garotada e à reconstrução feita por Mancini e mantida por Cuca. E, principalmente, graças à mesmice do Palmeiras de Felipão, um time com dinheiro, mas sem ideias. Se algum técnico foi o derrotado do Paulistão, certamente é Felipão.

E a improvável final Corinthians x São Paulo se materializou. Surpreendente e agora incerta. Deverão ser dois grandes jogos. Um em busca do quarto tricampeonato paulista. O outro em busca de um começo de redenção. Vou esperar os dois jogos acontecerem para dar meu palpite.

Um comentário em: “A improvável final do Paulistão

  1. Uma pequena (e pouco importante) correção: no amistoso disputado em janeiro, Corinthians e Santos empataram em 1×1, e não em 0x0.

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