“Ah, isso eu não treino…” – Dorival e o museu de grandes novidades

Créditos da imagem: SPFC

“O treinador leva a equipe até a intermediária e monta um sistema defensivo firme.” – assim falou Zaratustra? Não. A frase é de Dorival Jr. Foi resposta à pergunta sobre eventual responsabilidade sua pela falta de gols, na derrota contra o Santos. Na ânsia de tirar o corpo fora, Dorival se expôs como o que é: um novo com cabeça de velho. Acredita, com sinceridade, que o papel do técnico é apenas cuidar da defesa. Lá na frente, o pessoal que se vire. É como se pensava há anos. Organização atrás, improviso na frente. A desculpa: não podar a criatividade dos atletas. A verdade: dá muito trabalho cuidar de tudo (como se Dorival estivesse cuidando bem do resto).

Há quem fique surpreso com esta crítica e diga que ele disse a verdade, porque “sempre foi assim no futebol”. Só que “Sempre foi assim!” não é “Sempre será assim”. Ou então a bola ainda seria de capotão, como “sempre foi” no tempo do onça. Hoje o futebol é mais corrido e tem menos espaço. Tudo deve ser otimizado. Atrás e na frente. “Ah, mas como? O adversário vai participar do ensaio?”. Não, amigo internauta que tanto atrapalha nas transmissões. Otimizar o ataque não é achar que o técnico tem um joystick. É ir além de ficar escalando e vendo no que dá. É não permitir que, na hora aguda, o volante voluntarioso entre na frente do armador ou do atacante. É não deixar que as eventuais trocas de posições, supostamente pra confundir o outro time, fiquem tão constantes a ponto de dar um nó na própria equipe.

Sim, esse é o São Paulo que dominou o o Santos 90 % do tempo. O time em que o “elemento surpresa” Petros aparece pra criar ou chutar, com Cueva e Nenê livres do lado. O time em que estes dois e Diego Souza combinam jogadas como se fossem Messi, Suárez e Iniesta, mas produzem como Nenê, Cueva e Diego Souza. Ficam eles e Marcos Guilherme mudando de lugar como moscas. E o técnico achando tudo ótimo porque não levou gol do Botafogo-SP, do Madureira, do Bragantino e do CSA. Mesmo que estes colossos da bola tenham criado chances claras. O Santos realmente foi dominado, mas não se incomodou com isso. Questão de lógica: “se o Madureira teve chances, nós também teremos”. Tiveram. O São Paulo teve mais? Sempre com um pé ou mão adversário atrapalhando, tal a velocidade empregada. Tempo pra olhar antes de chutar, só Gabigol teve. A defesa “bem trabalhada” só admirou.

Se Dorival não treina o ataque dos titulares, nem dá pra esperar coisa melhor dos reservas. E, graças aos talentos de Raí e Ricardo Rocha (sob a supervisão de Leco), que reservas… Primeiro entrou Valdívia. Aquele com quem o Internacional não quis contar nem na série B – muito menos o Atlético Mineiro na série A. Depois foi o jovem centroavante Brenner, já que Dorival “adora trabalhar com a base”. Mas o moleque teve que jogar pela ponta, pois em seguida foi a vez de Trellez bancar o pivozão na frente. Não houve uma mísera chance nova até o fim do jogo. Nem do SPFC, nem do Santos. É por esse motivo que o Dr. Dorival considerou a cirurgia um sucesso. No seu curso de medicina, o médico só tem que se preocupar com uma parte do tratamento. O paciente que se vire com o resto. Se morrer, é porque não soube se operar.

Além de atrasado, Dorival se revelou verdadeiramente burro. Para se auto-isentar de uma derrota, admitiu na cara dura que seu trabalho mais lembrado foi mérito alheio. Afinal, se o ataque é problema dos jogadores, quem resolveu no Santos de 2010 foi exclusivamente a turma de Neymar, Robinho, Ganso, etc… Sem louros (salvo, obviamente, Marquinhos) para o treinador. Tanto ele sabia que aceitava ser peitado pelos atletas. Tinha que respeitar quem mandava…

4 comentários em: ““Ah, isso eu não treino…” – Dorival e o museu de grandes novidades

  1. Chama lo de burro é uma critica pesada demais. Não sou tricolor e.nem tenho procuração para defender o Dorival que fez um excelente trabalho no Santos. Ele está procurando o time ideal e isso leva tempo. O Carile perdeu duas peças e vejam a dificuldade dele para fazer o time jogar. É muito.comodo.os criticos apontarem o dedo . O futebol no Brasil é medíocre mal estruturado vive de paixão sem nenhum profissionalismo e querem milacre.

  2. Essa foi dose mesmo!!!!!!!!!!!!!!!! Se o técnico diz que não tem nada a ver com um setor do time, tá assinando de papel passado que não vê o mesmo como uma engrenagem coletiva!!!!!!!!!!!!! Dorival tá indo definitivamente pro bolo dos treinadores tipo Oswaldinho, Mancini, Roth, os comuns!!!!!!!!!!!

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