As lições da “Turma da Mônica” para os clubes de futebol brasileiros

Créditos da imagem: Turma da Mônica

Os 35 maiores clubes de futebol do Brasil somados faturaram míseros R$ 85 milhões com licenciamento em 2017, cerca de 1.6% de suas receitas totais. Pra dar uma melhor dimensão do problema, a “Turma da Mônica”, sozinha, faturou mais do que todos eles juntos.

Isso acontece por uma somatória de fatores, todos contando a favor da turma criada por Maurício de Souza, mas enumero 10 deles a seguir:

1) A “Turma da Mônica” opera de maneira altamente profissional quando o assunto é licenciamento, enquanto os clubes de futebol vivem eternamente no dilema Tostines: não investem em licenciamento porque não dá retorno ou não dá retorno porque não investem? Certamente o correto é o segundo item, mas os clubes preferem se dedicar aos itens que dão menos trabalho e geram mais impacto como os direitos de TV, por exemplo, de onde tiram quase 50% de tudo que faturam;

2) A falta de investimento dos clubes gera equipes com baixa qualificação, mal remuneradas, sem autonomia e desmotivadas. Não há como se esperar resultados diferentes;

3) A má imagem do futebol, em especial relacionada à violência, corrupção e não cumprimento dos contratos, mantém parceiros de boa qualidade afastados, ao contrário da “Turma da Mônica”, que trabalha em parceria com vários líderes de mercado;

4) Ao trabalhar com licenciados pouco qualificados, os clubes enfrentam problemas como falta de qualidade dos produtos, pouco investimento em marketing, dificuldades de logística e distribuição;

5) Clubes não investem em combate à pirataria, mesmo tendo os próprios jogadores como potenciais garotos propaganda para ações com esse fim;

6) Os clubes investem pouco em controles e processos, gerando perdas e desvios;

7) Clubes trabalham pouco com exclusividade, permitindo que várias empresas atuem simultaneamente nos mesmos mercados, canibalizando umas às outras;

8) Clubes tem atuação de vendas passiva, esperando o telefone tocar e sem planejar sua atuação comercial;

9) Clubes não estão atentos às tendências do mercado, preferindo ser um ator reativo, ao invés de provocar a inovação;

10) Ao contrário da “Turma da Mônica”, os clubes não se preocupam em licenciar produtos que não tenham aderência às suas marcas e valores.

Enquanto esse cenário não mudar, a garotinha aí de baixo vai continuar surrando os clubes de futebol brasileiros.

 

3 comentários em: “As lições da “Turma da Mônica” para os clubes de futebol brasileiros

  1. Incrível!!!!!! Uma vergonha que clubes que deveriam ser de primeira categoria mundial se resumem a isso!!!!! E dá-lhe Mônica dando coelhada em clube campeão mundial!!!!!!!!!

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