Carille e as nuances do futebol

Créditos da imagem: Revista Veja

Com aproveitamento de “rebaixado” no segundo turno, treinador tem sido criticado por não mexer na equipe titular

Fosse o futebol “preto no branco” e as críticas a Carille fariam (para mim, claro) bastante sentido.

Não que promover a entrada na equipe da “revelação do Paulistão” Clayson no lugar do “esforçado” Romero, por exemplo, não pareça algo razoável, não me entenda mal.

No entanto, diante de tantas sutilezas características do esporte, fico tentado a dar um voto de confiança para o novato treinador corintiano.

Explico: depois de tudo aquilo que cansamos de ouvir e ler por aí no começo do ano (“Corinthians falido”, “quarta força do estado”, “candidato a rebaixamento” etc), Carille – quem, vale lembrar, apenas foi efetivado como técnico após as recusas de Dorival Júnior, Reinaldo Rueda, Jair Ventura, Paulo Autuori e Guto Ferreira aos convites da diretoria corintiana – faturou o Campeonato Paulista e o primeiro turno do Brasileirão com propriedade.

Mais do que isso, contra todas as previsões, conseguiu resgatar o orgulho corintiano.

Discreto, o treinador rapidamente conquistou a confiança do seu grupo de jogadores, mobilizou o clube e parecia que levaria o historicamente disputado Brasileirão “com um pé nas costas”.

Parecia!

(“Conto de fadas” no Corinthians? É ruim, hein?!)

Eis que após abrir uma vantagem jamais vista nos pontos corridos, o rendimento do Corinthians, como capciosamente previu Renato Gaúcho, “despencou” e hoje a perda do título nacional é uma indigesta e real possibilidade. Pior: para os arquirrivais Palmeiras e Santos!

Minha opinião?

Penso que a equipe com Clayson ou Marquinhos Gabriel (os mais pedidos por torcida e imprensa) não mudaria muita coisa. Mas isso é uma suposição dentro do que acredito. E no que eu acredito? Que o Corinthians sem Fagner, Pablo, Arana, Maycon, Rodriguinho, Jadson e Romero jogando bem, sofreria de qualquer maneira.

Perceba que até os mais experientes da equipe estão se omitindo e sentindo o mau momento. O Brasileirão 2017 está sendo muito atípico. E entrar para a história como o “maior cavalo paraguaio de todos os tempos” tem assombrado sobremaneira todo o elenco corintiano.

Sabe aquele papo do velho Luxa de que “o medo de perder não pode ser maior do que a vontade de ganhar?”. Pois então…

De modo que, dadas as circunstâncias, considero essa queda corintiana quase inevitável. Com ou sem Marquinhos Gabriel e Clayson em campo!

Voltando ao Carille, acho compreensível ele apostar no retorno de algo que deu muito certo em quase toda a temporada.

Quem sabe até esse “retorno” não aconteça no jogão da próxima rodada contra o Palmeiras?!

Eu não duvido e inclusive considero o Corinthians favorito para o duelo (em Itaquera).

Veja, não se trata de “crédito infinito”, de “deitar em berço esplêndido” ou qualquer coisa nessa linha. É confiança em um profissional em início de carreira e que ainda é um mistério para todos nós, mas que até agora só tem dado as melhores respostas possíveis em sua curta trajetória.

Ou será que Carille não sabe o que está fazendo ao, digamos, não tirar do time titular A ou B (em má fase técnica) e manter C e D (supostamente baladeiros e também em má fase, mas com maior “prestígio futebolístico”)?

Sei que um treinador não deveria se pautar por isso, e que o certo seria “colocar o pau na mesa” em uma situação como essa. Só que tanto treinador quanto clube têm muito a perder com qualquer “passo em falso” a essa altura do campeonato.

E bem ou mal, ainda que muito por demérito da concorrência, o título continua bem encaminhado para o Corinthians.

De todo modo, devo reconhecer que a minha confiança em Carille é bastante subjetiva.

Mas se até o conceito de “meritocracia” também é…

E segue o jogo.

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10 comentários em: “Carille e as nuances do futebol

    1. E os jogadores, não fizeram nada não?! Endeusaram o cara e agora deu nisso! A porcada tá vindo babando!!!!

  1. É claro que ele tem créditos enormes, mas merece sim ser criticado.

    Por exemplo, o Romero perdeu a posição e foi para o banco contra o Botafogo, quando em seu lugar jogou o Marquinhos Gabriel, fora de posição. Por que ele voltou a ser titular no jogo seguinte, contra a Ponte, sem que nada tivesse feito de bom, e nisso tudo o Clayson jamais tivesse uma oportunidade?

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