Confira a opinião dos nossos colunistas sobre a finalíssima da Libertadores

Créditos da imagem: Montagem/Cassio Zirpoli

Sábado, 30/01/2021: um dia para a história

Palmeiras x Santos: uma final atípica em uma temporada atípica

A “Libertadores da pandemia” terá um campeão brasileiro. De um lado, a “máquina verde”, que tem a chance de coroar o seu retorno ao protagonismo, em processo iniciado pelo seu ex-presidente Paulo Nobre em parceria com a patrocinadora Crefisa, que já rendeu títulos do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro ao clube. Do outro, o “milagre santista”, que percorre o caminho inverso e talvez atravesse o seu pior momento administrativo da história, com direito a presidente impichado, dívidas vultosas que resultaram em vexatória punição da FIFA, entre outros incontáveis problemas.

Vamos aos palpites do nosso corpo de colunistas:

José Maria de Aquino: “Não vejo, honestamente, um favorito. O segundo jogo do Palmeiras contra o River Plate foi de assustar seus torcedores. Era jogo decisivo e ficou a impressão de que o melhor time, o argentino, ficou pelo caminho. O Santos é um time jovem que vem se impondo na bola, jogando melhor do que os seus adversários (e olha que eliminar Grêmio e Boca Juniors em Libertadores nunca é tarefa fácil), e resta saber como se comportará no momento de definir, na grande decisão. Fica a minha torcida para um grande espetáculo no Maracanã, estádio que já foi palco de muitas conquistas do lendário Santos de Pelé”.

Gustavo Fernandes: “Os dois clubes tiveram que corrigir escolhas de treinadores equivocadas e, por conta disso, não eram dados como favoritos. Mesmo na final, não se pode dizer que são os dois melhores times do continente. Mas foram, como os números mostram, os que melhor competiram. O Palmeiras tem um jogo mais definido e regular, contando com segurança defensiva amparada em Gustavo Gómez e um ataque baseado na velocidade do surpreendente Rony. O Santos é um time de explosão, que compensa a menor organização correndo por seu técnico. Tem Lucas Veríssimo atrás (o Flamengo contratou o pilar errado) e os ótimos Soteldo e Marinho – a revelação mais tardia dos últimos anos. Num jogo só, o palpite vai na base do chute, mesmo. Entre as várias possibilidades, vou ficar com a estabilidade coletiva palmeirense, pois Abel Ferreira teve tempo suficiente para estudar formas de complicar as individualidades santistas. 2 a 1 para o Palmeiras“.

Emerson Gonçalves: Se eu pensasse usando apenas números e a razão, diria Palmeiras, mas não dá para confiar na matemática nessas horas. E isso inclui a matemática financeira, é mais que óbvio, setor em que o Palmeiras vence o Santos por goleada esmagadora. O Santos, por outro lado, mesmo recheado de problemas, muitos deles graves e fora do campo, vem surpreendendo e se superando jogo a jogo nessa temporada maluca. Sua trajetória na Libertadores foi mais difícil que a do Palmeiras e para surpresa de muita gente (eu inclusive, confesso), foi se classificando até eliminar o Boca. Não é para qualquer um feito como esse. O time me parece ter uma concentração e o que muitos chamam de “força mental” acima do comum, contagiando os próprios reservas, como vimos na vitória contra o São Paulo no Brasileiro. Isso faz muita diferença e é por isso que cravo Santos campeão”.

Cesar Grafietti: “Competições em formato de copa são equilibradas por natureza. Essa é a graça, inclusive. Um time certinho, motivado e sem desfalques pode ser campeão, mesmo contra equipes mais ricas, caras e de elenco estrelado. Ainda mais quando as partidas são disputadas em jogo único, como é a final da Libertadores. Por isso, mesmo quando analisamos as duas equipes sob o ponto-de-vista extra-campo, ou seja, tamanho do elenco, custo, possibilidades de montagem de equipe, custo do treinador, é difícil dar prognósticos. Se por um lado a teoria indica que o Palmeiras tem tudo isso a mais que o Santos, e o detalhe de ter salários em dia -que costuma ser uma motivação adicional no futebol brasileiro onde os meses costumam ter 90 dias-, por outro, a trajetória de Santos e Palmeiras mostra que o Peixe apresentou enorme solidez nas fases mais agudas (quartas e semifinal), o que concede à equipe um crédito por parte dos seus torcedores. Isto posto, e considerando todos os aspectos (dinheiro, elenco, treinador, resultados recentes e futebol apresentado), ainda acho que o Palmeiras tem ligeira vantagem sobre o Santos, algo como 52 a 48%. Afinal, o Porco apresentou bom futebol ao longo dos últimos meses. Imagino e espero um grande jogo, e meu palpite é Palmeiras 3 x 2 Santos. Sem nenhuma convicção”.

Fernando Prado: “O Santos i) venceu os dois jogos que fez na fase de grupos contra o Defensa y Justicia de Hernán Crespo, que posteriormente viria a conquistar a Copa Sul-Americana; ii) eliminou, nas oitavas, a sempre complicada e algoz do São Paulo LDU; iii) despachou, categoricamente, o Grêmio nas quartas, quando poderia/deveria ter vencido os dois jogos, não fosse o pênalti equivocadamente assinalado para a equipe gaúcha na partida de Porto Alegre; iv) fez o mesmo com o sempre temido Boca Juniors na semifinal, quando também poderia/deveria ter vencido os dois jogos, caso o pênalti em cima do Marinho tivesse sido assinalado na Bombonera . De maneira que é razoável afirmar que o Santos foi mais desafiado do que o Palmeiras, que teve, por assim dizer, mais sorte nos seus cruzamentos, o que não é nenhum demérito, apenas uma constatação. Contra o primeiro adversário mais poderoso, o River Plate, depois de um resultado fantástico (0x3), mas circunstancial obtido em Buenos Aires (em que pese a boa atuação palmeirense, o duelo foi decidido em duas falhas graves do goleiro e zagueiro argentinos), a classificação foi garantida apenas pelas intervenções (acertadas!) do VAR no jogo do Allianz Parque, o que dá a dimensão do que foi essa partida que poderia ter ficado marcada como um “tango palestrino”. Ainda, apesar de o Palmeiras ter elenco mais numeroso e qualificado, o que seria/é uma grande vantagem num torneio de pontos corridos, o Santos possui os dois jogadores mais decisivos do confronto, Soteldo e Marinho, além de Lucas Braga, que entrou e acertou todo o posicionamento do time com a sua capacidade física e leitura tática. Por tudo isso, aposto no Santos como campeão da Libertadores 2020/2021. Pra encerrar, uma curiosidade: nos últimos 5 mata-matas, entre Santos e Palmeiras, TODOS foram decididos nas penalidades máximas. Boa notícia para o Palmeiras, que pode contar com Weverton, em excelente momento, na sua meta”.

Jorge Freitas: “Numa final bastante equilibrada, embora o Santos tenha atualmente os dois melhores jogadores da competição (Marinho e Soteldo), vejo o Palmeiras favorito em razão de seu elenco maior. A possibilidade de cinco trocas durante o tempo normal mais uma caso o jogo vá à prorrogação favorecerá o clube com mais opções e pode manter a equipe da capital com um ritmo mais intenso por mais tempo. Além disso, pesa a favor do alviverde o ótimo momento de seu goleiro, Weverton, que tem sido decisivo para a boa temporada que a equipe faz até aqui”. 

Gabriel Rostey: “Final realmente imprevisível, ainda mais porque os dois times são meio bipolares. Enquanto o Palmeiras é um sucesso competitivo (campeão estadual, finalista das copas do Brasil e Libertadores e até outro dia tinha reais possibilidades de ser campeão brasileiro) mesmo alternando entre ótimas e más apresentações, o Santos faz um Brasileiro dentro do que se esperava para ele, mas uma Libertadores absolutamente fora da curva. Por todo o elenco que possui, potenciais alternativas de jogo, bem como pela cobrança por títulos e jogadores acostumados a eles, acho correto que o Palmeiras seja racionalmente apontado como favorito. Só que, apesar disso, embora possa parecer contraditório, creio que vai dar Santos. Simplesmente porque o futebol que vem apresentando nas partidas desta Libertadores -as únicas nas quais a equipe está completamente imbuída nessa catarse difícil de explicar- é de outro nível. Vem passando por cima, e com muita segurança, de todos os adversários. Além dos corretamente exaltados Marinho e Soteldo, Lucas Braga está me impressionando muito. Fosse o Flamengo a golear como local e ser superior como visitante a Grêmio e Boca, como fez o Santos, ninguém teria dúvidas em apontar quem vem melhor”.

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3 comentários em: “Confira a opinião dos nossos colunistas sobre a finalíssima da Libertadores

  1. Pra quem tá trucando q Libertadores com final única é uma bosta só por causa do jogo em si, eu grito – SEIS! SEIS!

    Duvido q a final com dois iria alterar a cotação do dólar. Iria ser dois jogos medonhos q nem o de hoje. Final única é boa até nisso – pra quê ver dois jogos formidolosos, metuendos, sobre-horrendos, tremebundos, se podemos ver apenas um jogo?

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