Debate de arbitragem – custa obserVAR?

Créditos da imagem: Reprodução/SporTV

Depois de atuação “apagada” nos dois primeiros dias, enfim o árbitro de vídeo resolveu mostrar serviço em quase todos os jogos. A fúria de jornalistas e torcedores aconteceu naquelas partidas em que não deu as caras. Logo surgiram versões, desde o tradicional “eu avisei que era blefe!” de Galvão Bueno até a suposta “falta de pressão” apontada pelo colega Arnaldo César Coelho. Como árbitro de final de Copa, Arnaldo tem prestígio e poder de persuasão. Não raro abusa desse poder. Em 2005, uma explicação sobre posicionamento novo da Fifa quanto a carrinhos levou a uma série de expulsões no Brasileirão, até a entidade mandar ofício esclarecendo que o recurso defensivo não estava proibido. Não parece estar sendo diferente desta vez.

Talvez para manter a tal da “polêmica”, Arnaldo deu explicações mais condizentes com o programa A Tarde É Sua, da especialista em intrigas Sônia Abraão. Ao falar nesta falta de pressão e de suposto constrangimento entre os árbitros, perdeu a chance de ir atrás daquilo que existe em comum em todas as infrações não apontadas: os braços. Vejamos as ocorrências:

  • Espanha x Portugal – na disputa com Pepe, Diego Costa atinge o zagueiro com o braço e, na sequência, empata o jogo em belo lance. O VAR não se manifesta sobre eventual infração.

  • Brasil x Suíça – em jogada de escanteio, Miranda é empurrado pelo adversário antes de este cabecear. O VAR não anula o gol. Mais adiante, Gabriel Jesus é abraçado na área e cai. O VAR não indica se o jogador foi derrubado pelo defensor.

  • Inglaterra e Tunísia – Kane sofre dois golpes de judô (um deles com direito a vitória por ippon) na área. O VAR não aponta pênalti em nenhum deles.

Resta bastante sugestivo, portanto, que faltas cometidas com o braço no adversário não estão sendo marcadas pelo árbitro de vídeo. Por qual razão? Já que ninguém mais debateu, ouso especular três causas:

1 – foram colocadas no rol de “lances interpretativos”, cabendo ao árbitro de campo a atuação exclusiva.

2 – tempo maior para avaliar este tipo de jogada, a fim de excluir possível falta anterior do adversário atingido, ou eventuais faltas simultâneas de outros jogadores na área. Mesmo em caso de anulação de gol, levar mais de um minuto para ver todas as imagens geraria até riscos físicos, pelo tempo de parada.

3 – receio de que, pela quantidade de infrações com os braços despercebidas antes do uso do VAR, ao marcarem a primeira tenham que observar diversas outras, gerando o risco de um número de intervenções que prejudicaria o ritmo da partida.

O fato é que, pelo ponto em comum, não me parece simples coincidência. Pode não ser oficial, mas há um critério aparente, conhecido por quem está em campo e à frente do vídeo. Infelizmente, a necessidade de encher linguiça nas pautas dos programas de debates afasta a objetividade. No lugar de horas, haveria poucos minutos de controvérsia. Para muitos, a “graça” do futebol está na conversa fiada pós-jogo. Para quem não acha isso, fica o toque para uma possível discussão saudável a respeito do tema que, pois sim, desperta muito interesse. Nem sempre a resposta estará nas mesas redondas. Provavelmente, quase nunca.

PS: o suposto lance de mão na bola reclamado pelos argentinos contra a Islândia foi, claramente, uma situação em que a bola bate em outra parte do corpo antes de tocar no braço. Não é considerada falta, com ou sem vídeo.

12 comentários em: “Debate de arbitragem – custa obserVAR?

  1. Muito bem observado, concordo! E também não suporto essa conversa de achar que existe uma espécie de conspiração contra os “coitadinhos”. Até porque se tem algo que não somos no futebol é “coitadinhos”, né!

    É engraçado aqui terem essa ideia enquanto, por exemplo, o Sergio Ramos diz que se o Iniesta fosse brasileiro e se chamasse “Andrésinho”, teria duas bolas de ouro…

  2. Só querem falar besteira e causar mesmo!!!!!!!!!!! O Brasil foi roubado e esse VAR até agora é uma decepção, mas não tem nada de perseguir ou ajudar alguém!!!!!!!!!!!!!!!!!! Tudo esses caras têm que inventar uma conspiração ou botar um complexo no meio, ô chatice!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Minha opinião é que fomos muito beneficiados pela arbitragem , em copas do mundo. Precisamos deixar de mimimi e jogar um pouco mais. É a tal mania de esconder a sujeira embaixo do tapete. O time foi horrível e estamos transferindo a arbitragem o péssimo futebol apresentado. Se não houvesse esse recurso a arbitragem não seria questionada, pois tratam se de lances interpretativos. Neymar voltou a jogar como jogava com Dunga e a estreia da nossa seleção foi sofrível. Obs todos os jogadores brasileiros estiveram abaixo da média, a única exceção foi Casemiro .Simples assim

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