Devaneios e obviedades: temos um jogo!

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A janela de transferências ia fechando no início do ano quando surgiu um rumor logo confirmado: Jadson retornaria para o Timão. Evidente que qualificava o elenco alvinegro, tão criticado à época. Eis então, que surgiu uma daquelas frases de efeito que logo se alastram pela parte preguiçosa da mídia esportiva: Jadson, campeão em 2015, seria capaz de mudar o Corinthians de patamar. A frase me incomodou bastante, mais ainda porque foi repetida inúmeras vezes. Jadson é ótimo jogador para o nível do futebol brasileiro, mas a idade e o físico não o permitem ser mais que isso, seu auge foi há anos, na Ucrânia

Fui buscar na minha memória futebolística que jogadores eu vi no futebol brasileiro e que sozinhos seriam capazes de mudar a trajetória de um time. Meu avô viu Pelé, meu tio viu Dener, um cruzeirense me falou de Alex em 2003. Eu só consegui me recordar de dois, repito, que eu vi em solo brasileiro: Neymar e Gabriel Jesus.

O Neymar do Santos era o tipo de jogador que podia mudar uma partida com um lance, com uma arrancada, um drible. Ah, como esquecer de Santos x Flamengo, Santos x Cerro (no Defensores del Chaco!), entre tantas partidas antológicas. Ainda que tivesse boas companhias, me arrisco a dizer que ele mudava a equipe praiana de patamar.

Gabriel Jesus não foi tão longe (talvez por falta de tempo), mas em dois anos ajudou o Palmeiras a alcançar glórias que não via há décadas. Durante a Copa de 2010, me lembro da seguinte pérola proferida por José Luiz Datena, na cobertura de algum jogo, quando ventilada a possibilidade de retorno de Felipão para o Palmeiras: “Só existem dois caras que podem dar jeito no Palmeiras: Felipão e Jesus”. Bom, Felipão sabemos que não deu, mas Jesus, se não conseguiu, chegou bem perto. Também ouso afirmar que o jovem atacante alterava o status do alviverde.

Fui tão longe para voltar em Jadson. Alguns prognósticos sobre nosso futebol são precipitados, outros simplesmente equivocados, às vezes propositalmente, para reforçar um ponto. Jadson  não muda um time de patamar hoje. Dos que aqui estão, talvez Éverton Ribeiro é aquele com mais potencial, ainda não concretizado, cabe ressaltar.

O Corinthians não era tão ruim no início do ano, nem imbatível como alguns sugeriram  no fim do primeiro turno, quando tivemos de ouvir que o plantel de Carille bateria de frente com o Real Madrid. O futebol brasileiro ainda tem como grande atrativo (?) um tremendo equilíbrio, e acredito que o Timão só se sobressaiu tanto porque tinha algo que as outras equipes nem chegaram perto, a maior parte da temporada: um coletivo forte. Por múltiplas razões, hoje o coletivo está desgastado, sejam tais razões físicas, táticas, emocionais ou psicológicas. Ainda assim, o Timão deve ser campeão. O que isso nos traz de bom, por ora, é que como diria Paulo Antunes: temos um jogo!

6 comentários em: “Devaneios e obviedades: temos um jogo!

  1. ÓTIMO TEXTO, SÓ ACHEI UM EXAGERO COLOCAR O GABRIEL JESUS NESSA.

    O DUDU JOGAVA MAIS DO QUE ELE NO PALMEIRAS, POR EXEMPLO.

    ACHO QUE A VOLTA DAS CONQUISTAS DO CLUBE ALVIVERDE PASSA MAIS PELA NOVA ARENA E PELO APORTE FINANCEIRO DA PATROCINADORA MESMO.

    QUANTO AO CORINTHIANS, VOCÊ DISSE TUDO. O TIME SEM O COLETIVO FORTE NÃO É NADA DEMAIS. E AGORA TÁ ACUSANDO O GOLPE E SENTINDO A PRESSÃO.

    1. Eu vejo o Jesus bem abaixo mesmo, Vicente. Mas eu pensava em jogos como aquele Palmeiras x Flamengo, ou o Palmeiras x São Paulo, ambos no Allianz. Ouso dizer que sem ele o caminho do título seria muito mais difícil.

  2. Concordo totalmente que hoje não temos um jogador que mude o patamar de um time aqui no futebol brasileiro! Os que mais se aproximam disso são, para mim, o Éverton Ribeiro, o Lucas Lima e o Luan. E pelo que vêm mostrando, o Hernanes e o Jô também estão nessa…

    Só confesso que não consegui ver tudo isso no Jesus até agora! Que ele é ótimo e merece ser titular da Seleção, sem dúvidas, mas não vi esse craque capaz de mudar times de patama, viu…

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