Falta de luz escancara necessidade de concessão do Pacaembu e demagogia de jornalistas militantes

Créditos da imagem: Felipe Rau/Estadão

E no clássico Santos x Corinthians do último domingo, mais uma vez o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho -o Pacaembu- ficou sem luz, dessa vez por assustadores 50 minutos até que os refletores fossem religados.

Não demorou para que os sempre inconvenientes jornalistas esportivos metidos a justiceiros sociais e “evangelizadores políticos” voltassem a cumprir o costumeiro papel de partidarizar qualquer questão. Como o prefeito da cidade é alguém a quem invariavelmente irão se opor -afinal, não está em nenhum partido que usa vermelho- já passaram a responsabilizar diretamente a figura dele por um estádio que há anos se tornou absolutamente deficitário, subutilizado, defasado e que está em vias de ser concedido à iniciativa privada (com publicação do edital de concessão prevista para 24 de abril).

Sim, concedido, porque quem fala em “privatização” está sendo simplesmente desonesto intelectualmente, como já tratei anteriormente no texto “Vamos falar como adultos sobre a concessão do Pacaembu“. Exatamente como feito no Maracanã (que foi desastrosamente concedido, mas continua sendo uma propriedade estadual) ou Mineirão (também estadual, concedido por 25 anos).

Em matéria do UOL, de 27 de abril de 2015 -portanto durante a gestão de Fernando Haddad e muito antes de que se pudesse imaginar quem seria o futuro prefeito da capital paulista- com o título “Novas arenas e ‘abandono’ do Corinthians dão triste aniversário ao Pacaembu”, o repórter Diego Salgado revelou:

No começo deste ano, a prefeitura admitiu que há dificuldade do modelo atual. ‘O Pacaembu encontra-se atualmente subutilizado e sem condições técnicas de servir à população da forma como originalmente foi desenhado’, ressaltou em um trecho do comunicado oficial destinado às empresas interessadas no espaço. Essa é uma das saídas da prefeitura: a concessão do complexo à iniciativa privada. A ideia é modernizar todo o complexo, nos padrões das ‘novas arenas multiusos’, com direito à cobertura parcial ou total. O processo, inclusive, já está em andamento.

Ou seja, felizmente, a gestão anterior também já tinha se decidido por conceder o estádio à iniciativa privada, como é feito em qualquer lugar razoável do mundo, seja o San Siro em Milão ou o Estádio Olímpico de Berlim -construído por Hitler e desde 2000 administrado por uma empresa privada. Essa divisão de papeis deve ser uma visão de Estado e não de governos que já não dão conta sequer de cuidar de Segurança Pública, Saúde e Ensino.

O Estado não tem a competência de administrar estádios, e não é à toa que o Pacaembu está nessa situação. O que não é nenhuma surpresa quando se constata, por exemplo, que o Estado brasileiro possui o monopólio das correspondências pessoais e, mesmo assim, os Correios vêm somando R$ 2 bilhões de prejuízos anuais enquanto a população sofre com os maus serviços prestados.

Para ilustrar a diferença de eficiência, no ano passado Palmeiras e Santos iam se enfrentar sob forte chuva no Allianz Parque -gerido pela WTorre- quando houve uma queda de luz na região. Foram necessários somente seis minutos para que os refletores do exemplar estádio palmeirense estivessem funcionando novamente.

O pior é ver que esses jornalistas -que irresponsavelmente cobram investimentos públicos em um estádio que em 2015 recebeu apenas 13 partidas e que em breve será concedido a alguém que fará investimentos que não sairão dos abusivos impostos pagos por todos nós- são os mesmos que criticavam a construção dos “elefantes brancos da Copa”. Seguem provocando desinformação com a vergonhosa insistência por “privatização” em vez de “concessão”, desconsideram que só a manutenção anual do Pacaembu custa cerca de R$ 10 milhões por ano à sociedade paulistana e, não satisfeitos, ainda querem novos aportes estatais em tempos de déficit generalizado das contas públicas.

Enfim, ou é inconsequência de quem professa que dinheiro público dá em árvore e pode ser simplesmente impresso, ou coisa de quem coloca interesses partidários à frente da boa informação e ainda posa de paladino da justiça.

43 comentários em: “Falta de luz escancara necessidade de concessão do Pacaembu e demagogia de jornalistas militantes

  1. Mais uma constatação de irresponsabilidade. A população já está cada vez mais consciente que o governo não gerir, e a nossa oportunidade de renovar tudo que está aí na política. #RENOVATUDOEM2018

  2. Excelente texto.
    A esquerda antes de ser profissional é militante e desonesta.
    Devemos nos policiar e não confundir concessão com privatização.

  3. O Juca Kfouri e o Mauro eu simplesmente não aguento mais, eles aparecem na tela e eu mudo de canal kkkkkkk

    E o Milton Leite tá indo direitinho no caminho deles!!!!

  4. Muito bom Gabriel. Jornalista usar uma atividade esportiva, que é a paixão do povo, para fazer política rasteira apoiada em mentiras é no mínimo uma atitude covarde.

  5. A tara ideológica sempre fica à espreita pra se manifestar. Por isso, fosse eu editor ou diretor, nunca ficaria com jornalistas esportivos que se valem deste expediente.

    1. Concordo totalmente! Ainda se fosse algo episódico, tudo bem, afinal, cada um tem seu modo de ver as coisas. Mas tem casos conhecidos que todo mundo sabe que adotaram essa postura como modus operandi. Quando isso acontece, a meu ver o editor, diretor ou mesmo o veículo não deixa de ser cúmplice…

  6. Ótimo.
    Eu não quero meus impostos pagando lâmpada de estádio. Nem gerador , nem nada disso.
    Gostaria que os jornalistas pedissem para a prefeitura economizar, e não para gastar.

    1. Eu não o vejo tão político como Juca Kfouri, porém é um pouco conservador, fala algumas verdades. O Juca Kfouri erra em acreditar demais em alguns políticos e idéias um pouco esquerdistas

  7. O estádio é patrimônio histórico, não deve ser privatizado pois é responsabilidade pública sustentar e manter o patrimônio material e imaterial do seu povo que guarda sua memória. Foi o povo que ergueu esse monumento, ele não pode ser doado para os amigos do patronato do prefeito porque ele não investe na intenção de fazê-lo parecer insustentável, quando na verdade não é e principalmente que sua privatização não vai reduzir os custos municipais.

    1. Se o povo souber direitinho a realidade do patrimônio e sua importância, ao mesmo tempo que for consultado para outras decisões públicas que não a mera eleição, com certeza ele irá defender com unhas e dentes algo que representa seu legado de gerações de trabalho e merecida diversão. E se hoje o patrimônio não é adequadamente usado, é por culpa das autoridades e não do patrimônio.

    2. Patrimônio histórico pode e deve ser privatizado. Não faz sentido a prefeitura cuidar de estádio. Ela deve cuidar só do essencial. Estádio de futebol tem que ser privatizado.

    3. A memória da cidade não é essencial? Valha-me Deus. E privatizar o estádio não vai diminuir os impostos, não vai reduzir os gastos da cidade e nem o orçamento público que seria usado para o estádio iria para outras áreas.

    4. E Vinícius Bessi, desculpe, mas não cabe QUALQUER confusão entre tombamento/patrimônio histórico e propriedade de um bem. Se o Pacaembu nem sequer terá sua propriedade alterada (continuará sendo um bem do município), ainda que deixasse de ser, isso não mudaria nada a questão do tombamento.

      O Mineirão foi concedido à iniciativa privada e é tombado pelo patrimônio histórico, e daí? Assim como, por exemplo, o Edifício Altino Arantes (conhecido como Banespa ou Banespão, em São Paulo) é propriedade do Banco Santander e também é tombado, e como “Farol Santander” está fazendo o maior sucesso como “patrimônio do povo paulistano”. E aí?

      Querer fazer confusão entre concessão, privatização e proteção do patrimônio histórico só pode ser coisa de quem não entende direito dessas questões ou de quem quem realmente quer provocar confusão mesmo.

    5. O que mais é preciso para que fique claro que o modelo de concessão do João Dória, que tem suas referências no modo já histórico de concessão do PSDB no estado de São Paulo com as estradas, as OS dos equipamentos culturais e de leitos do SUS, é uma privatização dos lucros mantendo os custos para os contribuintes do Estado? É só um jeito de entregar o domínio da posse para os amigos e dividir com eles a receita pública que vai continuar indo para bancar o estádio.

    6. Uma das coisas que mais me entristece no Brasil é justamente passar pelas cidades país a dentro e ver seus patrimônios históricos sendo utilizados por bancos, varejistas e similares. A ideia do meu comentário não foi dizer que a privatização necessariamente a manutenção do patrimônio material garantida pelo tombamento, e sim que não deve ser terceirizado para a iniciativa privada esse direito público da população de ter sua memória conservada em seus patrimônios materiais e imateriais. Chega do Estado ser usado para interesses do patronato, através de autoridades bancadas por grandes empresas, que limitam a posse dos bens públicos para os amigos do rei fazerem dela rios de dinheiro e deixando apenas o ônus dos custos para os contribuintes.

    7. Falta da sua parte profundidade analítica para conseguir enxergar além da aparência formal das tipificações jurídicas e ver o que acontece na realidade concreta que elas escondem.

  8. Acho que o problema da luz no Pacaembu escancara a necessidade de se cobrar a concessionária de energia pela competência no fornecimento.

    Todo o resto é questão de opinião.

  9. Falando em jornalista esportivo, metido a político, olha um aí.
    É engraçado que até dois ou três anos atrás, era muito difícil ver esses problemas no Paca, mas aí entrou o seu lindo prefeito, com aprovação ridícula e começa a dar pau. Aí no dia seguinte ao apagão, o engomadinho faz videozinho pra internet. O que me surpreende é nego ainda caindo no conto desse mau caráter.

  10. O texto faz uma crítica a algo e acaba cometendo o mesmo erro que motivou o texto, mas, como foi escrito por alguém que ninguém sabe quem é, não terá repercussão.
    Mauro foi correto e só causa indignação por muitos não concordarem com a sua opinião, se a crítica fosse à politização genérica, esse texto não deveria ser usado.

Deixe sua opinião e colabore na discussão