No Brasil, nem o VAR funciona

Créditos da imagem: UOL Esporte

Sempre fui contrário ao VAR. A NFL me faz ter a certeza de que árbitro de vídeo mais atrapalha do que ajuda. Cheguei a me entusiasmar com o futebol americano, mas as interferências da arbitragem no jogo me fizeram desistir de acompanhar as partidas já na temporada seguinte à do meu entusiasmo. A mim restou apenas a torcida pelo Green Bay Packers, que ainda acompanho, pois sou fã de Aaron Rogers.

Mas o negócio aqui é futebol. O nosso futebol. E eu sempre desconfiei da capacidade do brasileiro em utilizar o VAR, o que potencializa meu repúdio para com essa tecnologia que ameaça destruir o futebol.

Uma coisa que precisa ser dita, e que é relativizada pelos veículos de imprensa, trata da figura dos profissionais de vídeo escalados para uma partida. Quem trabalha com TV sabe o que significa a palavra FRAME. Ela se refere ao ponto de corte exato de uma determinada imagem, e um milésimo de segundo no tempo de corte é capaz de transformar completamente um lance normal em pênalti.

Fora isso, o árbitro está cada vez mais sugestionado dentro de campo a tomar decisões contrárias às suas, que são tomadas dentro do campo e observando a velocidade real do jogo. Mudar uma decisão após ver um replay em câmera lenta na beira do campo é uma prova de que o árbitro de vídeo induz o arbitro e não o ajuda.

Se eu sou contra o VAR, no Brasil ainda mais. Era muito claro que por aqui as dificuldades para a utilização deste recurso seriam maiores, porque nós brasileiros estamos fadados cada vez mais à incompetência, algo que faz parte deste processo de imbecilização coletiva que se apresenta de maneira clara nas Eleições deste ano. Seria plenamente natural que árbitros de vídeo brasileiros se atrapalhassem na execução da tecnologia, e nada melhor do que em uma final de campeonato para a lambança estragar de vez uma decisão, que já era prejuicada pelo futebol de baixo nível jogado pelos dois finalistas.

O VAR está fadado a dois destinos: ou ele fracassa e sai de cena ou ele ajuda a matar o nosso amado esporte, que já respira por aparelhos há alguns anos.

Em respeito ao campeão Cruzeiro, prefiro não comentar o rendimento do time nesta decisão contra um adversário sofrível. Aprendi em mais de 30 anos acompanhando futebol que no dia seguinte a uma conquista, o campeão só merece cumprimentos.

Até porque em um país excessivamente imediatista, e na esfera do futebol de resultados, o fraco trabalho de Mano Menezes à frente do Cruzeiro é facilmente encoberto por taças, que sem sempre simbolizam a real força de um time.

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