Os onze NÃOS na hora de seu time contratar

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Este texto é uma adaptação de um tópico do Fórum O Mais Querido, mas sua pertinência justifica o autoplágio. Nem sempre se pode afirmar que uma contratação dará certo, mas é perfeitamente possível reconhecer quando tem tudo pra dar errado. Não existe jogador de sucesso garantido, ainda mais quando há restrições orçamentárias. Mas há, pois sim, atleta de fracasso 99% certo, se não forem observados alguns mandamentos negativos que devem ser seguidos por qualquer dirigente, manager ou homem do caderninho. Algumas regras comportam exceções. Outras não. Vamos a elas.

1 – não se contrata jogador vindo de lesões sem duas opiniões médicas favoráveis – de preferência, uma delas sendo de fora do clube. Se isso não acontecer, a melhor das hipóteses é o jogador não ter lesões, mas também não apresentar o desempenho de antes por limitações físicas – ex: o jogador perde velocidade por conta do acréscimo muscular necessário para não se contundir tanto.

2 – não contrate cabeça de sardinha, porque ele vai virar rabo de baleia – cabeça de sardinha é o jogador que vem de uma equipe pequena que joga em sua função, normalmente com o objetivo de não cair. Tende a desaparecer num time maior. Isso acontece porque não terá os mesmos privilégios em campo. Além disso, a finalidade de disputar títulos gera outras cobranças e pressões. Um caso clássico foi o Corinthians com o uruguaio Acosta, destaque do campeonato brasileiro de 2007 pelo Náutico. O raciocínio “se ele jogou assim num time pequeno, imaginem o que fará num grande” é, portanto, uma falácia. Mesmo que funcione, será por curto espaço de tempo. Exemplo: Osvaldo chegou a se firmar no SPFC (inclusive jogando um amistoso pela seleção) e despencou para não se recuperar mais.

3 – não se contrata titular de time grande para disputar posição – se não for para ter o mesmo status, melhor contratar algum reserva de time grande ou titular de time médio. Ou então você vai ter mais de duzentos mil reais por mês encalhados.

4 – não se contrata jogador do exterior para disputar posição – mesma motivação acima. O incrível é que existem clubes em que eles sequer conseguem disputar posição, como vimos no SPFC com Aderlan, Buffarini e Gomez. O lateral ainda veio com status de selecionável e foi parar no banco por impressionante demérito. Já os outros…

5 – empresário não é grife – não caia nessa de que “se o cara tem o mesmo empresário de um grande jogador, ruim não pode ser”. Pode e, não raro, deve. Se acontece com o agente de Cristiano Ronaldo, não vai acontecer com outros? O mesmo representante do fora-de-série tem uma série de jogadores medíocres e não terá pudores de colocá-los no seu time. Pior é que, sob o pretexto de manter um “bom relacionamento”, muitos clubes entram nessa fria.

6 – não se contrata por causa de um jogo só – se craque tem má fase, grosso tem boa fase. Normalmente esse erro acontece quando o grosso vai bem justamente contra o seu time. Se não observarem ao menos a temporada toda, prepare o estômago.

7 – não se contrata jogador pelo que fez há mais de três anos – um ano ruim acontece com quase todos. Dois, de vez em quando até com os melhores. Já três anos fracos fazem pensar cinco vezes. Se o mau momento for além deste tempo, tem que estudar muito bem as justificativas que o próprio atleta ou seu staff (que costuma incluir amigos na imprensa) derem para a má Era. Inclusive, procurando outras fontes destes locais em que desapontaram.

8 – não se contrata jogador só pela liderança – se não joga, não lidera. Essa história de que vai “ajudar nos vestiários” é mais um pega-trouxa. Roupeiros e massagistas são bem mais baratos.

9 – não se contrata jogador se o técnico vetar expressamente – seja por não achar bom, seja por dizer que não teria lugar no seu time. Se o clube não confiar na avaliação do treinador, nem deveria tê-lo contratado.

10 – não despreze retrospectos muito negativos, por mais casuais que pareçam – se o índice de sucesso dos contratados vindo de um clube, um estado ou mesmo um país for muito baixo, leve isso em consideração. Mesmo que não consiga desvendar muito bem os motivos. Não raro a zica acontece apenas no seu time. Por exemplo: existem ex-botafoguenses se dando bem em outros clubes, mas quase nunca no São Paulo. A lista é tão grande que, caso Sidão volte ao limbo, o time de mal-sucedidos estará completo e com reservas.

11 – não é todo jogador que vem da Europa e sobra no futebol daqui – a despeito das amplas diferenças em favor do futebol praticado no velho continente, não é simples questão de chegar no Brasil e desfilar seu aprendizado. Mesmo porque certos jogadores se enquadram numa frase de um político sobre outro candidato na eleição presidencial de 1989 – “passou quinze anos no exterior e não aprendeu nada! Pior: não esqueceu nada!”. Ademais, existem dificuldades de adaptação ou readaptação ao que se joga no Brasil, em termos de movimentação e posicionamento.

Concordam? Discordam? Tudo bem. Só não digam que ninguém avisou…

3 comentários em: “Os onze NÃOS na hora de seu time contratar

  1. Excelente, concordo com todas! São regras simples, que dá para fazer um checklist mesmo na hora de conceber o elenco…

    Quantos desses critérios o Flamengo NÃO seguiu ao contratar o Conca? 😀

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