Pagar de sonso é – muito – mais fácil

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Uma bandeira de cartão de crédito fazia propagandas em que, entre outras situações, a cantora Vanusa comprava pastilhas para o caso de ser convidada para cantar o hino nacional outra vez. O caixa falava “sabe de uma coisa?”, mas preferia não desiludir a artista. Emendava um “pagar com (marca do cartão) é mais fácil!”. É como vejo o jornalismo esportivo brasileiro quando se depara com roubadas iminentes e, no lugar de apontá-las, prefere bancar a Poliana. Caso um clube contratasse o pérfido Esqueleto como gestor do futebol, diriam que “ele é um sujeito ambicioso, líder nato e o próprio He-Man sempre destacou que todos merecem uma segunda chance, amiguinhos”.

A Vanusa da vez é a torcida do Botafogo. Os Esqueletos (embora bons sujeitos) são o aposentado Keisuke Honda e o ex-jogador em atividade Yayá Touré. Os botafoguenses estão empolgados com dois atletas que, francamente, a maioria mal viu atuar na TV. Como digo isso? Simples dedução. A maior parte da torcida do clube mora no Rio de Janeiro. Quem tinha TV a cabo normalmente estava na praia nas manhãs de sábado e domingo, quando eles estavam em campo. Estão vibrando na base da pura caipirada, por quem sequer assistiram no auge das carreiras. Acreditam que, tal como o também pré-aposentado Seedorf, astros internacionais escolheram a grandeza da Estrela Solitária para mostrarem seus talentos. Traduzindo: desespero de quem se recusa a aceitar que seu time, tal como outros grandes do passado, virou médio – e olhem lá. Escolhem a fantasia.

Neste contexto, comentaristas e repórteres se veem diante de duas alternativas. A primeira é fazer todo mundo cair na real, em todos os sentidos. Honda não era um “astro” quando atuava. Competente e só. O craque Touré já despencara em seus últimos anos de City. Agora está na segunda divisão chinesa – lembrando o que anos de China fizeram ao físico de outros. Portanto, podem descartar a abobrinha do “para o futebol brasileiro, estão ótimos”. Isso não era verdade nem no pré-Jesus. Agora é ridículo e também prejudicial. Não apenas ao Botafogo, como ao futebol doméstico como um todo. Enquanto clubes insistirem com veteranos se arrastando, o nível geral não sobe e até os melhores são atrapalhados. Acostumam-se a bater equipes em ritmo fraco e se complicam contra equipes de fora. Até o Flamengo, penando por 85 minutos ante a correria do River Plate, que o diga.

Porém, a opção extremamente majoritária é a segunda. Qual? A do primeiro parágrafo. Tanto a trupe chapa-branca quanto os ponderados à brasileira, que tanto menciono. Confundem ponderação com não se comprometer. Não dizem que sim, nem que não, muito pelo contrário. Como ficou surrado falar que será uma ótima se jogarem 30 % do que podem, agora transformam o torcedor em motivo. Afirmam que, apesar dos riscos, “é importante manter o moral de quem ama o Botafogo”. Só assim poderá haver eventuais investidores – inclusive dentro da própria torcida. Mais uma vez, falta combinar esse discurso com a mais cruel inimiga dos delirantes: a realidade. Foi a mesma conversa quando veio e foi embora Seedorf, com rombo e tudo. Não teve plano de marketing, sócio-torcedor ou “exposição mundial” que desse jeito. E quem endossou, adivinhem, depois ficou quietinho.

Além do esperado comportamento jornalístico, temos outra decepção com Paulo Autuori. Após 2005, tornou-se uma das grandes enganações do meio esportivo, como técnico ou dirigente. Uma espécie de treinador que sabia javanês, tal como Carlos Alberto Parreira com seu plágio e sua Dona Lúcia. Para ele, é cômodo defender a contratação dos dois. Logo inventa um desentendimento, pega a multa e vai embora. O “feliz” botafoguense que se exploda. O único consolo, nos feudos do Engenhão, é que esta mediocridade está longe de ser solitária. Há outros Botafogos por aí. Como, sabem bem os tricolores paulistas, no Jardim Leonor.

Colaborou Danilo Mironga

16 comentários em: “Pagar de sonso é – muito – mais fácil

  1. Triste esse comentário, denegrindo a imagem de pessoas que (alguns), ele pode até conhecer, como o Paulo Autuori (coisa que duvido), mas, outros como o Honda e o Touré, duvido e se por acaso viu o Seerdorf jogando, e ainda escreve uma penúria dessas, deve ser outro idiotizado pelo PT., que mesmo sendo o País saqueado por quase duas décadas ele ainda os adora (porque não sei, tenho medo de quem sabe e tampouco quero saber. Deveria se ater e falar de coisa reais, sem futurismo e sem achismo.

  2. Vai se preocupar com teu time, tricolor babaca, quer falar do Botafogo sem saber da história, e o São Paulo ganhou o quê ? Contratou Daniel Alves e Juan Fran, um treinador que não ganhou nada por onde passou, grande merda.

  3. Não faz o menor sentido a afirmação de que os cariocas não conhecem o jogo deles pq de manhã tão na praia. É absurdo falar tambem que o Seedorf era semi aposentado. O cara destruiu jogando pelo Botafogo, eu presenciei em diversas vezes. Procure cruzeiro 1×3 botafogo pelo brasileiro de 2012. E outra, a mídia tá batendo no clube por causa das contratações, falando que vai atrasar salários. O tom pessimista reina, mesmo com o salário sendo bancado por investidores.

  4. O Honda, no auge, era um jogador nota 6 a 6,5. Hoje deve ser no máximo um nota 3. Ou seja, a cara do botafogo.

    1. SE EU TE ENCONTRAR NA RUA VOU T ENFIAR A PORRADA SEU FILHO DA PUTA ! SE EU FOSSE VC NUNCA MAIS SAIRIA DE CASA PQ A TORCIDA DO BOTAFOGO VAI TE MATAR E JOGAR SEU CORPO NO RIO! PQ VC NAO CRIA UM TEXTO PRA FALAR DO NENE COM 38 ANOS..DO DANI ALVES COM 37..DO FELIPE LUIS E RAFINHA COM 35..DO ZE ROBERTO COM 42… CHAMAR O HONDA DE APOSENTADO COM 33 ANOS? O CARA É UM BEBÊ ESTA NA FLOR DA IDADE! MAS PELO SEU POST VEJO O TAMANHO DA SUA INVEJA PELO BOTAFOGO, E SE PREPARA PQ NÓS VAMOS TE MATAR..

  5. Boa noite. Sou o autor do texto. Alguns comentários:

    1 – na própria coluna, faço críticas ao meu time no final. Sendo que, entre as mais de duzentas colunas anteriores (fora as do personagem Danilo Mironga), critico asperamente o São Paulo, incluindo dirigentes, treinadores, jogadores e torcida.

    2 – é questão de lógica inferir que a maioria dos botafoguenses não acompanhou Touré e Honda. O segundo, nem se fala. Jogou pelo Milan num período em que o clube italiano não atraía a atenção. Touré sim, brilhou pelo City. Porém, mesmo em São Paulo obviamente não foi visto pela maioria, ao menos de forma constante. O grau de desconhecimento de jogadores estrangeiros é tal que, na Copa passada, muitos pensavam que Lukaku seria um pivozão por conta do tamanho. Ficaram chocados quando deu a arrancada do segundo gol belga.

    3 – é simplesmente patético dizer que sou petista ou fui emburrecido pelo PT por causa do texto. Procure ajuda.

  6. Algums não viram o Honda conforme você afirmou, e eu também nunca te vi, portanto sua opinião não é relevante.

  7. Irmão, respeitosamente… Vá se tratar!
    Assim como você deduziu que a torcida não viu Honda e Touré no auge, deduzo que o senhor nunca chutou uma bola na vida e não entende absolutamente nada de futebol.
    Como jornalista, procure outra área pra escrever, talvez culinária… Futebol não é sua praia.

  8. Futebol brasileiro é tão fraco que todos os jogadores com que jogaram no futebol europeu( mesmo mais velhos) com um certo nível vão sempre deitat aqui. Só uns exemplos: Sedoorf, Ronaldo, Valdo, Zé Roberto, Juninho P, Daniel Alves,etc . É por isso que acredito no Honda e no Touré se for contratado.

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