“Sem os Jorges” – como teria sido o Brasileirão com reserva de mercado

Créditos da imagem: Reprodução UOL Esporte

Realidade paralela

O campeonato brasileiro termina como um museu de grandes novidades. Quase um replay do ano passado. Exceto porque alguns times foram ainda mais decepcionantes que de costume. Como o Flamengo. Primeiro seguiu os berros imediatistas para trazer Abel. Depois, demitiu o mesmo Abel para roubar Odair Helmann do Internacional. No lugar de um novato promissor, descobriu que se tratava de um Abelinho. O Santos, com Fernando Diniz (sorte do Fluminense por ter levado um chapéu), fugiu da queda na base do desespero, com Mano Menezes. Deu a lógica: Palmeiras de Felipão, mesmo após uma titubeada (resolvida após o desastre rubro-negro no Maracanã), seguido pelo Corinthians de Carille.

Dizem que uma escolha pode ser determinante para o sucesso de todas as outras. Também pode ser para o fracasso. Não apenas de quem escolheu, mas para toda a coletividade. A hegemonia palestrina foi ainda mais frustrante porque o bicampeonato continental do River Plate nem teve um brasileiro do outro lado. A vítima foi o Emelec, que eliminou o Flamengo nas oitavas, o Internacional de Zé Ricardo nas quartas e o Grêmio nas semifinais. Scolari, relembrando, só não caiu em seguida porque bateu o Flamengo num dramático duelo de retrancas, em rodada seguinte do Brasileirão. Enquanto Dudu achava um gol no final (presepada de Rodrigo Caio), o Flamengo atuava com Arrascaeta, Bruno Henrique e Everton Ribeiro no banco – para dar o tal “choque moral”. Gabigol completou o décimo jogo sem cartão – e sem gol também. Equilíbrio é tudo.

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Mais divertido foi o Santos. A começar pela pompa no anúncio. “Trouxemos o verdadeiro campeão da Sul-americana”. Diniz chegou prometendo que, em oito meses, o Peixe estaria no mesmo padrão do Athlético. Nenhum jornalista teve a presença de espírito de perguntar qual Athlético seria: o campeão reerguido por Tiago Nunes (estará mesmo de malas prontas para o Grêmio?) ou o que Diniz deixou no Z4? No começo não houve cobranças, até porque os titulares foram poupados na maior parte do Paulistão. Não passar na segunda rodada da Copa do Brasil acendeu o alerta, mas acidentes acontecem. O 100 % de aproveitamento nas três primeiras rodadas do campeonato brasileiro fizeram até colegas chamarem o treinador de Dinizshow. Mas vieram as sete derrotas consecutivas. Era o oitavo mês de trabalho. Assim a prática respondeu à pergunta que não foi feita.

Repetindo o que aconteceu dez anos atrás, o campeão brasileiro terminará a campanha com menos de 70 pontos. O vice, por sua vez, mal passará dos 60. O jogo do bi palmeirense foi um repeteco da vitória no Rio de Janeiro. Helmann insistiu em seus conceitos, agora com Gabigol barrado (volta para a Itália sem deixar saudades) e Arrascaeta de falso 9. Não foi à toa que já deixou o Allianz Park como ex-empregado da Gávea. Falou-se em torcida única com medo de represálias da torcida do Flamengo, mas esta finalmente cansou e resolveu nem ir por conta própria. Por sua vez, na entendiante disputa pelo vice-campeonato, o empate com o Galo encerrou um ano sem brilho, mas novamente positivo do técnico corintiano. Se Renato Gaúcho não recusar o Flamengo de novo, Carille volta a ser o palpite imediato para o caso de Tite não se segurar no cargo em 2020. A conferir.

A esta altura o leitor já entendeu o universo alternativo da coluna, sem as roupas e as armas de Jorges. O resto não foi muito diferente. Como o São Paulo. Que, inclusive, contratou Diniz após a demissão deste pelo Santos. Daniel Alves, Leco e Raí acharam que foi injustiçado e acreditam num 2020 glorioso. Com direito a pedidos emocionados por um terceiro mandato do presidente. Taí uma realidade que nem Doutor Estranho daria como 0,0000001 % possível…

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