Sobre a atuação e o resultado encorajadores do São Paulo de Fernando Diniz

Créditos da imagem: Reprodução Conmebol

O São Paulo – e seu técnico – ameaçam evoluir

Enfim, o São Paulo de 2020 conseguiu uma boa partida contra um time de futebol – não os catados do Paulistão. Era isso que Fernando Diniz quis dizer quando falou nm SPFC parecido com o Fluminense. Quando o resultado chega, pode-se contemplar a boa desenvoltura no terço final do campo, com Daniel Alves repetindo o “box to box” que Ganso vinha sendo. Não espanta que esta melhora só tenha aparecido com as voltas de Igor Gomes e Antony. Quando são substituídos por Hernanes e Pablo, vira o time no mais lento da série A. O tricolor mais equilibrado possível implica deixar, no mínimo, dois jogadores de sete dígitos trimestrais de salário no banco. Três, se considerarmos Everton.

Para tanto, o sempre questionado (inclusive por mim, como bem sabem os leitores muito antes de ele chegar ao Morumbi) Diniz enfrenta missões difíceis, também abordadas por este colunista. Daniel Alves jogou ao lado de alguns dos melhores armadores do mundo. Especialmente do melhor deles: Xavi. O espanhol é tido como o único capaz de determinar o ritmo não dos onze, mas dos vinte e dois jogadores em campo. Porém, mesmo já mostrando traços de meia quando era lateral (vide sua improvisação por Dunga), passar para o meio-campo depois dos 36 anos implica aprender posicionamentos e movimentações em tempo recorde, numa idade em que o boleiro já não tende a acrescentar ao repertório. Tanto que, com Cuca, Daniel foi muito mais um peladeiro. Agora demonstra saber quando e para onde ir. Pontos para ele e seu chefe.

A outra missão, ainda mais inglória, é dar uma posição eficaz a uma promessa de trinta anos. As tentativas de Pato como centroavante foram feitas em clubes e na seleção. Nunca vingaram. O destino forçou nova insistência. Pablo se escancara como reforço caro e mal estudado. Além disso, Vítor Bueno terminou 2019 com a vaga pelo lado esquerdo do ataque. Além de participar de gols, compõe a marcação pela lateral, algo que Pato faz mal e porcamente. Sobrou a “centroavância” e o atacante captou a mensagem – por ora. Seu trunfo é ser o melhor finalizador de um time capaz de finalizar uma centena de vezes e marcar menos de 10 %. Foi o único a acertar o gol no Peru, em derrota que ainda compromete as chances na chave. Mas Pato também tem participado das trocas de passes. Para esta formação, suas lacunas como 9 parecem menos sensíveis.

Então Daniel Alves no meio-campo e Pato centroavante já podem ser considerados sucessos? Não necessariamente. Em outros clubes de Diniz, certas opções seguiram desenvoltas por uma razão simples: contra quem só perdia, o adversário não via por que se preocupar em anulá-las. Quanto mais o São Paulo conseguir placares e atuações respeitáveis, mais será analisado. Antídotos serão bolados. Como, aliás, já aconteceu com a LDU. Com 2 a 0 contra, o time equatoriano avançou e o São Paulo passou quase trinta minutos em recuo forçado, sem saber como escapar. Nem Daniel, nem Pato, nem os outros destaques apareceram. Faltou preparação prévia para o que fazer nesse tipo de situação. Sim, no intervalo houve ajustes, mas trinta minutos teriam sido suficientes para complicar um jogo ganho, não fosse o “tá lento” de Sormoza na criação.

Além da confiança, a vitória afasta alguns momentos tristes de crítica pela crítica. Até 3800 m de altitude e a necessidade de poupar no jogo seguinte (menos de 72 h depois) foram menosprezados. Não que isso apague o erro do ritmo alucinado em cima do morro, que dificultaria manter a vantagem mesmo marcando metade dos gols perdidos. Inocentar o técnico por cenas repetidas em anos é equivocado. Mas buscar as razões precisas, no lugar de memes e clichês, é sempre preferível. Da minha parte, seguirei atrás delas nos difíceis jogos que Diniz e sua trupe terão pela frente. Sejam as razões do fracasso, sejam as do sucesso. Que venham Santos e River Plate.

Soteldo ainda não brilhou contra o Tricolor

Mini-prévia do clássico: os times chegam ao SanSão com um interlúdio em relação às antipatias pelos trabalhos dos técnicos. Um resultado ruim pode abreviar tal período de paz. O São Paulo, mesmo bem atrás na tabela, foi melhor nos dois jogos pelo Brasileirão-2019. Inclusive no 0 a 0 do segundo turno, com Daniel Alves começando a atuar como quer Diniz. Por ser o mandante com torcida única e por tal retrospecto recente, o São Paulo é favorito. Mas o jogador mais “desequilibrante” é o santista Soteldo – se não for encaixotado pela marcação e pela falta de amparo dos colegas, como nestes confrontos prévios. Promessa (só promessa) de um jogo agradável.

Um comentário em: “Sobre a atuação e o resultado encorajadores do São Paulo de Fernando Diniz

  1. Gustavo, para mim houve um problema muito sério no jogo do São Paulo de ontem, que pode complicar a vida em próximos jogos: A FALTA DE APETITE PELO GOL.
    A recuada no meio do primeiro tempo foi preocupante e deve ser evitada, mas no segundo tempo, após o terceiro gol, o ritmo caiu excessivamente. Era muito claro que o time estava satisfeito com o placar e só estava tocando a bola esperando o jogo acabar. Mesmo com esse freio de mão puxado, foram criadas ainda algumas chances de gol.
    Faltou lembrar que o saldo de gols será decisivo para a definição da classificação desse grupo.
    Futebol é para frente e o Diniz, sempre diz que pensa assim, mas deixou o time diminuir o ritmo.
    Falta a esse time o apetite para aniquilar o adversário e marcar o máximo de gols possível sempre. Falta eles se inspirarem um pouco na maneira como o Flamengo joga.

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