Tite, a razão e a emoção: o que tem de mais hipócrita neste mundo?

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

“Pensar com inteligência, sentir com emoção”. Esse trecho da música “Esportes Radicais”, composta por Humberto Gessinger, é brilhante na dialética eterna entre a razão e a emoção. Dissociar as duas principais características humanas é tão inviável que faz parecer patético aquele que o tenta.

Nesse sentido, Nietzsche afirma que a razão retira a emoção da vida. Em todos os meios da vida, podemos nos deparar com o dubitável comportamento que se encaixa entre razão e emoção – inclusive no futebol. Talvez seja por isso que o profissionalismo no meio do futebol ganha ares de hipocrisia, obscuridade. Talvez seja exatamente por isso que ele seja o anti-clímax do futebol.

A visita de Tite a Itaquera no último sábado fez parte da agenda itinerante do técnico canarinho, que passeia por gramados de todo o mundo à vista de jogadores de seu escrete. Em Itaquera, um adendo a mais: o próximo jogo da Seleção, no Brasil, será em São Paulo, exatamente na Arena Corinthians.

Mas o fato aqui não é a Seleção. Tite, não nega a ninguém, é corintiano de coração. Ninguém passa impunemente por tudo o que ele passou nestes anos de Corinthians. Entendimentos entre emoções e razões ficam muito aquém do que se pode dizer sobre os anos dourados do treinador gaúcho no comando do alvinegro.

Acima de tudo, Adenor Bacchi é humano. Comemorar o gol do time que o consagrou no cenário mundial é mais do que natural. Não há anti-profissionalismo nem incorreção política. É o amor pelo esporte, é a gratidão pelo clube e pela torcida que o tornou verdadeiramente uma lenda viva da história de um dos maiores clubes do futebol brasileiro, senão do mundo.

Assusta-me que importantes nomes do jornalismo esportivo brasileiro levantem críticas contra ele. Expoentes da hipocrisia, jornalistas esportivos se negam a dizer qual o seu time, como se todos acreditássemos realmente que a imparcialidade funciona nesse meio.

Aberrações profissionais.

De Nietzsche a Tite, há muito o que aprender. Vale mesmo a pena fingir-se tão racional?

11 comentários em: “Tite, a razão e a emoção: o que tem de mais hipócrita neste mundo?

  1. Assino embaixo, Jorge Freitas! Agora o Tite precisa fingir que não está nem aí para o jogo? Fora que ele estava ao lado de ex-colegas, ou seja, também estava torcendo por eles (e não apenas pelo Corinthians).

    Eu queria saber quantos dos jornalistas que agora o criticam já comemoraram gols de seus times em situações parecidas.

    É só futebol, gente! É emoção! Essa patrulha quer acabar com a espontaneidade e cristalizar a demagogia de vez…

  2. Esse bosta tem q ver que ele agora representa uma nação e tem sim que deixar de lado tudo que vai contra a união da seleção. Depois ficam reclamando quando certos torcedores preferem o clube do que a seleção.
    Profissionalismo em primeiro lugar.

  3. Simples, lá na frente o Corinthians tá num mata mata e ele convoca só jogador do adversário. E aí ? Normal ? Não vai ser questionado ? Óbvio que o cara vai ter um carinho pelo time, mas poderia perfeitamente ser evitado sim.

  4. A questão é que ele não estava lá de folga ou como torcedor. Estava como Técnico da Seleção. Foi para observar o jogo e não pra torcer. Mandou muito mal nessa. Se fosse o Dunga, ainda técnico da Seleção, comemorando gol do Internacional dessa forma, ele seria linchado. Então menos hipocrisia, Tite não pode tudo.

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