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No Ângulo | Futebol é preciso

Flamengo e Fernando Diniz: tudo a ver

16/05/2016

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Apesar da vitória contra o Sport na estreia do Brasileirão (novamente sem jogar bem), não imagino que algum flamenguista tenha reais esperanças de título brasileiro. Não pela má atuação, mas pela falta de evolução e propósito da equipe de Muricy Ramalho, ao que se soma a campanha aos trancos e barrancos na Copa do Brasil e a eliminação e inofensividade na semifinal do Carioca.

Com a contratação do técnico português Paulo Bento pelo Cruzeiro, vejo o Fla como o único dos “12 Grandes” a não ter um técnico que gere expectativas ou tenha crédito com a torcida. Vejamos: no Rio, Vasco e Botafogo são comandados, respectivamente, por Jorginho e Ricardo Gomes, cobiçados por outros clubes e atuais unanimidades por fazerem seus fracos elencos renderem acima do esperado; enquanto o Flu foi reanimado pela recente chegada de Levir Culpi, que já deu frutos com o título da Primeira Liga. Em São Paulo, o Corinthians tem Tite, o maior treinador de sua história e unanimemente considerado o melhor do país; o Palmeiras aposta em Cuca, que chegou há pouco, valorizado, com grife e que em poucos jogos já mudou a equipe; o São Paulo de Bauza segue vivo na Libertadores; e o Santos tem Dorival Junior, identificado com o clube onde, uma vez mais, faz um trabalho de primeira. Em Porto Alegre, Argel acabou de conquistar o estadual pelo Inter; enquanto o Grêmio aposta na revelação Roger, que apesar de acumular frustrações em mata-matas, goza de crédito pela surpreendente campanha do clube no Brasileiro 2015. Para finalizar, em Minas estão o Atlético de Aguirre, vivo na Libertadores; e o Cruzeiro, que acaba de apostar em um técnico europeu, na correta esperança de que possa implantar novidades.

Como contraste, vemos o Flamengo com um Muricy perdido que, apesar do histórico super vencedor, não faz um bom trabalho há anos e não demonstra saber muito bem o que quer dos jogadores. E é aí que entra Fernando Diniz.

O treinador do Audax faz um trabalho extraordinário. Apesar de ter perdido a final para o Santos, claramente superou futebolisticamente o adversário na final – especialmente na temida Vila Belmiro. E mais: já tinha feito o mesmo contra Corinthians e São Paulo. E isso comandando um elenco fraco. Vendo suas equipes se impondo e acuando esses gigantes, mesmo como visitante, fiquei encantado e imaginando o que ele poderia fazer com um jogadores de outro nível.

Qualquer um que acompanhe a administração dos clubes brasileiros sabe que o rubro-negro em pouco tempo será o mais poderoso economicamente. A atual diretoria faz um trabalho irrepreensível na parte administrativa, mas patina no futebol. E, pelo que se vê, não é insistindo com o trabalho atual que a coisa deverá mudar.

Flamengo e Fernando Diniz têm em comum as perspectivas grandiosas. Além de que o trabalho desse treinador ímpar parece ser daqueles que exige um bom tempo para ser implantando e assimilado pelos atletas, o que casa perfeitamente com a falta de maiores ambições a curto prazo do time de maior torcida do país. Assim, o elenco poderia ir sendo qualificado aos poucos, conforme a gradual melhora das finanças do clube, já de acordo com as preferências do técnico.

Se não fosse suficiente, o Mais Querido tem a tradição de ser um time de toque de bola, que é justamente a maior marca do trabalho do jovem treinador. Por essas e outras, o timing é perfeito para ousar e aproveitar as potencialidades complementares para um casamento que, em teoria, tem tudo para fazer os dois mudarem de patamar.