Flamengo e Fernando Diniz: tudo a ver

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Apesar da vitória contra o Sport na estreia do Brasileirão (novamente sem jogar bem), não imagino que algum flamenguista tenha reais esperanças de título brasileiro. Não pela má atuação, mas pela falta de evolução e propósito da equipe de Muricy Ramalho, ao que se soma a campanha aos trancos e barrancos na Copa do Brasil e a eliminação e inofensividade na semifinal do Carioca.

Com a contratação do técnico português Paulo Bento pelo Cruzeiro, vejo o Fla como o único dos “12 Grandes” a não ter um técnico que gere expectativas ou tenha crédito com a torcida. Vejamos: no Rio, Vasco e Botafogo são comandados, respectivamente, por Jorginho e Ricardo Gomes, cobiçados por outros clubes e atuais unanimidades por fazerem seus fracos elencos renderem acima do esperado; enquanto o Flu foi reanimado pela recente chegada de Levir Culpi, que já deu frutos com o título da Primeira Liga. Em São Paulo, o Corinthians tem Tite, o maior treinador de sua história e unanimemente considerado o melhor do país; o Palmeiras aposta em Cuca, que chegou há pouco, valorizado, com grife e que em poucos jogos já mudou a equipe; o São Paulo de Bauza segue vivo na Libertadores; e o Santos tem Dorival Junior, identificado com o clube onde, uma vez mais, faz um trabalho de primeira. Em Porto Alegre, Argel acabou de conquistar o estadual pelo Inter; enquanto o Grêmio aposta na revelação Roger, que apesar de acumular frustrações em mata-matas, goza de crédito pela surpreendente campanha do clube no Brasileiro 2015. Para finalizar, em Minas estão o Atlético de Aguirre, vivo na Libertadores; e o Cruzeiro, que acaba de apostar em um técnico europeu, na correta esperança de que possa implantar novidades.

Como contraste, vemos o Flamengo com um Muricy perdido que, apesar do histórico super vencedor, não faz um bom trabalho há anos e não demonstra saber muito bem o que quer dos jogadores. E é aí que entra Fernando Diniz.

O treinador do Audax faz um trabalho extraordinário. Apesar de ter perdido a final para o Santos, claramente superou futebolisticamente o adversário na final – especialmente na temida Vila Belmiro. E mais: já tinha feito o mesmo contra Corinthians e São Paulo. E isso comandando um elenco fraco. Vendo suas equipes se impondo e acuando esses gigantes, mesmo como visitante, fiquei encantado e imaginando o que ele poderia fazer com um jogadores de outro nível.

Qualquer um que acompanhe a administração dos clubes brasileiros sabe que o rubro-negro em pouco tempo será o mais poderoso economicamente. A atual diretoria faz um trabalho irrepreensível na parte administrativa, mas patina no futebol. E, pelo que se vê, não é insistindo com o trabalho atual que a coisa deverá mudar.

Flamengo e Fernando Diniz têm em comum as perspectivas grandiosas. Além de que o trabalho desse treinador ímpar parece ser daqueles que exige um bom tempo para ser implantando e assimilado pelos atletas, o que casa perfeitamente com a falta de maiores ambições a curto prazo do time de maior torcida do país. Assim, o elenco poderia ir sendo qualificado aos poucos, conforme a gradual melhora das finanças do clube, já de acordo com as preferências do técnico.

Se não fosse suficiente, o Mais Querido tem a tradição de ser um time de toque de bola, que é justamente a maior marca do trabalho do jovem treinador. Por essas e outras, o timing é perfeito para ousar e aproveitar as potencialidades complementares para um casamento que, em teoria, tem tudo para fazer os dois mudarem de patamar.

28 comentários em: “Flamengo e Fernando Diniz: tudo a ver

  1. Caro GABRIEL, seu comentário é do tipo que analisa o jogador por uma partida, não desmerecendo o FERNANDO DINIZ, ele apenas está no inicio e com jogadores que precisavam mostrar alguma coisa e quando mudam para um time de maior dimensão fica perdido, tudo tem seu tempo. O trabalho do MURICY é muito bom e eu com certeza ao contrário da sua afirmação acredito no HEPTA sim. Você fez um comentário de empresário entusiasmado com o pricípio do FERNANDO DINIZ, sua empolgação em um futuro pode tornar-se real.

  2. Os argumentos são bons, Gabriel Rostey. Acho que o Fernando Diniz pode ir longe com esse pensamento, que já é realidade no mundo inteiro. Mas há algumas características específicas de um clube grande como o Flamengo (e algumas mais específicas ainda do próprio Flamengo) que podem prejudicar o trabalho dele.

    O primeiro ponto é a questão das incertezas na escolha. O Flamengo, e mais ainda essa diretoria, não costuma ter certeza no que está fazendo. Aliás, clube grande nenhum. Saem do treinador defensivo para o superofensivo, por exemplo, como se fosse normal. Não é. Um clube precisa ter um estilo de jogo próprio, como o Santos, por exemplo, talvez o único brasileiro nesse quesito DNA.

    A pouca paciência da torcida também é outro ponto, principalmente chegando no meio do campeonato. A torcida do Flamengo é imediatista demais, e está mais ainda dada a falta de ambição do clube. Já não disputa a parte de cima do campeonato há 5 anos. Título nacional, os últimos foram 2009 e 2013.

    Por fim, a questão da grife pesa muito. No Flamengo, os treinadores que dão certo costumam ser os que não são treinadores. Os treinadores mais vitoriosos dos últimos tempos são Andrade e Jayme, que não têm carreiras. Fora eles, quem se sustenta mais no cargo são os caros, as grifes, como o Luxemburgo e agora, o próprio Muricy (que provavelmente já teria sido demitido se não fosse quem é).

    Não por acaso, treinadores como Jorginho, Cuca e Ricardo Gomes, citados no texto como esperanças para suas esquipes, tiveram passagens ruins pela Gávea.

    E pela perspectiva do treinador, acho que a qualidade do trabalho precisa ser melhor testada, não da mentalidade em si, mas do próprio treinador. Coisas como trabalhar com jogadores mais experientes, de maior currículo, em centros maiores. Pra mim, o Diniz precisa ser melhor testado. Um bom trabalho em uma Ponte Preta, em uma Chapecoense, por exemplo, ou mesmo uma subida para a Série A com o Oeste (ou qualquer outro time que venha a treinar) podem qualificá-lo de verdade para treinar um clube grande.

    Por ora, apesar dos dois ou três anos de bons trabalhos, campeonato estadual é bem pouco para avaliá-lo, na minha opinião.

    Conclusão: não apostaria no Diniz em um clube grande agora, muito menos no Flamengo.

    1. Obrigado, Caio Bellandi. Bom, vamos lá… Eu acredito que uma eventual parceria Flamengo + Fernando Diniz teria tudo para dar super certo. Como bem disse o Gabriel Rostey, seria o “timing” perfeito, exatamente o que cada um está precisando no estágio atual em que se encontram. Que a diretoria flamenguista tenha personalidade (assim como a corintiana teve ao manter Tite depois da derrota histórica na pré-Libertadores para o Tolima) e banque esse projeto, que acredite verdadeiramente e dê o respaldo necessário ao Fernando Diniz. E mais: essa modinha de todo mundo alegar que “em clube grande o Fernando Diniz não duraria muito, que não teriam paciência com ele logo nas primeiras derrotas”, para mim, não cola. Discordo demais disso, acho que a essa altura ele está contando com a boa vontade de praticamente toda a opinião pública. Sem falar que os medalhões Muricy, Luxemburgo, Oswaldinho etc já há algum tempo não dão certo em lugar algum, pararam no tempo. O Flamengo, com esse papo de que “no Flamengo a coisa é diferente, o buraco é mais embaixo” não faz outra coisa que não criar um empecilho para o seu próprio crescimento. Trabalho de qualidade dá certo em qualquer lugar. Às vezes, só é preciso uma chance. Fora que no futebol, quase nada é garantia de nada. Enquanto isso, o Audax vai passeando em campo, colocando São Paulo, Corinthians e Santos na roda. 😉 Abção

    2. Concordo totalmente, Fernando Prado!

      Ao menos neste ano, o Fernando Diniz não é um “técnico novo que faz um ótimo trabalho”, como tantos outros já fizeram. O que ele faz é simplesmente excepcional, e todos que trabalham com ele deixam claro como ele tem métodos claros, realmente tem uma “filosofia”.

      Como o Flamengo não parece mesmo ter grandes ambições neste ano, poderia apostar no Fernando Diniz, dando toda a confiança para ele, investindo no potencial futuro para a próxima temporada, por exemplo.

      E para quem diz que o Flamengo é fraco, e o Audax, é forte? 😉

    3. Amigos, o Caio falou tudo que eu penso. Os menos cascudos não se criam no Flamengo. Andrade e Jayme deram certo pois vieram de dentro e não de fora. O Flamengo tem uma dinamica que Nenhum outro tem. A gente precisa uma vez dar tempo Pra um Cara cascudo trabalhar. A demissao de Muricy Hoje, ou Amanha em caso de eliminação seria sim prematura. Diniz pode ser capaz, Mas não tem casca, e o Flamengo não merece, Nem deve ser feito de “lab rat” de um treinador que ainda é uma aposta. As etapas precisam ser respeitadas, Diniz precisa de Mais alguns bons 2 anos em times menores.

    4. Respeito todas as opiniões. mais a minha e que si o futebol brasileiro isso quero dizer os clubes, não começarem uma renovação tatica isso inclui novos técnicos. vamos continuar produzindo talentos individuais mais atrasados taticamente. Argentina exporta técnicos pq eles tem uma visão tática evoluida. vários tecnicos com 40 ou 45 anos simeone maior exemplo. esse time do flamengo não e ruim. nas mãos de um cara com uma visão mais moderna do futebol jamais jogaria nesse esquema ultrapassado e doido do muricy. acho que valeria a pena arriscar. chega de velhos esses caras não evoluiram. vejam vanderley, foi um ótimo técnico. mais ficou pr trás Marcelo Oliveira não e garoto. mais tem uma visão moderna seria outra boa opção. muricy e muito fraco!!

    5. Gabriel Rostey e Fernando Prado, concordo quando vocês dizem que o Flamengo acaba se resumindo quando diz que “no Flamengo é diferente”. Mas isso é um fato histórico. Citei aí os exemplos dos três treinadores que vieram como esperança de novidade, hoje estão se consolidando ou consolidados e aqui passaram batido. Também acho que é uma barreira que deve ser quebrada, mas não creio que seja o Fernando Diniz.

      E outra coisa muito particular aqui no Rio é o tratamento com a imprensa. Chegando um paulista, que não tem os jornalistas na mão, com duas derrotas ele já seria alvo de matérias para minar o ambiente. E acredite, isso acontece. Aconteceu com o Cuca, por exemplo. A imprensa carioca, principalmente a de rádio, que cobre o dia-a-dia e etc, é muito conservadora, retrógrada até. Essa coisa de “respaldo da opinião pública” o Diniz com certeza absoluta não teria. Só quem tem são os medalhões, e mesmo assim, só alguns.

      A imprensa daqui é notadamente mais agressiva, mais combativa, em todas as áreas, mas principalmente no esporte. E e eu falo da imprensa regional, não a nacional, que parece até ser mais amena com o próprio Flamengo…

      E a citação do Tite no caso com o Tolima foi legal, deveria ser exemplo, mas ela, infelizmente, é exceção no Brasil inteiro, e eu diria que seja a única exceção.

      Mas como falei, os argumentos são bons. Só não concordo porque tenho uma outra visão do próprio Flamengo e do Diniz.

  3. Sou santista mas não tenho a menor duvida de aquele time ou club que tiver a coragem de contratar o Fernando Diniz e deixa-lo trabalhar se tornará um Barcelona ou Bayer de Pep Guardiola aqui no Brasil, não é de agora que o FD faz um trabalho maravilhoso, a diferença é que esse ano ele chegou a final e só não foi campeão porque o time dele individualmente era muito inferior ao Santos, se tivesse um time melhor tinha ganho os dois jogos. Gostaria tanto de ve-lo como treinador do meu Santos, mais infelizmente nós temos presidente, e sim um senhor que enjaulou o Santos em Santos. Por isso gostaria de ver o FD num time grande, menos no trio de lata de SP rsrsrs porque sei que ele fará um grande trabalho, pena que o Cruzeiro não teve essa ousadia, a diferença do FD para o Deivid é enorme em filosofia e tempo de trabalho. Pode ter certeza flamenguista se vcs tiverem a coragem de dar chance a FD vcs se tornarão em pouco tempo um time quase imbatível, como são o Bayern e o Barcelona.

  4. Futebol brasileiro não é possível o cara perde 6 seguidas ai já demite,essa cultura é complicada,e por isso que na Europa boa parte dos técnicos leva muitos anos no comando do time.

  5. Eu tenho um projeto para o futebol baseado em 10 anos de mercado corporativo e no último ano aplicado numa Universidade Federal para diminuição da evasão, com resultados comprovados.

    Eu gostaria MUITO de apresentar para o Fernando Diniz, escolhi ele, porque o considero ser um profissional com uma visão mais ampla do mundo futebolístico, não apenas ser boleiro ou estudioso ou tecnicista.

    Algumas ideias do projeto:
    Tática invertida, modelo padrão, fator
    Surpresa
    Através do autoconhecimento
    Como lhe dar com a pressão (família, mídia, técnico, clube e estádio)
    Como transformar o combustível do desafio em algo positivo e não negativo, vide caso Levir e Fred
    Entre outros.

    Seria muito importante ter
    Contato com o fernando, se você puder fazer a conexão, posso
    Até lhe mostrar o projeto antes.

    Abraços
    Antonioleitao@me.com

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