
Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo
Ok, até compreendo que Dunga utilize a Copa América como vestibular para as Olimpíadas (com o que, inclusive, concordo. E explico: embora a Copa América seja uma boa oportunidade de reunir o grupo principal por mais tempo, até pensando na disputa das Eliminatórias, o “Ouro Olímpico” é uma oportunidade histórica de o Brasil resgatar um “tiquinho” do seu orgulho que esvaiu-se após a doída derrota por 7×1 para a Alemanha na última Copa do Mundo, em pleno Mineirão. Sem falar no ineditismo da medalha dourada, a qual, convenhamos, se conquistada em solo brasileiro, será muito legal e servirá sim para ajudar a cicatrizar as sete feridas abertas pelos alemães, ressalvada a diferença no grau de importância entre as competições).
Mas convocar Rodrigo Caio, a eterna promessa são-paulina (quase negociado no meio do ano passado com o Atlético de Madrid numa inverossímil transação milionária então intermediada pela Gestifute, do português Jorge Mendes, que tem “só” o Cristiano Ronaldo entre seus clientes), é algo emblemático do que se transformou o nosso misterioso futebol.
Ora, o ex-volante e agora zagueiro nunca fez jus à fama de ótimo jogador que ostenta. Pelo contrário, falha muito e invariavelmente se mostra um jogador limitado. Como na partida contra o Toluca, no México, em que teve atuação sofrível e participação (por ação ou omissão) em todos os três gols do adversário. Mais do mesmo, aliás.
Só que Rodrigo Caio tem uma “grife” que acaba aliviando algumas análises sobre o seu desempenho. Assim como Oscar, coincidentemente revelado no mesmo clube, um dia já teve (cada vez menos, ainda bem).
No entanto, eles não são os únicos. Veja Casemiro, volante apenas “correto” no Real Madrid, mas que chega com título de inconteste na Seleção, ao passo que o tecnicamente especial e verdadeiro armador de jogadas, Ganso (hoje protagonista no São Paulo), fica fora da lista em um momento bastante propício para que ele pudesse brilhar e deslanchar de vez.
Na lista dos convocados, somente Lucas Lima é um verdadeiro “maestro”, com características para ditar o ritmo de uma equipe. Os demais (Willian, Renato Augusto e Phillipe Coutinho) não cumprem essa função: ou são mais “de lado”, ou mais “atacantes”.
E dá-lhe correria em busca do tal do “futebol moderno”.
Aliás, nos últimos dias, quem pôde acompanhar os jogos entre Chelsea x Tottenham (que decidiu o Campeonato Inglês a favor do Leicester) e Bayern x Atlético de Madrid (que classificou o time espanhol para a final da Liga dos Campeões), será que se deu conta do quanto os titulares absolutos (!) da Seleção Brasileira, Willian e Douglas Costa, foram discretos em suas atuações?
Poxa, se eles não conseguem ser “os caras” em seus clubes, como alguém pode supor que possam vir a ser algum dia vestindo a amarelinha?
E a apatia e a falta de senso crítico generalizadas são tão grandes, que o fato de Willian ser hoje um dos favoritos a ficar com uma das três vagas permitidas para jogadores acima da idade nas Olimpíadas (Neymar e Miranda são os outros) pouco é debatida ou questionada. Não se tem notícia de um debate sobre “Willian x Nenê” (sim, o do Vasco), ou algo que o valha, parece que esse tipo de conversa é até proibido, ou então coisa de gente ultrapassada, que não entende de futebol.
Afinal, Willian joga muito na Premier League, não é mesmo? Assim como o Douglas Costa na Bundesliga.
Hum, então tá.
E segue o jogo.
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