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Meritocracia? A volta de Dunga acaba com qualquer ilusão

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Créditos da imagem: Site Conexão Lagoa

Não sou do tipo que gosta de ser super crítico e resmungão, mas sinceramente, este é um assunto que me deixa muito mal humorado. O retorno de Dunga ao comando da Seleção Brasileira é uma grande afronta à opinião pública brasileira.

Quando foi inventado como treinador pela CBF, em 2006, Dunga ganhou de presente o cargo da equipe mais importante da história do futebol unicamente por seu caráter como jogador. Era uma aposta. A meu ver, totalmente injustificada, mas de fato havia o fator de ser um grande líder e um importante personagem do futebol brasileiro.

Entre a pesada eliminação numa Olimpíada na qual montou pessimamente a equipe com apenas um atacante, os títulos da Copa América e Copa das Confederações, além de vitórias marcantes como o 3 x 1 sobre a Argentina em Rosário pelas Eliminatórias, acabou se revelando um bom técnico. Na Copa do Mundo, se seu trabalho como treinador não merecia a eliminação pelo desempenho da equipe dentro de campo, como gestor de grupos foi justa a pior colocação brasileira em Mundiais desde 1990, seja pelo descontrole demonstrado pela equipe após o primeiro gol da Holanda, seja pelo deserto de alternativas dentro de elenco que o banco de reservas com Júlio Batista, Grafite e Kleberson gritava a todos. Sem nenhum sensacionalismo, a convocação de Kleberson foi a maior insanidade que já vi na seleção em toda minha vida: ele mal era utilizado no Flamengo.

Após o bom (ainda assim, nada de excepcional) trabalho na seleção, Dunga só teve mais uma experiência no futebol: a fracassada passagem no comando do Internacional, quando nem completou a temporada (foi demitido em outubro). Andou para trás depois que saiu da seleção.

Ou seja, se a escolha por Dunga já foi uma invenção bizarra em 2006, agora é simplesmente uma afronta. Ele sequer poderia ser uma opção. No momento, é apenas um “técnico sem nenhuma credencial” como tantos outros, mas com dois pontos negativos: não é adepto do futebol leve e ofensivo clamado pelos torcedores brasileiros, e já fracassou na seleção brasileira. Ou seja, a passagem pela seleção só serve para deixa-lo ainda atrás de seus tantos equivalentes; é um ponto negativo, e não positivo.

Vejo até mesmo pessoas da mídia dizendo “Não tem coisa muito melhor por aí”. Oras, a ideia não pode partir daí. Se Dunga já mostrou não ser o que queremos, como pode voltar sem um grande trabalho que o credencie novamente ao cargo? É completamente diferente do já errado retorno de Felipão à seleção, afinal, queira-se ou não, Felipão é um dos maiores técnicos da história do futebol brasileiro.

Sempre me recordo de Tite falar em suas coletivas sobre “merecimento”. Ele dizia que a equipe não tinha que temer uma adversidade, mas sim fazer por merecer a conquista. Tite fez por merecer a seleção com o trabalho mais bem sucedido de um técnico brasileiro nos últimos anos. Foi o pilar de uma equipe que venceu tudo (inclusive fantasmas históricos) com um futebol coletivo e moderno, além de ter sempre mostrado uma conduta irretocável.

Marcelo Oliveira faz por merecer. Não tem tanta história como Tite, mas seu Cruzeiro é a equipe que pratica o melhor futebol que vi no Brasil nos últimos tempos. Todos os jogadores que entram jogam bem, o padrão tático é mantido, com ofensividade e apresentando a movimentação e as triangulações do “futebol contemporâneo”. A bola não queima no pé de nenhum jogador do time, justamente porque os outros se apresentam como opções.

Cuca (pelo futebol ofensivo e pelo título da Libertadores), Leonardo (por ser “praticamente um estrangeiro”) e Zico (ídolo nacional que já foi treinador em Champions League e Copa do Mundo, e simbolicamente representa todos os anseios que temos de mudança) não seriam minhas escolhas, mas são opções razoáveis. Dunga não.

Mas se há algum lugar onde não existe mérito ou merecimento é nesta CBF de Marin, Del Nero, Alexandre Gallo (quem?), Gilmar Rinaldi e agora Dunga. Um clubinho privado que vive à parte da sociedade, comandado por gente da pior espécie e que não está nem aí para qualquer critério lógico. Como deuses, elegem seus sucessores, alternam-se no poder, inventam técnicos e nada acontece. Se ainda tínhamos a ilusão de que podiam se importar com pressões externas, tentar ao menos enganar, agora ficou claro que simplesmente fazem o que querem. Já passou da hora de grandes protestos e boicotes populares.

Vai ser muito difícil ter alguma boa vontade com esta seleção, e não sei nem se vou tentar ter.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.


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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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