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Distância, abismo técnico, Libertadores, calendário… para que a Champions das Américas?

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Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

A notícia da semana dá conta que há um milionário querendo ganhar dinheiro somando a tradição e a técnica do futebol sul-americanos à força econômica e organização das agremiações emergentes da América do Norte. Como manda a boa cartilha do marketing, já há um excelente nome para a competição que só existe na cabeça dele: Champions das Américas. Não sei se a ideia do nome partiu do próprio empresário ou se a imprensa que alcunhou. Mas o fato é que o nome é forte: Champions, assim, em inglês, é detalhe relevante, não obstante a “língua universal” quase não ser falada nas outras duas Américas.

A iniciativa vem de um dono de uma empresa detentora de direitos de transmissão de grandes eventos. Causa arrepios lembrar de outras do ramo, como ISL e Traffic. Mas nem todas são iguais, claro. O tal empresário é um italiano interessado em ganhar dinheiro e que para isso estaria disposto a despejar parte desse muito dinheiro nos combalidos cofres sul-americanos. Esportivamente falando, a iniciativa faria os tradicionais clubes daqui ganharem muito dinheiro e talvez algum know-how empresarial, enquanto os de lá, ávidos por se consolidarem no soccer, teriam ganhos técnicos e também financeiros, de olho nos apaixonados da América do Sul e também de outros continentes. Ou seja, seria só por dinheiro mesmo.

Penso haver outras maneiras de se ganhar uns dólares com a bola redonda sem que precise copiar os caminhos (e os nomes) dos europeus, e nem mesmo nos integrarmos dessa forma com o soccer anglo-saxão, que pouco iria agregar além das sempre bem vindas verdinhas. A verdade é que a Copa dos Campeões das Américas, nos moldes da Champions como quer o empresário, é inviável por alguns motivos. Eis a lista:

– Distância territorial. A Europa é um pedaço de terra que se apertar um pouquinho caberia dentro do Brasil. E a infraestrutura avançada do Velho Mundo permite deslocamentos com uma rapidez que não se vê nem mesmo nos Estados Unidos. Atravessar o continente europeu é infinitamente mais simples e rápido do que sair de Porto Alegre e ir a Montreal, imaginando o Grêmio ou o Inter indo enfrentar o atual vice-campeão da CONCACAF, o Impact. Logo, o deslocamento seria naturalmente desgastante, sem nem mesmo falar no calendário, o próximo tópico;

– Calendário apertado.  Se não é, deveria ser ponto pacífico que os estaduais atrapalham o bom andamento do calendário brasileiro. Mas tanto clubes quanto federações parecem não compartilhar desse pensamento e o estadual inchado e supervalorizado ainda é uma realidade. O que atrapalharia demais colocar uma outra competição gigante durante o ano. Antes de nos juntarmos aos vizinhos, que tal limparmos a nossa casa? Enquanto não enxugarmos o calendário no âmbito regional, nacional e até mesmo continental, não dá para querer atravessar as Américas de maneira segura e organizada;

– Distância técnica. Apesar desse não ser o maior problema, aqui há um abismo. O futebol só começou a engrenar na América do Norte (tirando o México, claro) nos últimos anos, após tentativas frustradas nas décadas anteriores. Parece que a coisa tá indo bem lá e chegou para ficar. O dinheiro jorra por lá, mas por enquanto, trata-se de um futebol quase master. Como fez o Japão com o Brasil no fim do século passado, a Major League Soccer pega os craques europeus em fim de carreira atrás do sonho americano pintado de verde. Se o futebol sul-americano está longe de ser de alto nível, o dos vizinhos do Norte está ainda mais;

– Temos a Libertadores. Sim, essa competição mal ajambrada, mal organizada e mal vista, é a competição continental inteclubes mais tradicional do mundo, e reúne os clubes dos países onde o futebol é o esporte preferido. A Conmebol desfaz do torneio com sua incompetência e corrupção, mas os participantes poderiam e deveriam se unir em torno de sua melhora. Não é concorrência e nunca vai ser à Champions League. Mas não há necessidade de se concorrer. Há espaço para a Libertadores crescer, e essa é a melhor alternativa para nossa região, até por sua tradição. Melhorá-la é a questão, e não esvaziá-la, e talvez essa ideia estapafúrdia sirva para movimentar clubes e confederações;

– Copiar os moldes europeus. A competição ainda é só um devaneio, mas certamente já há alguém pensando nela. E a integração entre as três Américas está sendo desenhada como uma cópia do que faz a UEFA com os países europeus, alguns inclusive que sequer ficam no continente, como Israel (país asiático, mas que qualquer um com um pouquinho de conhecimento geo-político entende sua presença na UEFA). Temos nossas culturas e tradições, e tirando a competência do modo europeu, pouco poderia se aplicar às Américas, principalmente à do Sul, e mais especificamente, ao Brasil;

– Sugestão: Mini-torneios e excursões. Então devemos ignorar o crescimento do soccer e deixá-lo abocanhar fãs mundo afora enquanto ficamos à míngua? Não. Com um calendário justo e adaptado, diminuindo consideravelmente os estaduais, há formas de se ganhar um dinheiro com a participação do Tio Sam. Competições curtas, nas pré-temporadas daqui e de lá. Como alguns clubes já fizeram, ir aos EUA no começo do ano pode render frutos. Um pequeno torneio com quatro franquias norte-americanas, duas brasileiras e duas argentinas seria excelente caminho. Pelo tamanho dos EUA e os moldes da MLS, daria para fazer até três ou quatro dessas ao mesmo tempo, separando por regiões e contemplando times mexicanos, uruguais, chilenos, etc. E isso não afetaria o caminho inverso: podemos imaginar Kaká ou Pirlo enfrentando nossos times no Maracanã, Morumbi ou Centenário, o que certamente daria retorno de mídia, e por consequência, dinheiro, e ainda faria o torcedor daqui viver grandes experiências.

Ou seja, há opções. Integrar é bonito no papel, mas na prática, iria apenas esvaziar a Libertadores e talvez até o campeonato nacional, e vamos combinar, tudo o que precisamos é exatamente nos fortalecer de dentro para fora. Quem sabe daqui a alguns anos não seja possível uma Copa dos Campeões das Américas?

Hoje, temos coisas mais importantes a serem feitas do que dar bola para o que um milionário italiano pretende na ânsia de ganhar seu justo dinheiro. Tradição não se compra.

Leia também o texto “‘Champions das Américas’ é oportunidade estratégica para não perdermos o bonde da história”, favorável à competição, do colunista Gabriel Rostey

Quer saber, jogo bom é o que o meu time ganha fácil
"Champions das Américas" é oportunidade estratégica para não perdermos o bonde da história

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- possui 70 artigos no No Ângulo.

Carioca, graduado em Direito e universitário de Jornalismo. Mas antes de tudo, um opinólogo profissional, cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia e palpiteiro da rotina.

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5 respostas para “Distância, abismo técnico, Libertadores, calendário… para que a Champions das Américas?”

  1. Bom Caio, eu discordo, rs! Pra começar que o seu texto fala várias vezes de “empresário” como se fosse uma coisa ruim em si. Várias coisas muito boas para a sociedade já vieram de empresários, e não acho justificável ver o Estado ou instituições tão viciadas como FIFA e CBF como eternas e exclusivas “esperanças de salvação”. Para exemplificar, o Sul-Americano de 1948, que foi um embrião da Libertadores, foi uma iniciativa do Colo Colo, e a Pequena Taça do Mundo (que reunia grandes clubes da América do Sul e da Europa) foi organizada por empresários venezuelanos.

    Também não tenho ideia se o nome é esse mesmo ou só uma maneira que a imprensa encontrou para se referir ao torneio. De todo modo, acho isso desimportante. Muito menos questões tão irrelevantes quanto se é inglês ou não, aliás, isso me lembra o Aldo Rebelo. Só sei que a porcentagem de população que tem inglês como idioma oficial é muito maior nas Américas do que na Europa, e “Libertadores” tampouco é uma palavra que sirva para todos os idiomas do continente.

    Não entendo o porquê de você dizer que os times da MLS ficariam interessados no dinheiros dos fãs daqui. Isso me parece ver o mundo com papéis definidos de “opressor e oprimido”. Neste caso, é muito mais fácil nossos clubes gigantescos, tradicionais, vencedores e donos de torcidas apaixonadas conseguirem fãs na América do Norte. O que os norte-americanos buscam é entrar no mapa do futebol mundial dentro de campo, e não apenas contratando medalhões em fim de carreira.

    Bom, se você é contra qualquer nova competição enquanto não arrumarmos nosso calendário, suponho que também deva ser contrário à Liga Sul-Minas-Rio, afinal, nenhum campeonato será extinto para que ela entre no lugar.

    Sou ferrenho defensor do futebol sul-americano e sempre defendo nossa altivez futebolística, mas não consigo ver sentido em dizer que a Libertadores é o mais tradicional campeonato interclubes do mundo. Não consigo pensar em um critério que a coloque à frente da Liga dos Campeões da Europa.

    Enfim, eu também prefiro que seja mantida a Libertadores, que ela passe a ser disputada o ano inteiro e que seja unificada com a Liga dos Campeões da CONCACAF. Mas como não é isso que está em discussão e não posso moldar o mundo às minhas vontades, prefiro essa “ideia estapafúrdia”, ainda inicial e muito embrionária (portanto com muito campo aberto para mudanças de todos os tipos) do que a situação atual.

    Só acho engraçado que a sua resistência me parece ser com a participação de EUA e Canadá na competição. O México (também parte da América do Norte) não parece incomodar. Enfim, goste-se ou não, EUA e Canadá também fazem parte do continente. Mas cada um com a sua opinião 😉

  2. Champions da América >>>>> Libertadores

  3. George Souza disse:

    O dinheiro sempre fala mais alto. Esta competição vai sair do papel em 5 anos. Podem apostar. As cifras são de longe bem maiores que as oferecidas pela CONMEBOL e pela CONCACAF. A saída para não perdermos a tradição da Libertadores, talvez seria a CONMEBOL fazer uma parceria com este empresário e transformar a própria Libertadores neste mega torneio. CONMEBOL e CONCACAF morderiam a mesma fatia de costume em suas competições e este empresário ficaria com a parte dele. Todo mundo sai ganhando: Empresário, Confederações e principalmente os clubes com visibilidade acima da média e uma boa grana jamais vista em competições nas Américas.


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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