Buffon no Boca e um novo tipo de intercâmbio que seria bom para todo mundo

Créditos da imagem: Reprodução / The Sun

Nesta semana surgiu o rumor  de que o Boca Juniors estaria interessado em contar com o lendário goleiro italiano Gianluigi Buffon, da Juventus, após a Copa do Mundo, para o prosseguimento da Copa Libertadores.

Há tempos o arqueiro de 40 anos já tinha dito que se aposentaria ao término desta temporada europeia. Mas, às vezes, abre brechas, como quando retornou para a seleção italiana nos recentes amistosos contra Argentina e Inglaterra, em março, depois de ter se despedido da Azzurra no ano passado.

Se para o Boca é uma oportunidade de contar com um goleiro que ainda é de primeiríssimo nível, que tem muito a oferecer aos companheiros por sua experiência e aura vencedora, que é um ícone do futebol e que certamente fará uma vez mais a marca do clube ser notícia mundial, além de despertar uma atenção especial na Itália, para Buffon é a chance de sair do futebol europeu no auge e continuar a praticar o esporte em altíssimo rendimento, representando um gigante mundial, seguido por milhões de apaixonados que formam uma das torcidas mais fanáticas do planeta, e em busca de títulos prestigiosos e inéditos em sua carreira, como a Libertadores, o Mundial de Clubes e o Campeonato Argentino.

Com a disparidade econômica e de mídia entre os clubes europeus e sul-americanos surgida nas duas últimas décadas, muitas pessoas perdem a noção do que significa para qualquer um ter a oportunidade de jogar em um colosso como o Boca (bem como os demais gigantes sul-americanos). Historicamente, não deve nada para clubes gigantescos como Manchester United ou Juventus. E mesmo financeiramente, embora não possa pagar salários como dos principais clubes europeus, ainda assim pratica valores muito representativos. E ter essa rara vivência de construir uma trajetória no futebol sul-americano sendo um europeu consagrado só tornaria Buffon maior ainda do que já é.

Entendo perfeitamente que um cidadão europeu não queira vir jogar no violento Brasil, tendo que viver com seguranças armados, carros blindados e em cidades que não permitem o desfrute do espaço público e agradáveis caminhadas pelas ruas como na dinâmica urbana europeia. Mas a realidade de Buenos Aires é diferente da nossa e permite uma adaptação muito mais tranquila a alguém do Velho Continente.

Também entendo que um astro veterano da Europa prefira ir ganhar dinheiro fácil e ter a experiência de viver em sociedades fundamentais do mundo de hoje, como Estados Unidos ou China. Mas isso é para quem, na prática, desistiu de objetivos na carreira e está praticamente em uma semi-aposentadoria.

O que não entendo é que seja tão pouco considerada a possibilidade de começar a se preparar para a aposentadoria ao sair do olho do furacão do futebol de hoje -que é a Europa- mas continuar a jogar em alto nível, com muito cobrança, vestindo a mesma camisa de monstros da história do futebol mundial, conhecendo o jogo e a paixão de um dos dois polos que transformaram o futebol no esporte mais popular do mundo, e continuar, dentro do seu estágio de vida, a jogar a vida em cada competição, sendo o centro das atenções. Além, é claro, de continuar ganhando um dinheiro bem considerável.

Intercâmbios são sempre bons para todas as partes e nós também merecemos. Vem aprender que “a Bombonera não treme, pulsa”, Buffon!

4 comentários em: “Buffon no Boca e um novo tipo de intercâmbio que seria bom para todo mundo

  1. Depois de jogar num alto padrão de competitividade, considero normal que o ser humano pense em algo beeem mais leve. Daí o fato de não considerarem um centro de menor nível técnico e tático, porém com padrão de exigência bem maior que China e EUA. Jogando aqui, as cobranças não vão considerar idade e fim de carreira. Vão esperar o mesmo que jogavam na Europa, fora aquele instinto recalcado de alguns comentaristas prontos a dizer “ué, num éra fácil jogá aqui???” e outras insinuações bestas. Na Argentina isso é pior ainda, com mais Galvões, Miltões e Netos que se possa imaginar. Por isso não me surpreende esta situação e não acredito que Buffon vá topar.

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