Menos, Neymar, menos…

Créditos da imagem: Portal Terra

Um dos maiores atrativos dos Jogos Olímpicos é a identificação de ídolos.

Pessoas que se transformam em semideuses do esporte por causa de seus desempenhos, vitórias, recordes, comportamento e sintonia com a torcida. É impossível pensar nos Jogos Rio2016 sem abrir um sorriso ao lembrar de Usain Bolt, Phelps, Simone Biles, Thiago Braz e tantos outros. Ficaram marcados em uma história que já tem Jesse Owens, Nadia Comaneci, Mark Spitz, Carl Lewis e por aí vai. São dezenas de grandes exemplos de sucesso na disputa e simpatia com o público.

Neymar, pelo menos para os brasileiros, tem um lugar grupo de heróis nacionais. É o melhor jogador da atual geração, talvez seu único craque, e comandou o grupo na conquista do inédito ouro olímpico. O choro no final faz parte do momento. Mas os desabafos não foram à altura do desempenho em campo. Pelo que faz em campo, Neymar merece tudo isso. Ele desfruta de uma rara unanimidade na seleção brasileira. Tirando Pelé, Garrincha, Rivellino, Zico, Romário e Ronaldo Fenômeno, cada um em sua época de apogeu, poucos dos grandes craques que já produzimos conseguiram brilhar sozinhos de forma incontestável na seleção brasileira.

Ele já é um dos principais ídolos do milionário Barcelona, receberá certamente o prêmio de melhor do mundo em algum momento à frente e tem um reinado de muitos anos ainda na seleção. Por que então toda essa marra? Futebol no Brasil é assim. Cobra-se muito. Se os resultados não são os esperados, o mundo cai. Mas, por outro lado, nas grandes conquistas, como a medalha de ouro, o mundo se aconchega aos pés dos ídolos.

Jogador de futebol não é piloto de F-1. Estes dirigem para carros que pertencem a empresas, carregam em seus macacões as marcas dos patrocinadores, atuam como contratados em uma competição privada, movimentada por corporações. Ayrton Senna, além do gênio que foi, conseguiu criar uma ligação com a torcida, em um momento de falta de ídolos. Primeiro, venceu. Depois, abrasileirou suas conquistas com a tradicional bandeira após as vitórias.

Jogar na seleção é diferente. O futebol é uma das principais marcas culturais do Brasil. O uniforme verde e amarelo é uma continuação de nossa bandeira. A seleção representa o país. E a torcida se acha, com razão, dona dela. Claro que nada é tão simples e ingênuo na vida. Mas esse é o sentimento de todos que gostam de futebol e torcem pelo Brasil.

Está nas mãos de Neymar dominar essa situação. É o melhor jogador, pode decidir e não tem concorrente. Acho que nem deveria ser capitão, já que não tem este perfil. Mas pode marcar seu nome como um dos maiores jogadores da história do time pentacampeão do mundo e medalha de ouro olímpico.

Não sei como funciona sua assessoria e o apoio dos pais, mas acho que ajudaria muito se alguém de sua confiança lhe dissesse ao pé de ouvido: “Menos, Neymar, menos…”.

12 comentários em: “Menos, Neymar, menos…

  1. Dia desses estava reparando como as ações de Neymar se parecem, por exemplo, com as de Romário, de Ronaldo e de Ronaldinho Gaúcho. Polêmicas, festas em exagero e a incrível capacidade de arranhar a imagem fora das quatro linhas. Estranho como esses eram tratados como os ‘patrões’ e Neymar, o ‘moleque’. Cheguei numa dúvida que gostaria de aproveitar o belo texto e compartilhar com quem quiser: é Neymar que exagera ou é a má fase da Seleção Brasileira que faz a torcida ser menos tolerante com esse tipo de atitude?

    1. Um ponto “a favor” do Romário e do Renato Gaúcho (do Ronaldo não!) é a espontaneidade, não acham? E o carisma. Apesar de todo o sucesso midiático, considero o Neymar tão sem sal… Recentemente ele foi no Programa do Jô e a entrevista foi tão insossa…

    2. Talvez, Romário e os Ronaldos já fossem mais “malandros”, espontâneos. Neymar ainda parece um menino mimado que tenta ser autêntico e até cultivar uma imagem de rebelde, mas que ainda está mais para bebezão do que para “Peixe”, como diz Romário.

    3. Concordo com vocês. Mas acho que Neymar sofre com a crise pela qual passa a Seleção Brasileira, além de não ter, nela, com quem dividir holofotes. Em miúdos, sofre por ser o único para-raio dessa tempestade em que se encontra o Brasil.

    4. Concordo totalmente, Fernando Prado!

      Sobre o Ronaldo, uma coisa que me chamou muito a atenção é como ele mudou: na época pré-lesões, quando era do Barcelona e da Inter, ele parecia um bonequinho sem personalidade que só falava o que os empresários orientavam. Depois da reviravolta na carreira, foi ficando cada vez com mais personalidade, mesmo não sendo dos mais espontâneos…

  2. Acho que é muita pressão! Independentemente do salário, apoio, ou qqer coisa que possa ajudar o sujeito a se “comportar” do jeito esperado, no fim é um ser humano, que , acredito eu, só quer fazer o melhor.

  3. O que Neymar faz fora de campo,não me interessa ,apesar que se fosse próximo a ele , o aconselharia a uma atitude mais discreta. O que acontece,é que a imprensa brasileira o endeusa demais ,e ele se acha melhor do que realmente é. Querer compara lo a Romário Ronaldo ou Ronaldinho ,é rídiculo ,ele tem um longo caminho a percorrer para esta comparação . Nosso futebol anda tão pobre que colocam em seus ombros uma bandeira que não existe mais . Portanto deveremos trata lo como um jogador talentoso , que precisa provar ser difrente com titulos mundiais com a amarelinha .

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