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Paulo Bento e Cruzeiro, um casamento bom para os dois?

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Créditos da imagem: publico.pt

Todos nós sabemos da ligação histórica do Brasil com Portugal e Itália. E essa tríplice relação será, a partir de agora, bem representada no Cruzeiro.

Um dos gigantes do futebol brasileiro, time oriundo da colônia italiana (que se chamava Palestra Itália desde a fundação, em 1921, e assim continuou até 1942) agora tem um técnico português.

Paulo Bento, 46 anos, chega para colocar um tempero lusitano na efervescente Toca da Raposa.

Falando em tempero, será que Paulo Bento sobreviverá à “frigideira” que se tornou o Cruzeiro? Sim, pois o azul celeste das Minas Gerais vem “fritando” os seus comandantes com uma voracidade incrível.

O bicampeão brasileiro Marcelo Oliveira, que encantou o Brasil com o Cruzeiro de 2012/2013, foi demitido após a eliminação da Libertadores 2015 para o River Plate.

Para o seu lugar, a equipe contratou o “cabeça” da triplíce coroa de 2003, o ultrapassado Vanderley Luxemburgo, que, também, não duraria muito tempo.

Mano Menezes então assumiu o comando, e até ia bem, mas sucumbiu aos milhões do futebol chinês e disse adeus.

A aposta então foi no ex-artilheiro Deivid, que foi auxiliar de Luxemburgo e também de Mano Menezes. Sem qualquer experiência como treinador, Deivid começou com resultados positivos, afastando um pouco da desconfiança sobre seu trabalho. Mas a eliminação nas semifinais do Estadual contra o América guilhotinou a cabeça de mais um profissional.

Talvez essa fama que o clube tenha adquirido nesses últimos 2 anos tenha feito com que um fato outrora impensável acontecesse: seguidos treinadores disseram não à Raposa. Jorginho (Vasco), Ricardo Gomes (Botafogo) e, pasmem, Marcelo Oliveira – que menos de 2 anos após sua demissão foi cogitado novamente (quem entende nossos dirigentes?).

Mas, enfim, Paulo Bento aceitou o convite e assinou até dezembro de 2017. E onde estava Paulo Bento? Pois bem, desde a pífia derrota para a Albânia, em setembro de 2014, que causou sua demissão da Seleção Portuguesa, o treinador não comandava nenhuma equipe.

O currículo de Paulo Bento, aliás, é bem curto e sem grandes conquistas. De 2005 até 2009, o treinador comandou o Sporting de Lisboa, tendo conquistado nesse período 2 Taças de Portugal. Em setembro de 2010, assumiu a Seleção e, já na Euro 2012, fez um belo trabalho (chegou até a semifinal, onde cairia para a campeã Espanha).

Mas na Copa de 2014, com uma bela geração e com simplesmente o melhor jogador do mundo na época, Cristiano Ronaldo, se esperava muito de Portugal. Infelizmente, o que se viu foi uma campanha horrorosa. Portugal foi goleada pela Alemanha (4×0) logo na estreia e não conseguiu passar de fase em um grupo que tinha, ainda, EUA e Gana. É bem verdade que CR7 estava sem condições e Paulo Bento, talvez até por isso, sobreviveria até a já citada derrota para a Albânia.

Ok, e agora, vida nova e feliz para Bento e Cruzeiro? Acredito que a tentativa é válida. Um treinador europeu, mas que não terá dificuldades com o idioma. Novos conceitos de jogo, experiência em comandar grandes e famosos atletas. O Cruzeiro, um clube que sempre se notabilizou por ser modelo tem o dever de afastar essa pecha de “fritar” técnicos. O elenco é bom e, desde que tenha tempo para trabalhar, Paulo Bento tem totais condições de levar o time aos resultados almejados.

Mas é sempre bom lembrar que não é só o Cruzeiro que tem sido impaciente com seus técnicos. O futebol brasileiro em geral vem se mostrando avesso aos profissionais estrangeiros. Grande parte da imprensa, torcida e, o que é mais patético, grande parte dos profissionais do futebol brasileiro (técnicos), parecem ter implicância com “gringos” na prancheta dos nossos grande clubes. Seria puro preconceito, desconhecimento, falta de informação ou, o que é ainda pior de se pensar, reserva de mercado?

Que o Cruzeiro seja bom para Bento e que Bento seja muito bom para o Cruzeiro. E principalmente, que a arcaica e “viciada” estrutura do futebol brasileiro mude e que possamos entender que o importante é a qualidade do profissional, seja ele de que lugar do mundo for.

Curiosidade: Paulo Bento será apenas o terceiro treinador estrangeiro da história do Cruzeiro. O lendário argentino Filpo Nuñez teve 2 passagens pela Raposa (1955 e 1970), totalizando 30 jogos sob o comando da equipe e o uruguaio Ricardo Diéz dirigiu o clube por 12 jogos em 1953.

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Escrito por:

- possui 14 artigos no No Ângulo.

Juliano Ravanelli, 33 anos, escriturário, morador de Rafard/SP, maluco por futebol, seja jogado no Camp Nou ou na terra batida da várzea.

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14 respostas para “Paulo Bento e Cruzeiro, um casamento bom para os dois?”

  1. Ricardo Neves disse:

    Nem ferrando kkk. Bento é um treinador . Linha dura, correto , disciplinador , nas claras trabalhar no Brasil , não é Para ele

  2. Acho que Robinho ex Palmeiras não curtiu isso kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Deveria volta só contra o são Paulo rsssss

  4. Top de linha meu brother Juliano Ravanelli.

  5. Excelente apresentação, Juliano Ravanelli! Eu adorei a contratação, acho que é boa para todo o futebol brasileiro! Porque além de ser bom o intercâmbio com “estrangeiros”, é melhor ainda o com “europeus”, visto que quase não temos treinadores de lá por aqui (da América do Sul é muito mais comum). E melhor ainda que seja um profissional de alto nível, de Seleção Portuguesa e tudo mais!

    Vou torcer para a ousadia do Cruzeiro dar certo 😉

  6. Perguntinha capciosa: será que chega até o fim do Brasileirão? 😀


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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