Que venha a Libertadores em final única e em campo neutro. O que é bom se copia

Créditos da imagem: Portal Terra

Em 1968, ganhei o Prêmio Pena de Ouro, da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, com uma reportagem, publicada na Edição de Esportes do Estadão, sob o título: “Um bandeirinha, ninguém”. Contava as amarguras de Germinal Alba, auxiliar do árbitro Armando Marques. Mostrava que o uniforme preto do pequenino Germinal – cerca de 1,60m – pesava um quilo a mais ao final das partidas – graças às cusparadas e catarradas que recebia dos torcedores junto ao alambrado.

Naquela época, os bandeirinhas ficavam ao alcance dos torcedores que não raro também seguravam a bola quando o adversário ia cobrar o lateral. A pressão da torcida nos pequenos estádios, como do Botafogo, Comercial, XV de Piracicaba e até o Guarani, antes de erguer aquelas enormes arquibancadas, era real e temida. Acabou quando os times ergueram belos estádios, onde os grandes da capital se sentiam em casa. Veja o que aconteceu com eles…

Esse tipo de pressão ainda existe em jogos pela Libertadores, embora narradas de forma exagerada pelos times brasileiros, especialmente. Os estádios nos outros países não são tão amplos e neutros como os daqui, mas a presença da televisão e mesmo dos nossos dirigentes junto à Conmebol, fazem com que os jogos corram praticamente normais. Deve-se temer mais as arbitragens caseiras – para não dizer safadas – do que a presença da galera.

Desde sempre, acho que nos jogos mata-mata, o melhor é o time jogar a primeira em casa, fazer o resultado, e deixar a pressão para o adversário. Isso, nem seria preciso dizer, se o time for de bom nível. Caso contrário, de nada adianta jogar a primeira aqui ou lá. Tá rolando no face, mais uma vez, imagens de uma vitória fantástica do Santos de Pelé e cia, em cima do Boca Juniors, na Bambonera estufada e a violência campeando. O time de branco não fugiu do pau e meteu 2 a 0. Procure ver.

Nesse momento, os cartolas da Conmebol estão propondo aumentar o número de times participantes da Libertadores e jogar a final em uma única partida, campo neutro. E, como sempre, logo veio uma enxurrada de críticas. Contra o aumento de participantes, contra o jogo único etc.

Nada de novo. Um dos argumentos, é de que a Conmebol quer copiar o esquema da Copa dos Campeões, na Europa, esquecida de que os times daqui são ruins demais. E são mesmo. Aliás, diga-se, como são ruins muitos dos que entram nas duas Copas promovidas pela UEFA. Os que disputam a Libertadores são ruins, porque os melhores jogadores que pintam a cada ano, são enviados para fora logo que o pintinho quebra a casca do ovo e dá o primeiro pio.

Há quantos anos um time brasileiro não ganha a Libertadores? Reclamar, então, do quê? De nada, e deixar a bola rolar, para ver se fatura alguma coisa. Não é isso que todos miram?  E disputar a final sim, em campo neutro, evitando o que ainda resta de pressão exagerada da torcida e da cartolagem. Com chance dos árbitros não se borrarem de medo, usando este detalhe para embolsar algum. Escolha um país em condições, um bom estádio, torcedores com grana e vendam bem para a televisão.

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32 comentários em: “Que venha a Libertadores em final única e em campo neutro. O que é bom se copia

    1. Nào acredito que exista problema. A Conmebol escolhe um país, um estádio com antecedencia, como é feito na Europa e pronto. Tudo com antecedencia.

  1. Com essa arbitragem sulamericana que nos últimos anos tem detonado os clubes brasileiros
    vide o que aconteceu na arbitragem do Amarilla no jogo entre Corinthians x Boca em 2013
    Aquilo ele fez dentro de um Pacaembu lotado
    Agora imagina num campo “neutro”

    1. O campo neutro acabaria, pelo menos em grande parte, com essa tendencia do árbitro, citada por você. Se for por pressão de torcida, acaba. Se o árbitro for safado, aí é outra questão

  2. Isso, deixem a libertadores e o futebol para os torcedores com grana e afastem a beleza de algo que transcende o jogo… não sou contra aumentar times, aumentar a duração da competição, mas é um absurdo na america do Sul, com todos seus problemas de logística e economia sequer considerar a final em estadio neutro… na Europa é fácil pegar um trem e logo chegar a outro país, aqui se necessita de aviões e muito tempo… final em jogo único é algo q irá acabar com a paixão que envolve a libertadores e o futebol…

    1. É verdade que na Europa os torcedores chagam mais fácil aos estádios escolhidos – neutros. Não devemos, porém, substimar a capacidade financeira dos torcedores sul-americanos. Além do mais, o público local, do páis e cidade escolhidas, estariam presentes…

  3. O texto criticou as críticas mas não apresentou NENHUMA resposta aos problemas com a logística. Me desculpe, mas esse texto dá pra ser levado a sério.

    1. Levar ou não a série é uma escolha, Fábio. Você fez a sua. Ótimo. A logistica é simples. Escolhe-se antecipadamente um ou mais estádios para a final, acerta-se com as emissoras que transmitiráo…E vende-se os ingressos para os torcedores dos times que disputarão o jogo e para os locais. Sério mesmo é achar que nào existem pessoas competentes para cuidar da logística, e ficar naquela de jogar no campo do time pensando em fazer pressão…

  4. Vou me ater a lembrança que o José Aquino fez do bandeirinha Germinal Alba. Lembro-me dele. Vai buscar, rssss Vou postar foto dele no Face.

    1. Melhor não. E entendo a proposta. Mas, olha, política à parte, tipo – que não gosto – de governo à parte, os times de lá continuam disputando a Libertadores, sem acontecimentos graves, assim como a seleção nas eliminatórias…Um dia, por que não?, mudando a forma de governo, recuperando a condição de vida da população, bem que poderá ser o país sede da final. Aqui, há uns anos, fizeram um jogo contra Portugal – mero amistoso – e tiraram 6 milhões de dólares dos cobres nossos. Lembra-se? Roubalheira é tão ruim quanto…

    1. Seus cús seus modinhas, a libertadores é maravilhosa do jeito que é, eu preferiria ter o brasileirão em mata-mata, quanto mais… A champions é o campeonato dos europeus, eles gostam de jogar daquele jeito, ter essência é manter nossas tradições, que no Brasil é algo que não se conserva, seus paga pau de gringo do caralho !

  5. A situação econômica da América Latina é igualzinha a da Europa. A final de 2016, por exemplo, se fosse, no Maracanã, quantos colombianos e equatorianos teriam condições de chegar até o Rio de Janeiro para assistir in loco a partida? E outra: na Europa se atravessa 3, 4 países de trem… e aqui? O que é bom se copia desde que haja condição para tal.

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