Os três anos da última grande conquista mundial do futebol brasileiro e a nossa autoestima

Créditos da imagem: Trivela

Há três anos o Corinthians de Tite conquistava o Mundial de Clubes no Japão e tornava o Brasil o país com mais títulos mundiais também em nível de clubes (sim, somos líderes não só entre seleções, mas também entre clubes, com 10 troféus, contra 9 dos italianos), condição que se mantém até hoje.

Muita gente gosta de diminuir a importância do Mundial de Clubes dizendo que os europeus não ligam para ele. Eu acho no mínimo estranho que “não liguem” e, mesmo assim, tenham vencido sete das últimas oito edições do torneio.

O que é claro é que eles valorizam muito mais a Champions League. E com o abismo técnico criado entre algumas pouquíssimas equipes da Europa (e entre elas praticamente sempre está a campeã da Champions, representante do continente no Mundial) e todas as demais do mundo – inclusas aí as demais europeias, muitas das quais gigantes – o maior desafio é vencer o interclubes europeu (que sempre costuma ter umas três equipes “top mundial”, enquanto na competição da FIFA costuma ser só o representante do Velho Continente).

É verdade que o Corinthians deu a sorte de pegar o mais fraco campeão europeu em muito tempo. Após o título da Champions, o elenco do Chelsea passou por uma reformulação e tinha claros problemas de ambiente. Mas, ainda mal das pernas, era um gigante europeu recheado desses “jogadores de vídeo-game”.

A conquista corintiana foi épica. A começar pela real Invasão Corintiana ao Japão. Quem teve a oportunidade de estar lá, sabe como foi. Eram certamente 30 mil corintianos na final, sem margem para discussões. Dentro do campo, ficam para a posteridade as atuações de Cássio e Guerrero. E se é verdade que o Chelsea criou muitas oportunidades de gol, também me parece claro que o alvinegro entrou receoso em campo, diante de sua má atuação na semifinal, ao passo que o Chelsea passeou contra o Monterrey na mesma fase. O pessimismo e medo de que poderia ser mais um “passeio europeu” existia. No que os jogadores foram vendo que o “o bicho não era tão feio”, o conjunto paulista foi se impondo e conseguiu o gol com naturalidade.

Aquela equipe ajudou a mostrar aos brasileiros como um bom conjunto e futebol coletivo são muito mais fundamentais para uma equipe do que a qualidade individual. Como era um time sem craques (mais do que isso, até, pois contava com vários jogadores absolutamente sem prestígio), acabou servindo como contraponto ao Santos de Neymar e Ganso, que um ano antes havia dado um vexame histórico contra o Barcelona (o que, há de se destacar, foi até “normal” enfrentando aquele que foi um dos, senão o melhor time da história do futebol, trauma pelo qual equipes como Arsenal e Real Madrid também passaram).

Passados três anos, vejo como legado positivo a maior consciência sobre o jogo que temos hoje. Sabemos que todos precisam marcar, que o jogo deve ser intenso, que é necessária a participação de todos no desenvolvimento da posse de bola, etc. E isso é visível quando se assiste uma partida atual entre boas equipes do país.

Mas fico impressionado que mesmo esse título e a posterior conquista da Copa das Confederações (apoiada em jogadores que à época atuavam no Brasil) não conseguiram ajudar em nada a nossa autoestima futebolística. E com o 7 x 1 que veio depois, então, vai ser difícil vencer o corrente complexo de vira-latas.

Enfim, loucuras típicas dos maiores campeões mundiais do futebol, seja de clubes ou de seleções…

3 comentários em: “Os três anos da última grande conquista mundial do futebol brasileiro e a nossa autoestima

  1. Mermão, vocês só falam do Corinthians aqui? Em pouco tempo vi uns 10 conteúdos sobre o Corinthians, também vi um falando de “O melhor campeão”, e outro falando que é o maior do Brasil! Deixem de falar merda! Claro que foi um grande ano para o Corinthians, vem vivendo grandes momentos, respeito muito! Mas isso é chato, isso de “Maior do Brasil” é algo subjetivo, cada um acha seu time o melhor do Brasil! Quais critérios foram usados para falar que o Corinthians é o maior do Brasil? Não é o maior Campeão Brasileiro (Palmeiras e Santos), nem da Libertadores (São Paulo e Santos), e já foi rebaixado.. Sinceramente, não entendo! Mas claro que é um dos grandes do Brasil!

  2. O problema é que pega bem falar mal do futebol brasileiro. Quem não o faz, é acusado de Pacheco etc e tal. Papo chato. É óbvio que as mazelas são muitas. Basta ver o comando da CBF. É a corja da corja. Só que (sempre) tem coisa boa acontecendo por aqui sim. E o Corinthians de Tite é uma delas.

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