Mais uma vez o amadorismo: os cartolas do Flu são mais do mesmo no futebol brasileiro

Créditos da imagem: Nelson Perez/Fluminense FC

O Fluminense deu mais um passo rumo ao amadorismo nessa quinta-feira. O clube anunciou uma barca de jogadores que, dentre outros, incluía ninguém menos que o consagrado e ídolo do clube, o goleiro Diego Cavalieri, e o capitão e titular absoluto, o zagueiro Henrique.

Com contratos até o fim de 2019 e de 2018, respectivamente, o Flu abriu mão de dois de seus principais líderes, com a justificativa de que não teria condições de arcar com seus altos salários, dois dos maiores existentes na folha de pagamento do clube.

Visto num primeiro momento, parece um passo certeiro e fundamental para um processo de austeridade financeira, parecido com o pelo qual passou o rival Flamengo de 2013 até 2015, mas que demonstra, na realidade crua, como os cartolas agem sem planejamento e sem perspectivas para o futuro da equipe.

Há dois fatos que ilustram perfeitamente essa situação. A começar pela inevitável quantia que deverá ser paga aos jogadores pela quebra unilateral do contrato. Em vários casos, inclusive, o valor da quebra contratual é idêntico à soma dos salários restantes até a data de vencimento do contrato, o que, trocando em miúdos, significa a mesma quantia que o clube gastaria caso mantivesse o jogador em sua folha, mas com o ônus de não poder contar com seus serviços por toda a temporada, além de provavelmente vê-lo jogar num rival nacional. Isso sem contar possíveis indenizações e outras cláusulas trabalhistas e financeiras que devem terminar com ganho por parte dos jogadores.

Além disso, o Flu, por Henrique, pagou ao Napoli a bagatela de R$ 8,5 milhões de reais. Com clubes interessados pelo zagueiro –principalmente o Corinthians– o tricolor carioca perdeu uma grande oportunidade de rever parte do valor investido ou, numa outra opção, fazê-lo de moeda de troca para obter jogadores, mesmo que por empréstimo, já que a situação financeira do clube não deve permitir grandes reposições para este ano.

De Cavalieri, além do grande goleiro que é, perdem-se a segurança e a liderança num momento em que o time precisará de força dentro de campo para combater a crise financeira que alastra o clube. Sem condições de pagar seu salário, o goleiro ao menos também poderia ser usado como moeda de troca, uma oportunidade de ouro, visto que alguns clubes se desesperam atualmente com suas fracas opções de gol.

Tudo isso sem falar em outros jogadores, certamente com espaço em alguns times do Brasil, como Marquinho, o lateral Wellington Silva e o atacante Maranhão, nomes prováveis para trocas ou empréstimos, o que livraria o clube do pagamento de salários, sem obrigação de indenização por quebra de contrato.

Abel reprovou a atitude, com razão. Deverá passar mais um ano segurando rojão no clube. Até quando aguentará?

Depois de brigar pelo rebaixamento até a penúltima rodada de 2017, a torcida do Flu já começa a se preparar para o pior em 18. Mais um desserviço da cartolagem ao tricolor, único carioca campeão brasileiro nesta década e em trágica crise financeira.

10 comentários em: “Mais uma vez o amadorismo: os cartolas do Flu são mais do mesmo no futebol brasileiro

  1. Estão tratando o Flu como time pequeno como eu nunca vi!!!! Parece que não pode ter UM jogador maia tarimbado ou com mais moral!!!!! Querem 11 anônimos em campo con a camisa do clube!!!!!!! E isso pra não falar da falta de identificação e referências!!!!! Desse jeito cai facinho!!!!!!!

  2. O Fluminense fez o certo da forma errada. Poderia ter organizado esta mudança, utilizando atletas em trocas, fazendo venda de direitos, combinando com os atletas. Apesar de ter uma visão reformista e austera, pois pegou o clube numa situação difícil, poderia ter executado este ajuste de maneira mais eficiente.

    1. Realmente Cesar Grafieti. O problema não foi a dispensa, mas a forma com que ela foi feita.
      Vi uma notícia hoje dizendo que o Henrique está negociando os termos para fim do contrato e que o Flu, embora menos, seguirá pagando um valor mensal pelo jogador. E tudo isso sendo que o Corinthians já queria o jogador antes, ou seja, podia ter vendido, nem que fosse pro uma pechincha, para se livrar de encargos.

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