Procura-se um dublê duro na queda

Créditos da imagem: torcedores.com

Nestes últimos dias, discordei respeitosamente do colega Jorge, quanto à sugestão de Vinícius Jr na seleção brasileira. Porém, há que se reconhecer que a posição do futuro merengue é uma das lacunas mais preocupantes para a Copa do Mundo. O atacante de lado difere do meia-atacante de lado. Basicamente, o meia dribla após o bote, enquanto o atacante investe até contra o defensor postado. Diferença sutil, mas que pode comprometer as chances de uma conquista. O que sobra numa falta na outra. O futebol brasileiro só tem um atacante de lado completo e pronto: Neymar. Um jogador que, pelo histórico, pode ser suspenso com dois cartões ou até expulso. O que fazer se isto acontecer? Substituição simples ou improvisar?

Temos um número razoável de bons meias-atacantes abertos, como Coutinho e Willian. Começaram as carreiras centralizados, pegando a bola na intermediária central e avançando verticalmente. No futebol europeu cada vez mais compacto, foram deslocados para não serem encaixotados. Não vimos a mesma facilidade de transição com nossos atacantes abertos. Formados como segundos atacantes, mais próximos ao centroavante, custam a se adaptar ao posicionamento mais preso que o praticado na base. Erram a hora de fechar ou entrar na área, assim como formam mal a linha de marcação. Dá para enumerar apenas dois casos de sucesso em grandes clubes europeus, sendo um claríssimo – Neymar, já citado – e outro ainda instável. Este último é Douglas Costa, que chegou a encantar no Bayern e hoje disputa posição na Juventus. É, em princípio, o dublê do craque do PSG. Só que para metade das cenas.

Douglas chegou desacreditado ao futebol alemão, mas teve uma grande primeira temporada. Ainda assim, marcou poucos gols. Tem o drible agressivo e um chute forte. O que não possui é desenvoltura na área. Na seleção isso faria grande falta, porque o suporte ofensivo também está na capacidade de Neymar completar jogadas próximo ao gol. Algo com que os candidatos a centroavante também estão acostumados. Gabriel Jesus tem Sterling e Sané pelas pontas. Firmino tem Mané e a sensação Salah. Jogar ao lado de Coutinho e Willian abertos, apesar das qualidades técnicas de ambos, seria um baque na artilharia. Prejudicaria também as chegadas de Paulinho, que passaria a ter mais atenção dos marcadores (como já vem sofrendo no Barcelona). Com um deles e Douglas Costa, haveria a agressividade, porém sem a definição do protagonista.

Comenta-se que Tite tem como outra opção usar Jesus e Firmino juntos, com o primeiro abrindo para a esquerda, como no início da carreira. Tem tudo para ser mais uma daquelas teorias que se desmancham em campo. Em primeiro lugar, Jesus deu o salto de qualidade justamente quando saiu da ponta para o centro do ataque. Em segundo, Guardiola já fez esta experiência no City, tentando encaixar o brasileiro e Aguero na mesma formação. Não funcionou. Jesus faz muitas escolhas erradas nesta função. Torna-se um jogador comum, até medíocre. Firmino tampouco consegue manter a qualidade vindo pelo lado. Mas o realmente estranho deste plano é confirmar que até Tite questiona um dos convocados mais discutidos: Taison. Fosse ele confiável pelo treinador, seria ao menos a segunda opção, depois de Douglas. Se não é, o que está fazendo na lista?

Se a resposta for fazer figuração nos treinos, realmente não faz diferença convocar ele ou Vinícius Jr. Não vai jogar, mesmo. Porém, como destaco, estamos falando de uma posição em que precisamos de um cara que jogue. Definir esta vaga como a do turista útil mostra que Tite, a despeito de saber do que precisa, dá como quase certo que irá sem esse item na mala. Ou torce para Neymar atuar as teóricas sete partidas, ou para Douglas Costa dar conta, ou para que as improvisações vinguem. Com Douglas, alguns ajustes teriam que ser feitos. Menos participativo no ataque para justificar privilégios, ele teria que marcar o lateral. Em compensação, liberado desta função extraordinária, Renato Augusto poderia criar ou ser substituído por Coutinho, com Willian pela direita. Algo que, com o camisa 10, é impensável – sob pena de criar outra “autobahn” por nosso setor esquerdo.

Espera-se que Tite aproveite estes dois amistosos para testar tudo isso. Eu começaria com o último parágrafo. Douglas pela esquerda e Coutinho vindo de trás, com Renato Augusto no banco. Depois, a formação com Coutinho no lugar de Neymar, voltando Renato. Por fim, Taison – para saber se, ao menos, serviria no treino da defesa. Ainda assim, ressalto que o cenário destes jogos não será similar aos da Copa. Os atletas, temendo lesões, atuarão com freio de mão puxado. Impossível chegar com um trabalho inferior a dois anos sem incertezas. Não que isso seja um impeditivo – ou o Brasil não teria estrela alguma no escudo. Mas, com cada vez menos treinos, a margem para imprevistos e tentativas frustradas se reduz. A sorte terá que atender a convocação.

5 comentários em: “Procura-se um dublê duro na queda

  1. PENA QUE ELE SÓ PINTOU EM 2018, PQ O RODRYGO TÁ COM JEITO DE QUE PODE SER ESSE CARA…

    EM 2022 ELE ESTARÁ, AGUARDEM…

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