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Entressafra, geração perdida e perda de qualidade: a queda da Seleção Brasileira em dez anos

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Créditos da imagem: fifa.com

– Junho de 2005:

Dida (Milan), Cicinho (São Paulo/Real Madrid), Lúcio (Bayern), Roque Júnior (Leverkusen) e Gilberto (Hertha), Emerson (Juventus), Zé Roberto (Bayern), Kaká (Milan) e Ronaldinho Gaúcho (Barcelona), Robinho (Santos/Real Madrid) e Adriano (Internazionale).

Esse foi o time que goleou a Argentina na final da Copa das Confederações de 2005: 4 a 1, fora o baile, em uma seleção que não era nenhuma máquina, mas tinha Zanetti, Cambiasso, Riquelme, Sorín, Aimar e Tevez. Aliás, eu quero falar sobre a Argentina também. Oportunamente o farei. Mas voltemos.

Esse pode ter sido também o último suspiro da Seleção Brasileira em uma análise de qualidade técnica  individual.  Verdade que só engrenou na semifinal ao ganhar da Alemanha (sim, ganhamos, naquela época não tinha 7 a 1). O Brasil fazia uma campanha fraca até ali, tendo inclusive perdido para o México e empatado com o Japão. Coletivamente, o futebol apresentado já não era lá essas coisas. Porém, com foras-de-série. Com nomes que invariavelmente ganhavam jogos sozinhos. Com craques.

E aquele time estava somente sendo preparado para o hexa em 2006. Não era o titular, mas apenas um aperitivo que ainda contaria com os reforços de “pesos pesados” como Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, além de  Júlio César, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano, Fred e Juan, todos em fase de consolidação na Europa. O Brasil tinha uma base do time pentacampeão em 2002, ainda que já sem Rivaldo, e que tinha como opções os campeões da Copa América de 2004: Alex e Diego, Maicon, Luis Fabiano e Ricardo Oliveira, que sequer foram a Copa do Mundo de 2006.

Uma equipe que pôde contar com três jogadores que ganharam ou ganhariam o prêmio de melhor do mundo e se dar ao luxo de escantear os àquela altura já veteranos Rivaldo e Romário.

Mas aí veio a Copa de 2006, aquela bagunça na Suíça que todos conhecemos, a arrogância e incompetência de Parreira, a falta de comprometimento de alguns talentos do time e o show de Zidane. Simbolicamente, foi no gol de Henry, no episódio do meião do Roberto Carlos, que aconteceria o primeiro gol da Alemanha, que completaria os 7 em 2014. Foi dali pra baixo. Ladeira abaixo.

Individualmente, era uma seleção estelar. Histórica até. Mesmo sem ganhar a Copa – por várias e justas razões -, aquela geração tinha nomes de peso. Os já consagrados deveriam fazer a passagem para uma nova leva que poderia ser uma das melhores e, claro, trazer o hexa. Havia, então, esperança de recuperação.

O fracasso de 2006, entretanto, fez mudar o pensamento da opinião pública, que pregava: “Não falta talento. Mas falta comprometimento e profissionalismo”. E faltava mesmo. Então, era esperar a troca da geração campeã de 2002 e que falhou em 2006, que tinha Ronaldo e Rivaldo como últimos bastiões, para a geração de Ronaldinho, Kaká e Adriano. Mas algo aconteceu.

Em 2006, um buraco negro se abriu e a camisa amarela entrou ali para nunca mais sair. Ao fim da Copa na Alemanha – de novo ela -, a sensação era de que precisávamos renovar. E que a renovação, natural, aconteceria de maneira tranquila. Em 2010, a maioria achava, a safra estaria tinindo. Como duvidar de um time que fatalmente teria Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano? Seriam as molas que proporcionariam, então em 2010, a conquista do hexa, juntamente com novos nomes que surgiram naquele ciclo. Como Pato, Neymar e Ganso.

Mas em 2010, o buraco negro já estava escancarado. E daquele quarteto mágico, somente dois foram a Copa. E mesmo assim, chegaram com status diminuídos em relação a quatro anos antes: Kaká tinha sido o melhor do mundo, mas já não era sombra do que havia sido. Robinho já nem tinha mais essa pretensão. Para muitos, era até uma decepção. E Ronaldinho Gaúcho e Adriano afundaram na má gestão de suas vidas e carreiras e viram pela televisão o Brasil, mais uma vez, cair nas quartas. Na África, sobrou comprometimento. Mas faltava talento.

Esse vácuo apressou a ascensão da turma de Neymar, e principalmente, da própria estrela da companhia. A Copa de 2014 foi posta no ombro do jovem jogador, que não contava com absolutamente nenhum dos nomes de peso daquela geração anterior. Fred até tentou auxiliar, mas também chegou com menos status do que se imaginava. E os craques Kaká, Adriano, Robinho e Ronaldinho? Assistiram todos pela televisão.

Até os nomes que surgiram com Neymar já não estavam mais em discussão. Pato e Ganso, por exemplo, ninguém sentiu falta. Restaram aqueles nomes que sabemos quais são. Vieram à Copa e alguns estão aí até hoje. Jogadores bons, mas que não possuem o gabarito daqueles de outrora. Alguns até acima da média em seus clubes, mas que definitivamente não representam o peso da camisa pentacampeã. E os da defesa, aqueles que carregavam os melhores status, afundaram no massacre do Mineirão.

Então, meus caros, é o que temos. E o que temos é ruim. Algo aconteceu com nossos talentos, que foram desperdiçados e agora, ainda por cima, são escassos. E enquanto quem comanda o futebol não faz nada para detectar e resolver o problema, a paixão nacional leva um 7 a 1 por dia.

– Junho de 2015:

Jefferson (Botafogo); Daniel Alves (Barcelona), Thiago Silva (PSG), Miranda (Atlético de Madri), Filipe Luis (Chelsea); Fernandinho (Manchester City), Elias (Corinthians), Fred (Shakhtar) e Willian (Chelsea); Neymar (Barcelona) e Roberto Firmino (Hoffenheim)

PS: Essa é uma análise sobre a geração e apenas isso. Não justifica plenamente as derrotas e péssimas atuações da Seleção Brasileira. O mau momento passa muito – e principalmente – por outros fatores como a desorganização interna do nosso futebol, a falta de transparência na gestão da CBF e a incapacidade da maioria dos nossos comandantes.

Sem Neymar, mas com Robinho
O Brasil precisa de um maestro, um organizador de jogo dentro de campo

Escrito por:

- possui 70 artigos no No Ângulo.

Carioca, graduado em Direito e universitário de Jornalismo. Mas antes de tudo, um opinólogo profissional, cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia e palpiteiro da rotina.

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9 respostas para “Entressafra, geração perdida e perda de qualidade: a queda da Seleção Brasileira em dez anos”

  1. Bruno Silva disse:

    Como vou dormir com essa foto do Bernard na minha timeline?

  2. Eduardo Bispo disse:

    Pra mim não tem “entressafra”. Os nomes são bons. Temos sim bons jogadores. O que não tem é comprometimento de outrora. Nem vou falar de organização, padrão tático e tudo mais porque o Dunga não é treinador.

  3. Quem já viu Ronaldo, Ronaldinho, Adriano fica triste cm essa imagem

  4. Rayuri Silva disse:

    pessoal o futebol esta muito diferente

  5. Rayuri Silva disse:

    mas vamos melhorar

  6. Rayuri Silva disse:

    queria que a seleçao jogasse que nem jogou ah copa amireca

  7. Rayuri Silva disse:

    capa das confederações 2013]

  8. Danilo Vieira disse:

    Muito bom o trecho que fala que o primeiro gol dos sete começou em 2006, nunca vi ninguém comentar isso mas é a pura verdade. O Brasil produz no mínimo 2 gênios por década, que se revezam na responsabilidade de conduzir a seleção + bons jogadores. Hoje temos um craque, e o resto não passa de bons jogadores

  9. Nos anos 90 e início dos anos 2000 tínhamos craques e grandes jogadores que sequer eram titulares da seleção. Edmundo, Edílson, Alex, Marcelinho, Djalminha, Denílson, entre outros, figuravam como eternos reservas, ou nem isso, na seleção. Ou seja, podíamos nos dar ao luxo de ter grandes craques fora do time porque além desses nós tínhamos Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Robinho, Adriano, que eram protagonistas do futebol mundial. Hoje o “bom” já serve pra ser titular da seleção.


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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