Por que ter medo de decidir no Maracanã?

Créditos da imagem: goal.com

Sábado, 20 de agosto, 17h30, é dia de enfrentar fantasmas. Um passeio pelas mídias sociais dá o termômetro da apreensão de boa parte dos torcedores brasileiros. Alemanha de novo??!! No Maracanã??!! Será??!!

Pois é. O destino nos reservou esse desafio. Será um dia para encarar nossos traumas de frente. A sempre competente e disciplinada Alemanha. No Maracanã do Maracanazo. Os 7 x 1 foram no Mineirão, mas aquele jogo da capital mineira adiou o enfrentamento ao fantasma de 1950. E era a… Alemanha!

Certo, são desafios importantes para os brasileiros. Mesmo tendo vencido por 6 x 0 a semifinal no estádio que está na seleta lista de templos do futebol mundial, o adversário foi Honduras. Time que só se deu bem com “Felipão 7×1”. Ops, para que lembrar dele nesses dias?

Claro que também ficarei com um friozinho na barriga. Temo que um tropeço possa reforçar uma superstição meio sem lógica. Mas a vida é assim. Evita-se cruzar com gato preto e passar embaixo de escada, mesmo que digamos que achamos isso uma besteira. E decidir no Maracanã está incluído nas besteiras em que acreditamos.

Mas o meu maior medo está em outro aspecto. Se perder para a mecânica Alemanha, podemos abandonar mais uma vez a chance de reencontrar nossas origens.

Claro que o time de Rogério Micale ainda não se tornou memorável. Os dois primeiros jogos, com frustrantes e preocupantes 0 x 0, desanimaram a torcida. Mas os 12 gols em três partidas, contra Dinamarca, Colômbia e Honduras, abriram o sorriso do torcedor.

O que mais me cativa no time é sua proposta de jogo. Escalar Gabigol, Neymar, Gabriel Jesus e Luan é ser ofensivo. Ainda mais com Renato Augusto de segundo volante. Ter dois zagueiros, Marquinhos e Rodrigo Caio, que sabem tratar a bola com carinho, é pensar para frente desde lá atrás. Ainda não sei se Micale é bom mesmo. Mas já vi que sua proposta é. Quer o Brasil jogando próximo, trocando bola e com penetrações bem armadas do quarteto de ataque. Parece um técnico ousado e ofensivo. Espero até que ele influencie um pouco o competente mas cuidadoso Tite.

Meu medo é que um eventual mau resultado signifique a morte precoce desta proposta. Quem viveu o Maracanazo de 50, teme o Maracanã. Quem viveu o Mineirão de 2014, teme a Alemanha. Quem viveu o Sarriá de 1982, teme o retrocesso

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