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Quando o futebol perdeu a graça?

A fan of Brazil reacts during the semi-final football match between Brazil and Germany at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on July 8, 2014.  AFP PHOTO / PATRIK STOLLARZ

Créditos da imagem: Patrik Stollarz/AFP

Em algum momento as coisas mudaram. Assistindo os jogos da recém encerrada Copa América, comecei a perceber que o futebol e seus rituais mudaram, pelo menos no meu imaginário. Há algo de fake e ansioso nos atuais jogadores e em seus ritos. Parece que, aos poucos, o jogo e a graça de um passe de Falcão, o “Rei de Roma”, ou gritos como “Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso rei”, foram abolidos por novos rituais e comportamentos erráticos, dentro e fora de campo.

Ouso fazer elucubrações sobre a estética do futebol atual, dominado por tatuagens e Ferraris entre seus principais protagonistas, estes que repetem um ritual sinistro: o esforço familiar até ser descoberto, seguido do atual modelo dos clubes em fabricar talentos cada vez mais jovens, seguido de contratos milionários (de preferência com um clube europeu), a consagração, os carrões, as festas e o inevitável declínio.

São generalidades, eu sei, mas não vou falar nas exceções. Penso no jogo e na beleza de um Batistuta, guerreiro argentino com a gola da camiseta levantada na nuca e do quanto havia de empenho e talento e, principalmente, comprometimento. Nos últimos anos, os calções ficaram mais compridos, ao contrário dos cabelos hirsutos e das sobrancelhas depiladas à la Cristiano Ronaldo.

Mas há um clichê desesperançoso – ao menos para mim – no atual modelo estético/financeiro do futebol. Onde e quando perdemos a graça? Quem são estes jogadores desconhecidos da Seleção Brasileira, sem carisma ou amor incondicional ao seu talento? Todos tão iguais, com fantasias de enriquecimento e vaidade tatuadas pelo corpo. Serão os novos tempos de cada um por si?

Ainda vislumbro a garra em algumas seleções latinas, herdeiras do nosso futebol valente e indomável. Mas repito, como e onde perdemos a graça do futebol que encantou o mundo?

Talvez a culpa não seja do Dunga ou de outros treinadores tão ineficientes quanto ele. Penso que nosso futebol é a cara da CBF e de seus dirigentes: mesquinho, fraco e sem brilho. Um arremedo do que já foi grande.

Se tem um setor que precisa ser renovado, refrigerado e esfoliado é o do futebol. Saudade do Batistuta tão belo e cheio de si e de um futebol guerreiro que deixamos pelo caminho em troca de Ferraris e pedaladas no Imposto de Renda.

Mas como falar em renovação com a CBF de Marco Polo Del Nero, Gilmar Rinaldi e Dunga? A Confederação Brasileira de Futebol sempre foi cartorial. Como explicar que apenas três pessoas  (quatro agora, com a prisão do capo na Suíça) tenham sangrado a entidade, sob o beneplácito de mídia, sequiosa e subserviente aos cartolas e jovens craques milionários e tenham mandado e desmandado na CBF nas últimas cinco décadas? Sem falar que o capo supremo João Havelange deixou o cargo para o genro, numa acomodação de interesses vergonhosa.

O que se viu até o estouro do escândalo semanas atrás foi um festival de arrogância e coronelismo da CBF e compadres da FIFA com velhos dirigentes imitando os boleiros e distribuindo fanfarrices e fotos de um exibicionismo atroz, como se isso fosse um padrão inquestionável. O abalo ainda continua ou como explicar a ausência do Del Nero na Copa América, aqui ao lado, no Chile?

Onde estavam nossos cronistas esportivos e a mídia que sempre conviveu de migalhas para acompanhar esse mundo milionário e colocar a sujeira para baixo do tapete, sem denunciar essas falcatruas? Exceto algumas honrosas exceções, acho que a mídia corporativista do esporte brasileiro tem que fazer um mea-culpa e tentar sair desse processo menos burra e parcial e mais consciente do seu fundamental papel.

7 x 1 foi pouco pra quem?
Palpites da 12ª rodada do Brasileirão 2015

Escrito por:

- possui 27 artigos no No Ângulo.

Jornalista formada pela PUC-RS, essa gaúcha nascida em Passo Fundo e residente em Porto Alegre é especialista em Meio Ambiente, tem interesse por política e gosta de transitar e dar os seus pitacos sobre diferentes temas. Uma romântica do futebol, busca analisar as sutilezas do esporte bretão.

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12 respostas para “Quando o futebol perdeu a graça?”

  1. Quando a nike começou a lançar as chuteiras que vocês já sabem né

  2. Quando o “fora de campo” passou a importar mais que o “dentro de campo”. Mas a chama continua acesa! 😉

  3. Lena Annes disse:

    Wilson Godoi Carlos Matsubara Rodrigo Dutra da Silva Maria Carmen Romero

  4. Texto bom demais da conta, Lena Annes! Abraço apertado!

  5. Não sabia que escrevia sobre futebol também! Muito bom, tem muito fundamento o que escrevestes!

  6. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    muito bom


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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