Breves (ou nem tanto) observações sobre Brasil x Argentina

Créditos da imagem: Reprodução Fox Sports

“No pique”

  • obviamente, foi um bom resultado para o Brasil. Não necessariamente uma boa atuação, considerando o potencial da equipe no ataque e na defesa. Para os argentinos, bem como fãs de Messi (tenham torcido pro Brasil ou pra Argentina), foi uma performance que atenuou a também óbvia frustração pelo placar.

  • Tite se gabou pelas decisões para enfrentar Messi. Diria Didi (o Mocó): cuma???? Foi o jogo em que o 10 argentino mais participou e mais acertou. Mesmo com reduzidas opções de passes agudos, estes pouco foram interceptados. Claro que, pela situação, o craque rival fatalmente entraria mais concentrado e já mais entrosado (escalação bem repetida). Porém, parece sugestivo que o plano de marcação brasileiro não encaixou como o pretendido.

  • Daniel Alves errou as quatro primeiras participações, precipitando passes e dribles. Quando acertou, compensou o resto e futuros erros. É a síntese de seu melhor, inclusive nos anos de glória ao lado de Messi. Tem jogador que se notabiliza pela regularidade. Tem jogador que busca os lampejos o tempo todo. É o caso de Daniel. Quando controlado a ponto de deixar o resto do time participar da brincadeira, torna-se um trunfo raro. Duro é manter isso por mais 3 anos.

  • a superioridade individual do Brasil sobre a Argentina, mesmo sem Neymar, é flagrante. Na forma de atuar que se consolida para Copas (taticamente mais atrasada, porém mais exequível com atletas em fim de temporada e sem muitos treinos juntos), a seleção tem jogadores para todas as posições. A Argentina ainda tem que improvisar zagueiro na lateral. Fora as titularidades de jogadores esforçados, mas visivelmente limitados. A marcação é um festival de chegadas atrasadas. Parece até um certo aplicativo de entregas.

  • por isso mesmo, o Brasil poderia ter obtido vitória mais tranquila. Teria acontecido se os jogadores de ataque não se aprofundassem antes da hora, bem como se os jogadores do meio não precipitassem os passes agudos. É preciso variar a velocidade com maior troca de passes. Há jogadores para fazer as duas coisas – ao contrário dos times brasileiros em geral, que seguem precisando de 15 em campo pra fazer tudo.

  • autor da assistência do primeiro gol e tendo feito o segundo (após presente de Natal dado, ironicamente, por Jesus), Firmino ainda se sente desconfortável na seleção. Erra muito mais que no Liverpool. Um dos motivos foi a dura temporada. Outro é que seus passes são regulados para o gramado rápido. Mal tendo jogado aqui, é um dos que mais sentem a mudança. Não só os estrangeiros têm razões para reclamar do piso.

  • Alisson era potencial em 2018. Agora é realidade total e de grande vulto. O amigo Gabriel esteve no estádio e testemunhou que o posicionamento do goleiro quando o time tem a bola, sem ficar embaixo da trave, anima a defesa a se adiantar. A astúcia em cobrança de falta de Messi evitou um gol que seria bastante incômodo. Já teria sido uma contratação espetacular do Liverpool sem a lembrança do antecessor. Com ela, então, nem se fala.

  • e o VAR? “Desconcordo” em relação às reclamações argentinas. Pela forma anárquica como o vídeo foi aplicado na Copa América, podem até fazer sentido. Porém, nunca defendi a consagração do errado “pra ficar igual pra todo mundo”. Ambos os lances podem até vir a ser considerados pênaltis, mas não sem observações sob vários ângulos e, ainda assim, com visões subjetivas. É o que se considera lance interpretativo, que por determinação da FIFA devem ficar de fora. O VAR se destina a evitar os erros inequívocos, visíveis a olho nu e sem câmera lenta.

  • sendo assim, se houve erro, entra para o conjunto da obra de uma confusa arbitragem, incompatível com a importância do evento. Controvérsias à parte, o ótimo Arthur não deveria ter saído de campo sem ao menos um cartão amarelo.

  • falando em Arthur, mais uma partida completa que, em fim de temporada, coloca em xeque as alegações de problemas físicos, dadas pelo técnico Valverde para tirá-lo todo jogo. Aliás, a perda da titularidade para Vidal não ajudou em nada o Barcelona. O chileno é mais agudo, mas nulo em termos de dar ritmo à equipe. Arthur voltará ao clube dando mostras de que pode ser melhor aproveitado na segunda temporada, após uma primeira que esteve longe de ser decepcionante. Diferente de Coutinho, que segue muito mais tentando que conseguindo.

  • seja qual for o adversário, mesmo não jogando tudo o que seu elenco proporciona, o Brasil dificilmente deixará de ser campeão em seu território, mais uma vez. Resta saber se o efeito para o futuro será bom ou não.

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