Carille deve agradecer aos céus pelo milagre em Brusque. E aprender com Rogério Ceni uma lição para continuar à frente de um gigante

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Há cerca de um mês escrevi o texto “Cadê o poder de fogo? Montagem do elenco faz do Corinthians um ‘time de armandinhos'”, no qual criticava o excesso de boas opções no elenco para a criação no meio-campo (Jadson, Rodriguinho, Giovanni Augusto, Marlone, Marquinhos Gabriel e Guilherme) em contraposição à falta de opções no ataque.

Pois diante disso, o que fez Fabio Carille no confronto contra o Brusque? Entrou com três volantes (Gabriel, Maycon e Felipe Bastos) e três atacantes (Romero, Léo Jabá e Kazim). Não por acaso a atuação alvinegra foi tenebrosa e quase que por milagre a equipe passou para a próxima fase, nos pênaltis, mesmo diante de rival tão frágil.

Para se fazer justiça, é importante dizer que Rodriguinho, Marlone, Marquinhos Gabriel e Guilherme estavam fora por problemas físicos, e que Jadson ainda não reúne boas condições de jogo. Mas sobrou Giovanni Augusto. E, diante disso, não escalar o talentoso meia foi algo simplesmente inaceitável. Por mais que ele não se firme (o que vale para os atacantes também), era a única opção da posição. Não é concebível um time jogar sem meias.

Aliás, atualmente jogar com três volantes é um crime. Principalmente quando apenas Maycon dá boa dinâmica à construção do time (aliás, não me lembro jamais de vê-lo jogando mal. Mesmo assim, nunca recebe o devido reconhecimento). Gabriel é um bom cabeça-de-área, mas a insistência com Felipe Bastos me parece desmedida. Em um elenco com os promissores Camacho, Maycon e Marciel, Felipe Bastos deveria, no máximo, disputar posição com Gabriel.

O Corinthians de Carille tem obtido bons resultados. Mas só ganhou a torcida contra o Palmeiras, quando jogou como time grande, com desejo pela vitória (e, não à toa, dois volantes, um meia e três atacantes), em um jogo que o elenco sabia ser de “tudo ou nada”. Uma coisa que ninguém admite em treinadores de clubes grandes é a covardia. Se em uma partida contra o inofensivo Brusque a postura foi essa, o que mais se pode esperar?

Enquanto isso, Rogério Ceni vem obtendo resultados semelhantes, mas é muito mais prestigiado e visto com boa vontade do que o técnico corintiano. E não é apenas pela idolatria que carrega como jogador, mas também pela postura de sua equipe, que reflete o espírito e a personalidade de um treinador ousado e ambicioso, como deve ser qualquer um que almeje comandar um gigante do futebol mundial. Se é verdade que precisa urgentemente arrumar a defesa – coisa que Carille já provou ser mestre -, tem deixado a todos (não apenas são-paulinos) com boa expectativa de como será o São Paulo deste ano, coisa que este burocrático Corinthians vem passando longe de fazer.

Ainda é tempo do competente Carille aproveitar a sorte que teve nos pênaltis e montar seu time para jogar em busca da vitória, sem especular. O clássico contra o Santos será um ótimo indicativo para mostrar se aprendeu a lição e quer se firmar à frente do Corinthians, ou apenas tapar buraco até a chegada de algum outro profissional.

10 comentários em: “Carille deve agradecer aos céus pelo milagre em Brusque. E aprender com Rogério Ceni uma lição para continuar à frente de um gigante

  1. Todos sabem, dispensável dizer, que não se monta um grande time sem bons jogadores. Em 11, pelo menos cinco. Assim como é impossível um time vencedor, um time que convence pelos gols que marca, sem que tome também muitos gols. Todos os grandes times – vale citar o Santos, por ser o seu do coração – faziam muitos gols e levavam gols. Time que privilegia a defesa e joga para marcar um golzinho, sempre no papo de “jogar no erro do adversário”, não convence e menos vence…O Corinthians n
    ão tem um elenco. O São Paulo não tem, tv. mas está mais perto de se arrumar – por conta da filosofia de jogoL o ataque. abs

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