Danosos: o mal dos programas esportivos no Brasil

Créditos da imagem: Divulgação

Nesta segunda-feira, o Redação SporTV trouxe para a mesa o debate sobre os números de Felipão, desde a sua volta ao Palmeiras, e Guardiola, a partir de sua estreia no City.

Embora em tom de brincadeira, a comparação serve para ilustrarmos o quão danosos são os programas esportivos para a péssima fase que vive o futebol brasileiro.

Com um fim de semana cheio de jogos não somente no Brasil, mas também na Europa, pautas bem-humoradas só demonstram como a mídia esportiva brasileira foge da verdadeira análise futebolística, aquela sobre tática e jogo coletivo.

Por que Sampaoli levou um baile de Felipão? Por que o Flamengo não conseguiu vencer o Galo mesmo com um jogador a mais durante todo o segundo tempo? O que fez Guardiola para enfiar seis numa final de Copa na Inglaterra? Em que Fernando Diniz acertou para enfim golear e agradar num jogo dentro de sua casa?

Perguntas desse nível, que poderiam pautar os programas esportivos, são raras e, quando existentes, normalmente não passam de clichês que se repetem quase que diariamente.

E por que isso estraga ainda mais o já vulnerável futebol brasileiro?

Porque quem os vê vociferar frases prontas ou gastar o tempo com pautas inúteis em nada aprende de futebol e sequer percebe o quanto precisamos melhorar para voltarmos a jogar um futebol de verdade.

Estamos num ponto de tanto despreparo e de respostas prontas que, neste ano, tivemos um programa esportivo gastando vários minutos para criticar a atuação de um jogador que sequer esteve em campo.

Parece até mentira!!

Na semana passada, escrevi uma coluna para o Meu Timão apontando o ídolo Ralf como um dos responsáveis pelo péssimo futebol jogado pelo Corinthians.

Fui massacrado pela torcida!

O problema é que, enquanto a análise esportiva for superficial, poucos torcedores terão a capacidade de entender que, se o ponta-direita é responsável também pela eficiência defensiva, o primeiro volante é fundamental para a criação de jogadas e de chances claras de gol.

Ao olharmos os grandes clubes do mundo, todos possuem primeiros volantes de boa qualidade de passe e que iniciam a jogada que terminará na bola de um dos atacantes em condição boa de finalização.

Infelizmente, por aqui, não há explicações sobre táticas, tampouco as equipes são vistas como um coletivo. É comum apontarmos que um time está devendo porque tem grandes nomes, mas é raro que se analise que tais nomes jamais tiveram características para se encaixarem e jogarem juntos.

É muito mais interessante brincar de comparar Felipão com Guardiola, afinal, é o mesmo que não mexer na zona de conforto de cada jornalista.

Quem paga o pato é quem assiste e perde a chance de ser crítico do péssimo esporte que tem sido praticado no Brasil.

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