Ei! Você aí! Me dá um dinheiro aí!

Créditos da imagem: Estadão

Estamos em Agosto. Transcorridos 8 meses do ano, finalizado o primeiro turno do Brasileirão, chegando às semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores. O futebol entrando no seu momento mais aguardado. Dentro de campo. Porque fora dele estamos vivenciando cenas dos capítulos anteriores, que se repetem eternamente, como um filme ruim da Sessão da Tarde – sim, sou da época da Sessão da Tarde – mas já perdeu a graça: os dirigentes de clubes de futebol passando o pires e pedindo um trocado para fechar suas contas. E estamos apenas em Agosto.

Nos últimos dias vimos dois exemplos de atitudes clássicas de dirigentes, que não levam os torcedores de seus times às gargalhadas, como um bom e velho Jerry Lewis, mas sim às lágrimas, como tantos dramalhões amarelados pelo tempo. Vasco e Corinthians saíram à caça de trocados, com os argumentos mais surrados e óbvios: dívidas para pagar, salários que não podem atrasar, adiantamentos de TV feitos pelas gestões passadas. Sempre há uma boa justificativa para buscar dinheiro em algum lugar.

No caso do Corinthians foram atrás da TV para pedir um adiantamento. Antecipou R$ 10 milhões alegando estar sem patrocínio máster nem verba de vendas de atletas. Um clube do tamanho do Corinthians sem patrocínio master? Mas sempre haverá a TV, então corre atrás da Globo para tomar um fôlego.

Mas o clube deveria se organizar e saber da falta do patrocínio, da falta de dinheiro de transferências e dos custos a incorrer, assim como das dívidas a pagar. Sem contar as despesas da área social que drenam caixa do futebol. Mas alguém ouviu falar em corte profundo de custos e despesas? Não, claro que não. Até porque, na hora do aperto, tem sempre “um dinheiro para entrar”.

No Vasco foi ainda pior. Além de pedir aprovação ao Conselho Deliberativo para tomar um empréstimo, os dirigentes prepararam um material tão surreal que deixam corados até os fãs daqueles filmes de terror B que passam nas madrugadas – está vendo? Fugi da Sessão da Tarde para ir ao Corujão. Cheio de equívocos, contas que não batem, projeções completamente fora da realidade. Os dirigentes do Vasco conseguiram, em poucos slides apresentados e disponibilizados pela imprensa, destruir qualquer conceito de finanças e contabilidade, assim como fazer todos os business plans de startups parecerem realistas. Crescimentos absurdos de receitas que há anos se mantém estáveis e em níveis baixos, nenhum investimento, pagamento de dívidas! Tudo isso junto! Mas, claro, os custos e despesas se mantiveram estáveis. Mais um que não consegue a faca no excesso de gordura da estrutura.

Casos de emergência como os de Corinthians e Vasco requerem ações drásticas, cortes profundos de custos e despesas, ajustes à realidade, inclusive na capacidade de fazer receitas. É preciso sim deixar de repetir a velha marchinha de carnaval, e antes de pedir “um dinheiro aí”, apresentar algo palpável, de médio e longo prazos, mesmo que isso signifique anos de sofrimento e sem disputar títulos, nem os menos expressivos.
Mas como fazer isso tendo que dar explicações aos demais dirigentes políticos dos clubes, aos torcedores e à imprensa? Difícil, mas necessário. Encarar a realidade é a única forma de sair dela.

Corinthians e Vasco são personagens deste artigo, mas poderíamos escolher outros dois entre vários nomes do futebol brasileiro. Qualquer um deles seria capaz de desempenhar bem este papel de pedinte. Afinal, o que é mais um pedido para quem tem centenas deles nas costas?

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