Mesmo com prejuízo, Fla precisa ter o Maraca de volta para o bem de sua torcida

Créditos da imagem: Gilvan de Souza / Flamengo

O dia 17 de abril de 2018 vai ficar marcado na história do Flamengo. Quase 50 mil pessoas compareceram ao Maracanã, às 15h de uma terça-feira útil.

Os torcedores que lá estavam não foram ver os jogadores rubro-negros finalizarem ou trocarem passes na roda de bobinho. A torcida foi ver o Flamengo. Alguns foram conhecer o Maracanã também. Mas principalmente, os que estavam ali foram fazer e ver a festa de uma nação que, a cada dia que passa, vai perdendo sua identidade, graças às mudanças que cartolas e políticos de dentro e de fora do clube proporcionam.

Os atletas milionários deram sorte e ganharam a possibilidade de verem os torcedores vibrando de uma forma que, normalmente, não é vista nos estádios, que cada vez mais proibem não só o pobre de entrar, mas também a fumaça, muita vezes as bandeiras e a bateria. Ou seja, vetam a festa.

De graça, os ingressos para o treino foram distribuídos majoritariamente aos aficionados que não pagam mensalidades de sócio-torcedor. O perfil era bem fácil de se notar: a maior parte dos presentes eram jovens de 15 a 20 anos, negros ou quase negros, vindo principalmente da Baixada e da Zona Oeste. A estação de trem ficou lotada como não se viu nem nas últimas finais disputadas. A de metrô, menos cheia do que o de costume. Não é coincidência.

Claro, tinham famílias, crianças que estavam lá pela primeira vez, gente de férias, autônomos, desempregados etc. Lá estavam também os torcedores organizados, que normalmente vivem ou sobrevivem de apoiar o clube.

A atitude da diretoria de abrir os portões em um treino foi reflexo do que fizeram, nos últimos meses, os cartolas de Palmeiras e, principalmente, do Corinthians, times que lotam seus estádios, faturam milhões por jogo e pagam o preço de alijarem da cancha os torcedores menos favorecidos.

Mas não vou entrar no mérito da elitização dos estádios, e aqui, recomendo a leitura do livro “Clientes versus Rebeldes” para quem se interessa no tema e em uma visão menos midiática.

No Flamengo, antes da elitização, há um outro problema a ser resolvido. Sem um estádio próprio para jogar e faturar seus milhões, o Flamengo necessita pagar, e caro, para abrir o desfigurado Maracanã. Por outro lado, cabe lembrar que o faturamento total do Flamengo tem batido recordes, com a elogiada gestão administrativa do clube desde 2013.

Com Engenhão e Ilha do Urubu na manga, os cartolas da Gávea tentam pressionar o consórcio que comanda o ex-Maior do Mundo a abaixar as taxas. Pressiona também o Governo do Estado a realizar nova licitação. Aqui, uma dúvida: se o atual dono diz que não quer e o Estado não vai pegar de volta, o que será que falta para se definir um novo proprietário???

A lógica comercial de não se mostrar desesperado faz sentido, afinal, quando você demonstra muito interesse, o preço sobe. Só que cobra um preço esportivamente: o Flamengo não tem lugar para jogar.

E lugar para jogar é primordial no futebol. Acredite, mais do que ganhar dinheiro. Sem verba, você monta um time de juniores, atrasa o salários de pernas-de-pau, convoca os torcedores, mas entra em campo. Sem campo para entrar, não há jogo.

Ter um estádio que dá lucro e aumenta o faturamento é ótimo, vide a saúde financeira do Palmeiras e os exemplos no Velho Mundo. Mas essa é uma realidade distante do Flamengo e de outros vários outros clubes no Brasil, salvo exceções. Então, se o estádio não dá lucro, paciência: obtém-se uma receita complementar de outras fontes, como falam os especialistas. E nisso, o Flamengo tem se mostrado eficiente.

Dessa forma, não há outra solução. Pelo ganho esportivo de ter de volta o seu lar, o Flamengo vai precisar ceder aos anseios empresariais da Odebrecht e pagar o quanto que for para ter de volta o Maracanã.

Outras soluções são pensadas e descartadas em igual rapidez. Localização, verba, autorizações, tudo é empecilho para o sonho de muitos rubro-negros de ter um estádio próprio.

Mas o Flamengo já tem seu estádio. Só com o Maracanã nas mãos novamente, o Mais Querido poderá começar a pensar em ter de volta o seu povo, a sua torcida, e principalmente, a casa cheia, o que é ainda mais necessário para, enfim, conseguir os títulos que tanto anseia.

4 comentários em: “Mesmo com prejuízo, Fla precisa ter o Maraca de volta para o bem de sua torcida

  1. O Flamengo não parece o Flamengo fora do Maracanã!!!!! Ontem de novo já meteu mais de 50 mi na despedida do Júlio César!!!!! É um crime pra todo mundo, pro futebol pro Flamengo e pro Maracanã eles ficarem separados!!!!!!!!!!!!!

  2. Torcida arco iris não entra Corinthians vai cuid do seu estádio o maracanã sempre sera nosso que coloca mais de 80 a 90 por cento de torcida sempre sera nossa casa

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