Mulher bonita é a minha. Time bom é o meu. Barcelona, Real e Manchester não passam de “cata-cata”

Créditos da imagem: literaturanaarquibancada.com

Desde priscas eras, jogadores brasileiros se mandam daqui para defender grandes times no exterior, especialmente italianos. Rato, De Maria, Tuffy, Del Debbio… Isso no tempo em que se amarrava a chuteira na canela. Eram poucos e só levavam craques. Ainda nesse tempo, início da década de 1930, o Peñarol levou daqui Leônidas da Silva, já chamado de Diamante Negro. Domingos da Guia, o maior zagueiro de todos, também foi para o clube uruguaio e de lá para o Boca Juniors, em 1935/6.

Mais tarde, deixaram nossos campinhos Heleno de Freitas, Ieso Amalfi, Paulo Valentim, Roberto, por aqui, e para mais longe, Evaristo de Macedo, Dino Costa, Dino Sani, Álvaro, Ramiro, Vinícius, Amarildo, passando por Zico, Falcão, Cerezo, Sócrates, Romário, Ronaldo, Kaká, até chegar em Robinho, Neymar e agora Gabriel de Jesus. Estou falando de craques de seleção. E só uma amostra. Não tenho espaço, tempo, nem cabeça para buscar todos.

Nem tenho a preocupação de falar dos que não deixaram saudade. Dos quase anônimos e anônimos, que foram ganhar a vida honestamente. Alguns, bom dizer, conquistando manchetes. Nem dos que jamais foram registrados em times conhecidos dessa Terra de Santa Cruz. Um bom exemplo? Hulk. Outro? O zagueiro Pepe, como tantos produzido pelo Corinthians das Alagoas, vendido direto para o Porto, dele para a seleção portuguesa e Real Madrid.

Também exportamos técnicos. Feola, Brandão, Zezé Moreira, foram professores na Argentina e Uruguai. Aimoré chegou ao Boa Vista, de Portugal, esticando até a Grécia. Um, Sebastião Lazaroni, poderia ter chegado ao topo, como fazem os portugueses e alguns argentinos. Mas, para isso, teria de ter levado o Brasil ao título mundial na Itália-90. Seria bestial, mas ficou sendo apenas uma besta – como dizia Otto Glória, que chegou com Portugal ao 3º lugar na Copa de 1966.

Pense num país perdido no universo, e lá você encontrará algum brasileiro. Falo de algum bem mais longe, futebolisticamente falando, que a Romênia, onde o filho do Rivaldo, outro de primeira linha, acaba de desembarcar. São centenas, poucos de primeiríssima, mesmo incluindo entre estes, David Luiz, Lucas…

As últimas safras são de qualidade razoável para ruim. Não apenas os que se mandam como os que ficam, o que obriga a contratação de hermanos e assemelhados, também de segunda linha, porque os de primeira atravessam o oceano.

Da mesma forma, já não exportamos técnicos, nem mesmo para aqui perto. A esperança é que, graças à crise, estão dando chance a alguns novos – que por ironia nunca “calçaram chuteiras” ou vestiram a amarelinha.

Dentro e na beirada do campo é o que há, o que temos no cardápio. E é bom não reclamar. Não adianta. Se só tem tu, vai tu mesmo. Assim como não há mulher mais bonita que a sua, diga – não custa nada – que não há time melhor que o seu, nem futebol mais importante que o brasileiro. Não ligue se espanhóis e ingleses derem risadas, os bons de lá não falam a língua deles – provoque.

12 comentários em: “Mulher bonita é a minha. Time bom é o meu. Barcelona, Real e Manchester não passam de “cata-cata”

  1. Hahaha, sensacional, mestre José Maria de Aquino!

    E mesmo na Europa a coisa anda assim. De que adianta ter jogadores badalados se, na hora de encarar uns três bichos papões que dominam o continente, apanha? Está todo mundo tendo que “amar muito a melhor” em tempos de futebol tão concentrado 😉

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