O brilho dos meninos vascaínos e o eterno risco da precipitação

Créditos da imagem: R7 Esportes

Não queimar é preciso

Em uma campanha brilhante, que há muito tempo sua base não fazia, o VASCO está garantido na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o torneio de maior tradição da categoria. O cruz-maltino passou na partida semifinal pelo CORINTHIANS, nas penalidades, após empate em dois gols.

Mais do que os resultados -e os vários destaques individuais que o ótimo elenco vascaíno apresenta-, penso ser fundamental ressaltar a organização tática do time. Percebe-se que é uma equipe muito bem treinada pelo Marcos Valadares. Apresenta conjunto, compactação e proposição de jogo. Os meninos demonstram também uma percepção tática como se experientes fossem.

Destaco vários jogadores neste elenco vascaíno: o goleiro Alexsandro me parece com maior potencial técnico do que Jordi e Gabriel Félix, atuais reservas do time principal; Ulisses e Miranda são zagueiros promissores; os laterais Caio Tenório e Coutinho também são outras ótimas surpresas, defendem bem e apoiam com desenvoltura; todo o setor de meio de campo é formado por jogadores habilidosos, com destaque para o volante Caio Lopes e o meia Lucas Santos; e, no ataque, uma dupla de respeito com João Pedro e o artilheiro Tiago Reis, este um centroavante nato e com faro de gol.

Creio que a maioria desses jogadores terá uma carreira sólida e de relativo sucesso, porém todo cuidado é pouco com projeções muito otimistas e precipitadas. Já vi muitas promessas dos juniores, que na categoria apresentavam excelente performance, fracassarem no time principal.

A categoria profissional exige muito mais do atleta, uma vez que o jovem passará a lidar com uma massacrante rotina de exigências física e, principalmente, emocional. Alguns atletas muito técnicos, tratados como grandes promessas na base, simplesmente sucumbem quando se tornam profissionais. Neste momento de transição, é muito importante o suporte de uma boa base familiar.

Portanto, apesar de todos os merecidos elogios ao ótimo time vascaíno, que disputará a final contra outro adversário forte e talentoso (o SÃO PAULO), é preciso cautela a dirigentes, jornalistas e torcedores quanto ao aproveitamento imediato destes atletas. Principalmente quando estes chegam ao time principal com a tarefa de brilhar e “resolver” como faziam anteriormente.

Esta transição precisa ser feita de modo inteligente e no momento adequado. Isto para não “queimar” um jovem valor na ânsia de vê-lo entre os profissionais. Ainda mais quando surgem como solução para um clube envolvido em grave crise financeira.

De qualquer forma, o surgimento de tantos bons jogadores praticando um futebol vistoso como o mostrado pela garotada da Colina deve ser comemorado.

O Vasco pode até não ser o campeão, mas sua campanha em 2019 já está marcada na história do torneio.

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