O caso Antony – a última presepada de um clube sem vergonha

Créditos da imagem: Reprodução Fox Sports

Antony e mais uma besteira diferenciada da direção tricolor

Antony não participará do jogo de volta na Copa do Brasil. Nem das partidas anteriores à pausa da Copa. Pedrinho e Matheus Vital, do Corinthians, também não. A diferença está na postura das diretorias. O Corinthians admitiu, sem floreios, que espera aumentar a exposição de seus jovens valores. O São Paulo preferiu o caminho que vem caracterizando suas diretorias: covardia. Sem nenhuma procuração para falar em nome de Antony, disse que a vontade do atleta foi determinante. O técnico Cuca complementou afirmando que a cabeça do jogador não estaria no time. A arte diferenciada de tirar o corpo fora.

Esta situação não é novidade. Em 2003, o SPFC precisava desesperadamente negociar Kaká. Tanto que aceitou uma proposta de valor reduzido (preço de banana, segundo os italianos) do Milan. Porém, no lugar da transparência esperada, usou a renúncia do atleta a seus 15 % como “prova” de que forçou uma saída que o clube não queria. Mesmo sem o impulso de redes sociais, o jogador foi massacrado por boa parte da torcida. Quase dezesseis anos depois, o clube mantém a tradição de jogar o atleta às feras para livrar a própria barra. Com uma novidade: agora quem comanda o show é um ídolo dos campos. Justamente aquele que, em 1992, foi convencido a não entrar no que seria a barca furada de uma carreira. Lembram os gols que Raí fez no mundial? Quase não aconteceram. Explico abaixo.

Em agosto daquele ano, o São Paulo disputou dois torneios no verão espanhol. Goleou o Barcelona (que enfrentaria em dezembro) e o Real Madrid. Em ambos os jogos, atuações magistrais do camisa 10. Era inevitável que um clube espanhol se interessasse. Só que não foram nem os colossos, nem o bloco de Sevilla, Atlético de Madrid e outros intermediários. Apenas o pequeno – e hoje ignorado – Albacete. Raí queria ir. Inclusive ficou de fora de partidas do SPFC, tal a iminência de sua despedida. Telê Santana decidiu interferir. Conversou com a diretoria e também com o atleta. Contrariado, Raí continuou no Morumbi. Mais tarde o então jogador admitiria que se magoou, mas o técnico tinha razão. Tanto que, consagrado em Tóquio, Raí teve destino muito mais promissor no PSG – onde se tornaria, após duro começo, capitão e ídolo.

Gestor remunerado no mesmo São Paulo, Raí teve a chance de contar a Antony sua história. Poderia lembrar que pouco esteve em seleções de base, mas nem por isso deixou de ir a uma Copa do Mundo. Mostraria que a convocação pode deslumbrar, mas haverá oportunidades melhores que um torneio não-oficial, em comparação com partidas decisivas. O atleta, mesmo chateado, fatalmente entenderia. Assim como entendeu ao ser rebaixado para a Copinha, enquanto Helinho era a aposta de Jardine. Destacou-se e voltou para tomar de assalto um lugar no time. Por que seria diferente agora? Contudo, Raí nem se deu ao trabalho de fazer alguma coisa. Preferiu viajar. Lembrou os tempos de Adalberto Baptista, o Beto Playboy, que foi correr de Porsche na Europa enquanto o time perdia um jogo importante. Tudo pra terminar em último.

Obviamente, não é mera incompetência. Tal como na venda de Kaká, o São Paulo sabe que precisará se desfazer do atleta. Neste contexto, uma vez mais, o interesse da diretoria é tapar o buraco sem ficar com as vaias. Hoje, insinuam, ele vai à seleção pré-olímpica porque esperneou. Amanhã deixará o clube porque “quando o jogador quer sair, não tem jeito”. Mas a torcida não deve se preocupar, porque virá um reforço “cascudo” da China ou uma revelação ainda a revelar – de um empresário coincidentemente amigo. Raí pegou o telefone, então vem coisa boa. Ou não. Neste caso, ele sempre tem Paris para dar no pé…

Colaborou Danilo Mironga

Um comentário em: “O caso Antony – a última presepada de um clube sem vergonha

Deixe sua opinião e colabore na discussão