O Derby do Século

Créditos da imagem: Alan Morici/Estadão Conteúdo/05.11.2017

É triste ter de escrever sobre a incompetência alheia, gostaria de refletir sobre a minha e já seria muito. Mas existem coisas que merecem atenção. Não a atenção descompensada, como aquela do desabafo do Neto (ainda que tenha sido um desabafo impagável), mas uma atenção crítica, ainda que melancólica.

O domingo foi marcado por uma daquelas partidas que entram para a história simplesmente por acontecerem. Mais que isso, disse a um amigo e repito: assistimos em Itaquera ao Palmeiras x Corinthians mais importante do século! Isso porque o pênalti do Marcelinho foi no longínquo ano 2000. A verdade é que a maior rivalidade paulistana –pelo menos para mim– foi reacendida por uma verdadeira final, daquelas que sentimos saudade de ver, mesmo com a cultuada justiça dos pontos corridos.

Teve de tudo esse jogo. O Palmeiras iniciou melhor, mais incisivo, parecia mais aceso. Contava com um tal Miguel Borja elétrico, vivo, que confesso, fui apresentado há apenas alguns dias, pois achava que a camisa 9 alviverde vinha sendo utilizada por algum dublê do colombiano. O Corinthians, porém, finalmente se reencontrou e não poderia ser de forma mais saborosa. Seu herói improvável, o mais questionado e amado paraguaio que já vestiu o manto alvinegro, um anjo Romero, que parecia mesmo é jogar endiabrado, em seu habitat natural, a arena Itaquera. Gol e uma partida para se recordar.

O primeiro tempo do Corinthians foi de campeão. O segundo nos lembrou que não há nesse campeonato ninguém que mereça mais esse título, muito por demérito dos adversários. O Palmeiras até tentou, mas esbarrou nas suas próprias limitações, em que pese a entrada de Guerra e o golaço de Moisés.  Ah sim, mas quero falar de incompetência.

Acaba o jogo e o ilustríssimo presidente palmeirense, Maurício Galliote, quer falar de profissionalismo, planejamento. Sim, ele diz que o Palmeiras trabalhou exemplarmente em 2017 e esses monstros destruidores de sonhos chamados carinhosamente de árbitros deveriam ser cobrados a possuírem a mesma medida de competência. Ora, destruíram o sonho palmeirense por uma decisão equivocada. Quanta cara de pau! Não importa se Gabriel deveria ou não ser expulso, ou se em um dos gols houve um impedimento milimétrico. O Palmeiras não perdeu o título nesse domingo.

O Palmeiras perdeu, acima de tudo, para ele mesmo, com derrotas para Chapecoense e Atlético-PR em casa, ou nas vitórias jogadas no lixo contra Vasco e Bahia. O Palmeiras perdeu quando não soube gerir o caso Felipe Mello, ou quando quis reeditar o conto do Salvador da Pátria com Cuca. Ou talvez eu esteja sendo extremamente injusto ao questionar o planejamento exemplar do presidente alviverde. Galliote, para com essa conversa mole, não vai dar! E você tem muita culpa.

12 comentários em: “O Derby do Século

  1. O texto é preciso, porém cabe uma pequena correção. A título de justiça histórica apenas.
    O mais amado paraguaio que já vestiu o nosso manto alvinegro definitivamente não chama-se Romero (a despeito de suas eventuais, e providenciais, boas partidas). Este posto,com todas as honras possíveis, pertence indiscutivelmente à Carlos Alberto GAMARRA Pavón. Ou, pelas palavras do meu pai, contemporâneo de Pelé e cia., um dos melhores zagueiros que o futebol já viu.

    1. Ah sim, Edu Telles, sem dúvidas o Gamarra foi o mais amado, de longe! Lembro que na final do Brasileiro de 98 vi o estádio inteiro gritando “FICA GAMARRA!”, porque falavam que ele poderia ser vendido.

      Mas o mais contestado E amado acho que realmente é o Romero, afinal, o Gamarra era simplesmente incontestável, rs… aliás, nem para o Balbuena caberia essa qualificação, afinal, ele também vem sendo muito mais amado do que contestado, né!

    2. Opa, eu tava nesse jogo. Contra o Cruzeiro no morumbi né? Tenho uma camisa autografada pelo elenco, e é a do Gamarra que mais gosto de mostrar aos amigos…

  2. Gostaria muito que, quando criticasse a arbitragem, o presidente do palmeiras fosse “lembrado” por algum jornalista, sobre os jogos contra Figueirense e Sport no ano passado. Dois jogos absurdos onde, na minha opinião, não houveram erros e sim má fé e um benéfico tremendo ao time de palestra Itália. Mas quanto ao jogo de domingo, admito que gostaria de ver um pouco desse futebol que dizem que o palmeiras apresentou. O palmeiras foi, e tem sido o ano todo, um time desorganizado. Um time que joga no “abafa”, ataca todo desorganizado e sem padrão de jogo e tem uma das defesas mais desorganizadas do campeonato. Não fosse a limitação técnica dos atacantes do líder Corinthians, teriam sido uns 5, talvez 6 gols ainda no primeiro tempo. Não apenas 1 ou 2 contra ataques onde eram visto 4, até 5 jogadores do Corinthians contra 2 defensores palmeirenses. O palmeiras tem sim o elenco mais recheado do Brasil, porém, é o quarto ou quinto melhor time do país. Os 11 titulares, sejam eles quais forem, não formam um time melhor que: Flamengo, Cruzeiro, Grêmio ou Santos, esse último sofre pela falta de opção no banco de reservas.

  3. Matheus Aquino, concordo inteiramente sobre ter sido o Derby do Século 21! Uma pena que se o Corinthians e o Palmeiras não forem campeão ou vice, tende a se perder na História…

    E achei a entrevista especialmente do Alberto Valentim bem constrangedora, pior ainda do que do Galliote. Porque ele simplesmente se comportou como se não tivesse nada para falar do jogo além da arbitragem, usou como escudo e bode expiatório de uma maneira vergonhosa, não acha?

    1. Achoo sim, Gabriel. Mas é apenas o quinto jogo do Valentim. No início do ano ele estava no Red Bull e ele tinha a adrenalina ali do campo. As questões estruturais eu coloco na conta do Galliote, ele devia assumir o problema Felipe Melo, por exemplo. Concordo plenamente com o Fernando Prado, que não deve haver uma ditadura na pauta esportiva, porém com essa postura 2018 nao será diferente.

    1. Muito legal ler isso de você, Fernando, também acompanho e gosto muito das suas opiniões. O prazer é sempre meu em colaborar com vocês

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