“O maior espetáculo da Terra” sem Pelé? Não mesmo!

Créditos da imagem: Blog DNA Santástico

O que você faria caso se sentisse enganado em alguma coisa, situação? Digamos que você tivesse comprado, e pago caro, ingresso para um show de seu artista preferido – não vou colocar um nome, porque gosto não se discute – e na hora da apresentação, quando abrissem as cortinas, lá aparecesse um simples cover? Ainda que competente, um simples cover. Levantaria e iria embora? Exigiria seu dinheiro de volta? Iniciaria uma tremenda vaia? Ou faria o maior barulho, exigindo a presença do original?

Foi coisa do gênero que aconteceu há longínquos 49 anos, uns poucos dias menos. Para ser exato, no dia 17/7/1968 – quando muitos aqui nem eram nascidos. O palco foi o estádio El Campín, em Bogotá, na Colômbia. Um simples amistoso entre a seleção sub-23 da Colômbia e o Santos. Mas não um Santos qualquer, como, graças à fama, aos títulos nacionais e internacionais conquistados pelo da Vila mais famosa do mundo – a Vila Belmiro – se espalharam por aí.

Era o Santos original, nenhum cover, o Santos de tantos craques e da estrela maior do futebol mundial em todos os tempos. Ele, Pelé, que o locutor Walter Abrahão, vendo que, inadvertidamente seus pares chamavam todo jogador de craque, o tratava como “Ele”, sim, Ele com “E” maiúsculo, uma divindade. O Santos que saía pelo mundo dando espetáculos – o maior espetáculo da terra. O Santos que dormia nos aviões, ainda sem o conforto dos atuais, e “treinava” nos aeroportos, entre uma decolagem e nova descida.

Aquele era o dia da graça dos torcedores colombianos. Não tinha transmissão pela televisão – e se tivesse, claro, não seria igual. Era ver Pelé e o time de branco, o branco mais colorido da terra, ao vivo, ou se arrepender para sempre. Assim como ir a Roma e ver o Papa. E não pense que por ser um amistoso o jogo corria morno, um espetáculo pelo espetáculo. Nada disso. Todos os adversários, que pagavam caro para ver Pelé, queriam vencê-lo, escrever em sua história. O placar mostrava dois gols para cada lado, no final do primeiro tempo, quando o pau comeu solto entre os jogadores.

Até que o árbitro cometeu o grande engano de cumprir as regras do futebol e expulsar Pelé. Onde já se viu um simples árbitro, vestido de preto, mero mediador de um espetáculo maior, querer, mesmo com a lei ao seu lado, tirar de cena o astro maior? Sua senhoria, Guillermo Velásquez, só podia estar louco. O que aconteceu dali para frente é contado de formas diversas. Sem imagens, as versões se misturam e se confrontam. Os jogadores do Santos, mais uma vez, “aprontaram” – ou Pelé fica ou não tem mais jogo. O público, que foi lá para ver a estrela maior, não quis ser lesado. Pagou por 90 minutos, queria 90 minutos. E teria arremessado centenas de assentos (almofadas) ao gramado.

Só havia uma solução, e ela foi adotada. Volta Pelé, sai o árbitro, que alegou contusão – teria sido agredido pelos jogadores santistas durante a confusão – e foi direto à delegacia prestar queixa-crime. Segue o jogo – o auxiliar Omar Delgado troca a bandeirinha pelo apito – e voltam os gols. O Santos marca mais dois e vence por 4 a 2. Guillermo Velásquez, que tinha sido boxer, faleceu esta semana, aos 84 anos.

10 comentários em: ““O maior espetáculo da Terra” sem Pelé? Não mesmo!

  1. 1968, o Rei tinha de 26 para 27 anos se não me engano. Era atração pelo mundo todo. Quando menino, 1960, via o Repórter Esso anunciar as goleadas do Santos no Velho Mundo. E Pelé driblava a defesa toda do time adversário. Isso até 1965. Neste ano e nesta partida de 1968 ele ainda era Rei mas jogava com a categoria e era duas ou três grandes jogadas por jogo, que o público esperava. Não tinha mais como ser o ágil atacante de 20 anos de idade. Encerro falando como corintiano e chamo ele de negão safado, rssss

    1. Não é fácil mesmo ser torcedor do Corinthians e ler sobre Pelé, seu maior algoz nos longos anos de fila. Digamos, porém, que se fosse verdade a marcha lenta que tomou conta de Pelé após os 26 anos, valeria a pena ir ao estádio para ver apenas as tais duas, três jogadas…..

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