O torcedor sul-americano tem mais “sorte” que o europeu

Créditos da imagem: Reprodução O Dia

Pode parecer uma ideia de maluco, mas creio que temos mais emoção do que o futebol da Europa. A derrota do Grêmio para o Real não significa a inferioridade dos brasileiros e sul-americanos em relação aos times europeus. Na verdade, é a inferioridade de times e seleções de todo o mundo diante dos mega milionários. Ninguém consegue hoje encarar Real Madrid, Barcelona, Bayern e, ainda que em fase de solidificação, o PSG e o Manchester City.

Nós, pelo menos, podemos nos dar ao luxo de ter pelo menos seis times em condições de serem campeões brasileiros a cada temporada. Neste ano, o Corinthians levou de forma surpreendente. Mas não seria nenhum absurdo se o campeão tivesse sido Grêmio, Palmeiras, Santos, Flamengo, Cruzeiro ou Atlético-MG.

Na Espanha, a dúvida é se o campeão será Barcelona ou Real. Na Alemanha, a questão é em qual rodada o Bayern levará a taça. O mesmo com o PSG na França. Itália e Inglaterra ainda têm um pouco mais disputas.

Sabemos que os craques de nossos times irão embora no final da temporada -isto quando não vão no meio do ano. Os times sul-americanos têm que revelar ou contratar bem todos os anos porque quanto mais sucesso fizerem maiores serão os riscos de serem desmontados pelo capital dos times estrangeiros.

Mas temos o gosto de, pelo menos, vermos disputas nos nossos campeonatos. Iniciarmos nossos torneios sem saber quem será o campeão. Não termos disputas restritas a um ou dois participantes. Por outro lado, foi-se o tempo em que o São Paulo derrotava Milan ou Barcelona, o Corinthians empatava com o Real Madrid, o Inter ganhava do Barça. E a tendência é aumentar a distância. Se não surgirem os Chelseas da vida, o Mundial será uma continuação da Champions League, onde só três times se revezam no topo.

Claro que eu gostaria que nossos times pudessem segurar seus craques. Mesmo sem a empáfia do Barcelona ao ser abandonado por Neymar. Mas fica pelo menos o consolo de ver disputas verdadeiras entre nossos grandes nos torneios dentro do continente sul-americano.

12 comentários em: “O torcedor sul-americano tem mais “sorte” que o europeu

  1. Eu assino embaixo! O futebol lá está absurdamente hierarquizada e concentrado. Por isso não concordo mesmo quando usam Real Madrid x Grêmio para falar de “abismo entre o futebol europeu e sul-americano”, porque tenho certeza que a diferença do quinto melhor europeu para o quinto melhor sul-americano já será menor; entre os décimos, menos ainda, e assim sucessivamente.

    Eu ainda não consigo aceitar que hoje um torcedor do Milan tenha que ver como sonho a possibilidade de enfrentar um PSG ou Manchester City, por exemplo.

    1. O futebol espanhol é pouco competitivo. Tem 2 times com as maiores estrelas do mundo, mais 1 ou 2 marcando presença, o resto só cumpre tabela. Na Alemanha tem só 1. O resultado do campeonato é conhecido com décadas de antecedência.

  2. Com o devido respeito, imprevisibilidade do vencedor só é emocionante até o jogo começar. Depois disso, o torcedor que não torce pra nenhum dos times quer ver futebol. Neste ponto, a nossa sorte é que podemos ver as emoções estatísticas do campeonato brasileiro e os jogos dos campeonatos europeus. Ademais, ao contrário do que parece, a falta de um domínio mais restrito faz provar a incompetência administrativa de quem tem mais recursos. Neste ano o normal era que Palmeiras ou Flamengo estivessem jogando contra o Real Madrid. Não o Grêmio, com muito menos receitas. O SPFC também teve a oportunidade na década passada e se perdeu com o desastre do juvenalismo e seguidores. O Corinthians é que se saiu melhor quando teve a junção Globo-governos, mas tem uma conta bem amarga que se aproxima. Não temos muito a celebrar. Mesmo o Grêmio, que se esforçou tanto para chegar a este nível, deve sofrer horrores para ter uma campanha similar em 2018. Isso não é sinal de equilíbrio, e sim da dificuldade que é manter o padrão.

  3. O nivelamento é uma reação à incapacidade de gestão. O problema é que o nivelamento é por baixo.
    O Brasileiro deste ano é claro nesse sentido. Os clubes que seguiam o Corinthians tiveram todas as possibilidades de alcançá-lo, mas sempre esbarravam em aspectos técnicos deficientes, decisões administrativas equivocadas, escolhas técnicas questionáveis. Tudo resultado de gestões que não planejam nada.

    E discordo do Gabriel sobre o equilíbrio abaixo da tabela. Dificilmente enfrentaríamos qualquer time que fique entre os 5 primeiros dos campeonatos de ponta europeus. E a partir daí a diferença financeira não chega a ser tão grande, então é quase obrigação jogar em pé-de-igualdade. Afinal, o Leicester fatura menos que o 5º ou 6º Brasileiro de maior receita.

    Sempre que somos destruídos por um Europeu – e eu acho que o Grêmio foi completamente dominado e engolido pelo Real, com 20 chutes contra 1, posse de bola colossalmente maior e um domínio técnico inquestionável, por um time que jogou com o freio de mão puxado, contra outro em que a defesa se saiu bem – este tema volta.

    É possível fazer mais e melhor. Mas não é defendendo o que temos hoje que chegaremos a outro patamar.

    1. Eu tenho a mesma convicção de que um time brasileiro, se ingressasse nos principais campeonatos europeus, não ficaria entre os cinco e provavelmente terminaria mais de 30 pontos atrás do campeão. Num segundo ano, com mais ritmo e aproveitando as receitas decorrentes de estar jogando o respectivo campeonato, já poderia ir melhor, embora distante de título. De todo modo, procuro nem colocar isso em discussão porque ela seria meramente hipotética e o que temos de concreto já deveria ser suficiente para que não haja consolos teóricos. O Grêmio não tem do que se envergonhar. O futebol brasileiro, como um todo, tem. Não é razoável esperar que um time daqui consiga encarar os melhores europeus em igualdade de condições. Mas tampouco se pode aceitar que um time brasileiro só consiga dar um chute o jogo todo (da intermediária), muito menos que se saia com a velha desculpa do “tomamos gol de bola parada”. Temos que acreditar que, mesmo sem vencer, dá pra chegar a um nível melhor que isso. Mas só acreditar não adianta.

    2. É evidente que o nivelamento se dá por baixo. Afinal, temos uma economia em recessão, com moeda fraca e enfrentamos times de países com mais recursos e que trabalham com moeda quatro vezes mais fortes do que a nossa. Mas, nos últimos anos, o futebol brasileiro já avançou em gestão. E conseguiu resultados. Pena que os próprios brasileiros diminuam isso por paixões clubísticas, com argumentos como “junção Globo-governo” para atacar um rival em boa fase. Deveríamos dar mais valor ao que conquistamos e evitar reduzir apenas os adversários locais, como dizer que o Grêmio fez o que pôde contra o Real, mas que o Chelsea é uma baba.
      Um exemplo disso foi a decisão da Caixa de patrocinar times de futebol. São vários em todo o país, mas alguns dizem que foi só para ajudar o Corinthians, escolhido em primeiro momento por óbvias possibilidades de retorno. O próprio banco teve que trabalhar para desfazer esta imagem. Hoje, permanece em várias camisas, e não está mais na do Corinthians. Da mesma forma que a Petrobras apanhou quando patrocinava o Flamengo. O amadorismo do torcedor prejudica ações deste tipo.
      Claro que temos que evoluir em gestão, mas dificilmente um time brasileiro terá condições de manter em seus quadros os melhores do mundo. Quando digo que as variadas possibilidades de campeões é um ponto positivo é porque a rivalidade real faz os times crescerem. Duvido que um menino que mude hoje com seus pais para Sevilha decidirá torcer por Sevilha ou Bettis. Ele olhará o campeonato e, certamente, escolherá entre Real Madrid e Barcelona. O mesmo se dará na Alemanha de Bayern ou na França de PSG.
      E arrisco dizer que se todos os clubes brasileiros trabalhassem na plenitude de suas possibilidades, correríamos o risco de também ter supremacia dos que têm mais torcidas e dão mais retorno, como Flamengo e Corinthians.

  4. Tudo começa no vergonhoso trabalho de base que e feito no Brasil, em sua maioria, comandado por amadores que não entendem de futebol e não treinam corretamente os fundamentos e situações de jogo. Colocam na vitrine jogadores novos ainda imaturos e despreparados. Isso sem falar nos empresários com seus esquemas.

    Depois, na parte profissional, o drama se estende a gestão incompetente, tambem comandada por muitos que nem são do ramo, um trabalho sempre visando curto prazo, com mais esquemas de empresário-diretoria-técnico, receitas desequilibradas…enfim.

    Tudo isso contribui para que não consigamos formar um verdadeiro timaço a ponto de bater de igual pra igual com Real Madrid (diferente de 18 anos atras qd o Vasco era superior, mesmo perdendo) ate porque os europeus compram todos os nossos melhores jogadores.

    Porém, eu acho que UM JOGO de final de mundial é uma oportunidade única. O Grêmio entrou com a filosofia de: “Sou inferior, vou me fechar e lutar por um golzinho”

    Isso pra mim e mediocridade. Nao acho q o Grêmio tivesse q sair pro jogo como se fosse um jogo contra o Vitória pelo BR. Mas se você não tentar impor um pouco do futebol que tem e o time do Grêmio é LONGE de ser fraco, não dá.

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