Onde estão os centroavantes?

Créditos da imagem: Reprodução Camisa 9

Levantamento recente da Soccerex -que traz os 20 jogadores com menos de 21 anos mais valiosos do mundo- trouxe um dado interessante: nenhum centroavante na lista.

A pesquisa mostrou que, entre os jogadores de frente, os chamados pontas (a terminologia pode variar, mas a função tática costuma ser parecida) ganharam mais destaque, tendo nomes como Kylian Mbappé, do PSG, Jadon Sancho, do Borussia Dortmund e João Félix, ex-Benfica e agora no Atlético Madrid, entre os jogadores mais caros e cobiçados pelos grandes clubes.

A mudança mercadológica não é recente. Analisada a lista das 10 maiores transferências nos últimos anos, verifica-se que não há sequer um centroavante entre eles.

Ao mesmo tempo, é difícil precisar o ponto no qual o jogador da camisa 9, que assumia pouca ou nenhuma função defensiva, caiu em desuso.

A ideia do falso 9 ou dos falsos pontas, a depender da narrativa, tem até hoje a assinatura de Guardiola. No entanto, a estrutura ofensiva de outros times vencedores já davam essa dica antes do sucesso de Pep no Barcelona.

O primeiro ‘marco’ dessa alteração foi o Arsenal, de Arsène Wenger, campeão inglês na temporada de 2003/04 de maneira invicta. O modelo tático da equipe previa um 4-4-2, tendo Dennis Bergkamp e Thierry Henry como homens de frente. Em alguns momentos do jogo, o francês Robert Pires aparecia como o terceiro atacante. Henry nunca ficou fixo e, mesmo nas partidas nas quais dividia o ataque com o nigeriano Kanu, sempre mostrou mobilidade e características diferentes de um 9 tradicional.

Avançando um pouco no tempo, o Manchester United (campeão europeu em 2008) tinha uma configuração ainda mais ousada. Carlos Tevez, Wayne Rooney e Cristiano Ronaldo formaram, durante boa parte da temporada, o trio de ataque. Ainda que os três tenham bom poder de finalização, nenhum pode ser considerado um centroavante “clássico”.

Outro sinal da baixa da função é que seleções que tradicionalmente tinham bons centroavantes -como Itália e Alemanha- olham para o futuro apostando em jogadores com características diferentes. No caso dos italianos, a aposta recai sobre Moise Kean, da Juventus, e os germânicos deverão ter Timo Werner como líder do ataque nas próximas competições internacionais.

FUTURO

A lista da Soccerex mostra principalmente que a tendência é de consolidação do protagonismo de jogadores mais rápidos e que consigam exercer outras funções ofensivas. Isso não significa que jogadores com outros perfis não possam despontar. O finlandês Teemu Pukki, do Norwich City, é um nome que promete chamar a atenção na próxima temporada da Premier League. A conferir.

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