Por que Osmar Loss não faz o arroz com feijão de Carille?

Créditos da imagem: Daniel Augusto Jr / Ag. Corinthians

Confesso que simpatizo com o jovem treinador corintiano. Elogiado no meio, vencedor nas categorias de base e dono de uma excelente oratória (fala melhor e com mais fluidez do que a imensa maioria dos jornalistas, por exemplo, o que, no mínimo, sugere inteligência e impõe respeito na comunicação), certamente é competente em conhecimento de futebol.

Mas ser técnico envolve muitas outras coisas, e além de substituir um dos treinadores mais bem-sucedidos por um clube na história do futebol brasileiro (Carille deixou o Corinthians após fazer uma equipe desacreditada conquistar três títulos de cinco possíveis, ser soberana em clássicos e não ter absolutamente nenhuma frustração relevante, bem como em boa situação nas três competições que disputava), ter azar nas duas partidas iniciais (contra o Millonarios o imponderável fez o alvinegro perder uma partida que dominou amplamente; já contra o Inter, apesar de merecer a derrota, estava levando um bom empate até o último lance da partida, quando um erro grotesco do jovem e improvisado Mantuan selou novo revés corintiano) e ver a equipe ser desmanchada em meio às disputas (o que impacta não só a parte técnica e o entrosamento, mas também a confiança), Loss está desconsiderando o legado vencedor do antecessor.

A base da equipe está toda lá: Cássio, Fagner e Henrique foram campeões paulistas, Pedro Henrique jogou parte considerável da vitoriosa campanha do Brasileirão 2017, e Danilo Avelar compõe como Sidcley soube compor no título paulista (aliás, prefiro o que vi do atual lateral-esquerdo corintiano do que do anterior). No meio, Ralf e Gabriel seguem para proteger a entrada da área como nos tempos de favoritismo a tudo o que disputasse, e Douglas tem condições técnicas para manter o padrão que Maycon e Renê Junior garantiam no título paulista.

A partir daqui começa o que me parece uma falta de tato do treinador. Se em 2017 os jogadores de frente eram Jadson ou Romero pela direita, Rodriguinho centralizado, Clayson ou Romero pela esquerda e Jô na “centroavância”, e nos bons tempos de 2018 eram Romero pela direita, Jadson mais organizador, Clayson pela esquerda e Rodriguinho “pisando na área”, o grupo continua contando com três desses jogadores para quatro vagas. Ou seja, é somente uma questão de buscar um jogador para emular ou Jô, ou Rodriguinho, e fazer companhia a Jadson no meio, Romero pela direita e Clayson pela esquerda.

A opção para reeditar Jô parece óbvia: Jhonatas, que dá pinta de ter mais a oferecer do que Roger. Já para reeditar Rodriguinho seria mais difícil, mas o xodó Pedrinho, o talentoso (e pouco efetivo) Matheus Vital e o chileno Araós (que pelo menos o bom chute parece ter em comum com Rodriguinho) valem a tentativa.

É bom lembrar que o Corinthians só começou a desandar com a troca de técnico, a perda de titulares para a Seleção e a venda de jogadores. Não houve nada como um desgaste natural, “adversários descobrindo como neutralizá-lo”, ou um esgotamento da fórmula construída por Carille, para que não se recorra à segurança da base vitoriosa que segue lá.

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