Qual é o limite para a provocação no futebol?

Créditos da imagem: Repodução / timãoweb

O tema do dia da imprensa esportiva é o vídeo em que o presidente do Santos, José Carlos Peres, conclama os torcedores a lotar o Pacaembu na segunda partida da semifinal do Paulista contra o Corinthians. Até aí tudo bem. Mas Peres encerra a gravação com uma provocação: “no segundo jogo, a gente mata os gambás de vez”.

Confesso que não vi nenhuma intenção ruim na fala do dirigente santista. Ele não sugere que se mate os corintianos nas ruas. Tentou, talvez de forma inadequada, entusiasmar os torcedores santistas a comparecer ao estádio, coisa que não tem acontecido muito nos últimos tempos, e ajudar seu time a eliminar o tradicional rival.

Diferentemente da aceitação dos palmeirenses ao apelido de “porco”, os corintianos ainda não assimilam muito bem a expressão “gambá”. Como os santistas rejeitam o “sardinhas”. O mesmo acontece com os são-paulinos em relação a “bambis”. Se ele usasse a expressão “vamos despachar os corintianos”, talvez a repercussão fosse menor.

A questão é: provocações de dirigentes acirram os ânimos dos torcedores e podem ser estopim para ações violentas? Acho que não ajudam a apaziguar o clima, mas não devem ser tomadas como causas de brigas entre torcidas. As ações de vândalos não precisam de “estímulos” de dirigentes. Marginais travestidos de torcedores agem de forma espontânea.

Ao longo da história, vários dirigentes e jogadores se notabilizaram por provocações aos rivais. Para não me estender demais, cito o são-paulino Juvenal Juvêncio, os corintianos Antonio Roque Citadini e Luís Paulo Rosenberg, além de jogadores como Vampeta, Paulo Nunes, Edílson… Todos foram mestres em provocações.

Me preocupa muito mais atitudes como a da diretoria do Palmeiras de sempre acusar as arbitragens de parcialidade, romper com a Federação Paulista de Futebol, depreciar o torneio chamando-o de “Paulistinha” e manter sua torcida em pé de guerra contra adversários. Poderemos ter neste ano a reedição da final Palmeiras x Corinthians. Com o clima criado pelos dirigentes palmeirenses o que poderá ocorrer caso o Corinthians ganhe novamente no Allianz Parque? Essa questão tem potencial explosivo muito maior. A provocação de Peres parece uma bombinha de São João perto da “bomba atômica” alimentada pelos dirigentes palmeirenses.

Acho até que a brincadeira de Peres pode ser um tiro no pé. Carille já deve estar usando o vídeo para encher seu time de brios nos dois jogos da semifinal. Provocar um adversário que sempre cresce em decisões não parece ser a atitude mais inteligente.

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