Confirmado: Corinthians está traumatizado em mata-matas

Créditos da imagem: Ale Cabral/LANCE!Press

Confesso que eu era dos que não achava justo tratar o atual Corinthians como “amarelão” em disputas eliminatórias. Penso que nas famosas quatro eliminações anteriores em Itaquera sempre houve atenuantes: no Paulista 2015, Tite escalou time misto contra um Palmeiras titular e sedento; na Libertadores 2015 a equipe já vivia péssimo momento que, suspeita-se, tinha origem nas enormes dívidas do clube com os atletas; na Copa do Brasil 2015 o resultado da partida de ida contra o Santos, na Vila, acabou sendo muito cruel, e Tite optou pelo time misto na volta porque priorizava o Brasileiro; para finalizar, contra o Audax pelo Paulista 2016, penso que o conjunto de Fernando Diniz realmente é uma equipe com um jogo diferente e teve uma atuação excepcional.

A eliminação contra o Nacional é diferente. É injustificável. E ratifica qualquer desconfiança sobre o time que, em mata-matas, não é capaz de eliminar qualquer equipe grande há quase três anos, desde julho de 2013, quando bateu o rival São Paulo pela Recopa Sulamericana.

Vi muitas pessoas dizerem que “o problema foi o resultado no jogo de ida, fruto da postura de quem não quis vencer”. Não posso discordar mais. No futebol, às vezes é necessário ser mais cauteloso para ganhar confiança. Ou esses se esquecem, por exemplo, da postura defensiva do Corinthians de Tite contra o Emelec no Equador, nas oitavas de final da Libertadores de 2012 (na qual sagrou-se campeão)? A grande diferença é que na volta, naquela vez, o alvinegro soube se impor em casa e esmagar o adversário. Não é razoável, em circunstância alguma, que se defenda que jogar por uma simples vitória em casa possa ser negativo. Mais ainda quando o adversário é uma equipe absolutamente comum como este Nacional, que até agora só venceu o Palmeiras na competição.

Mais estranho ainda é pensar que este mesmo Corinthians tem um aproveitamento surreal jogando em sua nova casa, na ordem de 80%, e se mostra simplesmente incapaz de se impor em partidas eliminatórias. Esse é um tipo de partida no qual se exige alma, superação e crença cega na vitória, características que sempre foram associadas ao clube e hoje estão em falta. E esse comportamento parece já estar contagiando a própria Fiel Torcida corintiana.

Agora, uma crítica a Tite: apesar de eu defendê-lo constantemente na Seleção e entender que é um dos melhores técnicos do mundo, creio que desde que retornou de seu ano sabático, ficou muito preso ao desenvolvimento do jogo quase como algo matemático. Tenho a nítida impressão que incute em seus atletas a noção de “merecimento” pelo desempenho em campo, e apenas isso. Quando a equipe não consegue se impor na bola, jogar melhor do que o adversário, ela fica absolutamente resignada. Não tem brios, plano B, fome de vitória, “vamo que vamo”, abafa, imposição física, tentativas constantes de bola aérea, chutes de fora da área, etc. Parece que não se busca a vitória como for (como fez, por exemplo o Atlético contra o Racing), mas sim que, se o adversário jogar mais bola, “paciência, eles mereceram”. Fica escrava de um sistema de jogo, como se tentasse ser o Barcelona do Guardiola, mas com jogadores sem confiança, limitados e sem identificação com o clube.

Penso que este vexame deixa também uma lição ao clube e à torcida: apesar de o trabalho de reposição, em geral, ser bem feito e ter trazido sempre bons resultados desde que surgiu este “novo Corinthians” (de 2008 para cá), não dá para pensar que “ninguém tem importância” e que todos podem ser substituídos. Creio que, ao contrário do que dizem, este elenco é bom e pode vir a dar frutos (especialmente no Brasileiro), mas não dá para passar incólume pelo desmanche da equipe campeã brasileira em 2015 (todo o quarteto de ataque saiu) e a perda do ídolo Guerrero. Custa muito para conseguir construir referências, atletas identificados com o clube e ídolos. Isso deve ser protegido. Como exemplo de como a diretoria corintiana falhou na debandada do elenco, fica a lição dada pelo Santos no episódio da ida de Ricardo Oliveira para a China, da qual ninguém nem se lembra mais.

Para finalizar, uma observação constrangedora: desde a conquista da Libertadores em 2012, o Timão não venceu mais nenhum mata-mata de Libertadores. Mas é ainda muito pior: neste século (que começou em 2001), o Corinthians não foi capaz de vencer NENHUM confronto eliminatório pela competição sem ser naquela campanha vitoriosa: em 2003 e 2006 caiu para o River Plate nas oitavas; em 2010, para o Flamengo na mesma fase; em 2011, a vergonha contra o Tolima pela Pré-Libertadores; em 2013, foi praticamente tirado pela arbitragem no confronto contra o Boca Juniores nas intransponíveis oitavas, mesma altura na qual foi parado pelo Guaraní paraguaio em 2015 e, agora, pelo Nacional.

26 comentários em: “Confirmado: Corinthians está traumatizado em mata-matas

  1. “Mas uma vez”.
    o time do corinthians tera mas uma chance de muda isso. #copadobrasil “oitavas de final”, Não é a libertadores, mas tem quase o mesmo peso,

  2. Falando sério sem clubismo, sabendo da tradição em Libertadores e mesmo já ter caído pra série B , esse time está de parabéns caiu de pé espero que ano que vem ,volte com tudo , até breve River Plate

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