Entre os melhores do Brasil no passado, futebol cearense viveu um ano de recuperação em 2018

Créditos da imagem: Ilustração: Carlus Campos/O POVO

8 de janeiro de 1963, estádio Presidente Vargas. Com um gol de Charuto, a seleção cearense de futebol venceu por 1 a 0 o selecionado pernambucano e chegou às semifinais do campeonato brasileiro de seleções de 1962, a principal competição do futebol brasileiro naquele momento. A equipe do técnico János Tratay contava com Aloísio, William, Alexandre, Evandro e Carneiro; Haroldo e Charuto; Carlito, Gildo, Mozart e Baíbe.

No dia 20 de janeiro, o futebol cearense pisou pela primeira vez no gramado do maior palco do futebol mundial, o Maracanã. O feito foi considerado como o grande feito do esporte alencarino até então. E não era pouca coisa mesmo. À frente, apenas os cariocas, paulistas e mineiros.

Poucos anos antes, o Tricolor de Aço, o Fortaleza, já assombrara o país ao chegar às finais da Taça Brasil em 1960 contra o Palmeiras, equipe que impedira o Santos de Pelé da disputa da competição. Feito que seria repetido anos depois em 1968, quando o mesmo Leão voltou a disputar o título máximo contra o Botafogo do Rio de Janeiro, então bicampeão carioca e com grandes nomes que comporiam a Seleção Brasileira que viria a conquistar a Copa do Mundo de 1970.

Engana-se, no entanto, quem acha que estes feitos alencarinos eram exceções. O futebol do Ceará sempre foi respeitado nacionalmente e considerado um dos maiores do país. Em 1964, o Vozão, Ceará, chegou às semifinais da Taça Brasil, perdendo para o Flamengo. Até mesmo o querido América chegou às quartas de final dessa competição, em 1967, eliminado apenas pelo Náutico, que vivia a época do único hexacampeonato de Pernambuco.

Para fechar a década de 1960, uma conquista importante: o do campeonato do Norte-Nordeste de 1969, pelo Ceará, em finais emocionantes contra o Clube do Remo. Esta conquista voltaria a ser alvinegra em 2015, diante do Bahia.

Os anos de 1970 continuaram marcantes para o futebol cearense. Sua qualidade fez garantir uma vaga na primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971, através do Ceará. No ano seguinte, uma honrosa 13ª colocação em uma competição que reunia as 26 melhores equipes de todo o país. Em 1982, após eliminar a então vice-campeã paulista, a Ponte Preta, em pleno estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, o alvinegro chegou às quartas de final da competição que reunia 44 times. Três anos depois, em 1985, a melhor colocação do estado, a 7ª colocação entre 44 equipes.

Então veio a Copa União de 1987, e com ela o futebol nordestino foi praticamente excluído da principal divisão do campeonato nacional, um “crime” que fez com que o Brasileirão passasse a ser uma competição de poucos estados da Federação, em sua maioria do sul e sudeste. Ainda assim, em 2010, o Vozão seria a 12ª melhor equipe do nosso futebol.

Ah, mas o Vozão não foi forte apenas em campeonatos brasileiros. Quem pode esquecer do vice-campeonato da Copa do Brasil em 1994, quando a derrota na final frente ao Grêmio veio acompanhada de um erro crasso da arbitragem que deixou de marcar um pênalti claríssimo em Sérgio Alves? Oscar Roberto Godói foi o herói gaúcho naquele dia.

Em 2005, mais uma vez, semifinalista.

E o Leão? Duas vezes vice-campeão da Taça Brasil em 1960 e 1968, logo em sua primeira participação no Campeonato Brasileiro, em 1973, o Fortaleza, com um timaço, ficou com a 18ª colocação, e no ano seguinte a 16ª, ambas competições que reuniram as 40 maiores equipes do futebol brasileiro. Em 1984, após eliminar o Palmeiras, com direito a vitória em São Paulo, o Leão foi a 15ª melhor equipe do país, feito que viria a ser superado em 2005, já em tempos de pontos corridos, quando ficou com a 13ª posição entre os 22 participantes.

Mas e o Ferrão? Participante frequente da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, em duas oportunidades -1980 e 1981- ficou entre as 30 melhores equipes do futebol nacional, o que não é pouco.

Fortaleza é um das poucas cidades brasileiras com 3 equipes grandes.

Em 2018, as três maiores equipes cearenses fizeram bonito. O Ferroviário, com uma campanha épica, chegou à quarta fase da Copa do Brasil e também conquistou um título inédito, o de campeão da série D do Campeonato Brasileiro, assim como a Taça Fares Lopes, o que lhe rendeu nova vaga para a Copa do Brasil. O Fortaleza, então, foi ainda mais maravilhoso, ao vencer a série B, um feito único no estado alencarino. Já o Vozão, após um começo pífio, muito graças ao técnico Lisca fez uma campanha de recuperação espetacular e se manteve na série A.

Ano que vem, pela primeira vez na história dos pontos corridos, Vozão e Leão irão disputar a séria A do Campeonato Brasileiro, o que não é pouco. Não é difícil prever que o Clássico Rei proporcionará os maiores públicos da competição.

A recuperação vivida pelo futebol alencarino é algo inegável. Cabe lembrar que apenas 2 anos atrás, o futebol local tinha um representante na série B, outro na série C e um, compulsório, na série D. Ano que vem, serão 2 na série A, um na C e outro na D. O progresso é evidente.

Que 2019 possa ser o melhor ano da história do futebol cearense em todos os tempos. Com seus representantes galgando colocações inéditas entre as maiores equipes do futebol brasileiro, na série A e na Copa do Brasil. Que possam vencer também a Copa do Nordeste. Que o Ferrão continue seu caminho em busca de um lugar onde já esteve várias vezes.

Nós, cearenses, não nos contentamos com pouco. Sabemos que nosso lugar é entre os melhores, onde já estivemos várias vezes. Jamais podemos nos conformar em condições intermediárias. Seremos do tamanho que queremos ser. Sonhar também é reviver nossas maiores glórias já vividas. E -por que não?- muito mais.

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