O gaúcho goiano vai à Catalunha – e deveria ir à Rússia

Créditos da imagem: CBF

Regras têm exceções. Ainda mais no futebol, um esporte que todos entendem menos do que imaginam. Porém, exceções não dão em árvores. Do contrário, não haveria sentido em firmar regras. No caso do futebol doméstico, as diferenças de ritmo e posicionamento, em relação aos grandes centros europeus, tornam despropositada a maior parte de sugestões para a Seleção. Pior quando baseadas em campeonatos estaduais. O que já teve de “leão de Paulistão” despencando não está no gibi – e na memória seletiva de formadores de opinião. Porém, há mesmo uma agulha num palheiro de Porto Alegre. A ponto de sua ausência em terras eslavas ser uma potencial castração nas possibilidades táticas e técnicas de Tite. Luan? Não. O Brasil precisa de Arthur.

Confesso que custei a me convencer. Tinha dúvidas sobre certas qualidades a ele atribuídas. Em 2018, pelos jogos na Libertadores e na estreia do Campeonato Brasileiro, Arthur as dissipou. Mais que isso: deixou bem sugestivo que terá pouquíssimas dificuldades de se adaptar ao futebol do Barcelona, com o qual está negociado. Assim como se adaptaria ao Real Madrid. Ou ao Bayern. Já tem o que muitos supostos meio-campistas brasileiros não possuem. Toca com precisão, mas não para. Segue se movimentando na jogada. Assim, dá opção e continua participando. Não é quem costuma dar o passe final, mas torna o lance promissor a quem dá o passe final. Isso sem deixar de participar ativamente da linha de marcação, com notória eficiência. Já escrevi que Hernanes poderia ter sido um armador. Que Ganso poderia ter sido um armador. Arthur não poderia. Já é.

Renato Gaúcho, em seus estudos praianos, sacou isso. Não é intelectualmente limitado para escalá-lo como volante ou meia-atacante. Arthur flutua entre ambas as posições, indo da intermediária do seu campo até perto da área do adversário – eventualmente mais longe. Reconheço que sua ausência no Mundial reduziu as já remotas chances gremistas. Sem um substituto para a função (o pesado Maicon vinha de longa contusão), Renato apelou para o paleolítico esquema apenas com volantes e um meia-atacante. O Grêmio entrou em campo torcendo pelo imponderável ou um lampejo de Luan. Com Arthur, teria algo bem a mais no que acreditar. Renato não teve escolha. Tite tem. Com Renato Augusto (ou substituto) cobrindo Neymar e Marcelo, possuir outro meio-campista apto a distribuir o jogo seria um trunfo que nem Paulinho, nem os outros proporcionam. Arthur supriria a lacuna.

A situação se torna mais preocupante ao se constatar que, até hoje, o técnico da Seleção sequer cogita a repetição do que aconteceu em 2014. Paulinho, até um ano antes da Copa, era titular inquestionável. Uma passagem ruim na Inglaterra se refletiu no onze de Felipão. Desta vez, o jogador começou a temporada europeia surpreendendo no Barcelona. Porém, depois de dezembro, não fez mais nada. Os adversários se adaptaram a suas infiltrações e, desde então, Paulinho só toca de lado. Na marcação, com as pernas pesadas após mais de um ano sem férias, também vem perdendo as divididas e fazendo faltas. É esse o jogador que chegará à Rússia cansado e em má fase. Sem um reserva com a mesma chegada para finalizar, Tite teria em Arthur a possibilidade do equilíbrio. Neymar e Coutinho ganhariam tempo para jogar onde são letais, sem voltar para fazer trabalho alheio.

A Copa do Mundo está em cima e não dá para acrescentar muita coisa. Mas não há vitória em Copa sem plano B. A Alemanha precisou de mais de um, com seus lesionados em 2014. O próprio Brasil foi de Kleberson em 2002. Não acredito no sucesso de Giuliano e outros reservas do meio-campo. Têm até qualidades, mas precisariam de muito treino para fazer o que Arthur já consegue com 21 anos. O Barcelona provavelmente queimará etapas com a saída de Iniesta e o fracasso na Champions League. Aposto que Arthur começará sua trajetória por lá antes do previsto. A seleção pentacampeã do mundo deveria cogitar o mesmo. Inclusive porque, no Camp Nou, quem fatalmente perderá espaço para ele é o mencionado Paulinho. É muita coincidência a ser desprezada. E Copa não perdoa desprezos.

3 comentários em: “O gaúcho goiano vai à Catalunha – e deveria ir à Rússia

  1. Arthur joga demais, tem que ser titular da seleção!!!!!!!!!! Mas dá pra entender que se machucou e não foi chamado antes, só que na lista ele tem que estar!!!!!!!!!!!!! Imagina o Arthur fora pra levar o Giuliano, tá de brincadeira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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