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Tá triste porque seu craque foi para a China? Desça a serra e vá surfar

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Créditos da imagem: ESPN

Já contei aqui, acho, em outro contexto, o papo que levei com Pelé numa manhã de sexta-feira (pouco depois das 6 horas), quando ele acertava contrato com o Cosmos de Nova Iorque, em 1975. Depois de várias tentativas frustradas, fui encontrá-lo saindo do banho, após treinar, na Vila Belmiro.

Além da confirmação de que ia mesmo, queria fazer apenas duas perguntinhas – o mais estava careca de saber. Indaguei se ele sabia o que o povo estava dizendo sobre a decisão de voltar a jogar e ir para um futebol iniciante. E ouvi que “o povo que se …”, porque se no futuro ele ficasse duro, todos iriam dizer que tinha detonado tudo com bebida e loiras – ou por aí.

Quando participava dos debates no Arena, na Sportv, cansei de ouvir coleguinha criticar jogadores que iam para o exterior, dizendo que só deviam se mandar se fosse para defender Barcelona, Real, Manchester, Milan e mais um ou dois grandes da Europa. Como se, entre outras coisas, todos tivessem qualidades para sonhar tão alto. E não raro jogadores ficavam dando voltas ao responder, quando deviam dizer, curto e grosso, que estavam cuidando do futuro. Deles e, muitas vezes, dos pais, irmãos…

O papo era sempre o mesmo – Seleção Brasileira, títulos importantes, amor à camisa… Certa vez, fora do ar, perguntei a um deles se ele se achava melhor do que quem trabalhava nas outras emissoras… Vesti as camisas do JT, da Placar, do Estadão, da TV Globo, do Sportv, do Terra, da Globosat, sempre com o maior empenho. Mas virei cada página lida, concentrando-me na do momento. Não queria entrar nessa conversa, porque tenho o tema como velho. Mas vou embarcar, só por causa de uma expressão usada em colocações e comentários que li – o amor à camisa. Todo profissional, seja em que setor da vida for, deve ter amor pela camisa que veste. Mudou de camisa, leva o amor para a outra. E pronto. Não vejo babaquice maior que jogador não comemorar gol que marca contra ex-time. Devia ser multado por faltar com respeito ao clube e aos seus torcedores.

Poderia lembrar aqui dezenas de jogadores que deram tudo em campo pela camisa do time que defendiam, que recusaram propostas ou foram impedidos de sair – antigamente a lei dava poder absoluto aos cartolas – para ganhar mais, e foram enxotados, encostados, quando chegavam aos 30 anos ou, pior ainda, quando sofriam uma lesão. Posso lembrar que ganhei um Prêmio Esso, juntamente com Michel Laurence, escrevendo uma série de reportagens sobre “jogador escravo”.

Mas, como a pauta do dia é o Corinthians, lembrarei apenas – e alguns – que vestiram aquele manto sagrado, ou aquela segunda pele – assim chamadas. E não foram Zé Mané: Cláudio Christovam de Pinho, o capitão, deu suas últimas carreiras no  São Paulo. Acharam que seus centros, antes perfeitos para as cabeçadas de Baltazar, o Cabecinha de Ouro, não serviam mais. Luizinho, o Pequeno Polegar, ídolo da torcida, foi despachado para a rua Javari. Gilmar dos Santos Neves, campeão do mundo, desceu a serra. Rivelino, o Reizinho do Parque, pagou o pato porque o time, fraquinho, não venceu o Palmeiras na final de 74 – quando todos garantiam que o título – até porque assim tinham determinado de fora do gramado – estava no papo.

Não choro uma única lágrima por jogador que torrou a grana onde não devia. Também não os critico, por não ser da minha conta. São muitos os que chegam cambaleantes na linha de fundo da vida. Também são muitos – a maioria – os que, mesmo ganhando menos, conseguem se ajeitar. É que, como se ajeitam, não são notícia. Antigamente não se ganhava tanto. Até Pelé assinou por três anos para receber “apenas” 5 milhões de dólares. E não era só para jogar…

Hoje se pode ganhar fortunas, ou, pelo menos, se pode fazer um bom pé-de-meia. E assim devem fazer todos que têm a chance. Por eles e pelos da casa. Se quiserem buscá-los na China, eldorado do momento, para a seleção, que busquem. Se não quiserem, que se lixem.

Por que pensar assim? Pelos 7 a 1. Pelos elefantes brancos inventados para encher as contas das empreiteiras, da FIFA, de alguns cartolas…. Pelo que se está vendo na FIFA, na CBF, em clubes – tudo que já se sabia. Por que nem bobo acredita mais que cartolas ficam dia inteiro no clube apenas por amor.

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- possui 69 artigos no No Ângulo.

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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12 respostas para “Tá triste porque seu craque foi para a China? Desça a serra e vá surfar”

  1. Mas uma bomba pra Tite resolver. Reformular o time de novo.

  2. Traz o Dentinho Paulo André Douglas julho César lieadison

  3. Silvio Sep disse:

    Levar gambas. Pra China é. Fácil…quero ver levar o apito amigo e a imprensinha chupa bolas

  4. Lucas Bizon disse:

    Corinthians anuncia seu primeiro reforço vindo da China. Contrata o arbitro pra apitar seus jogos, é o: LA DAO ZIN

  5. Alex disse:

    momento esquisito do futebol brasileiro hein, zé…

    ótimo texto

    • José Maria de Aquino Jose Maria Aquino disse:

      Verdade, alex. Tudo está mudando muito. Mas, se é bom para os clubes, procuradores etc, que os jogadores – o mais importante de tudo – aproveitem também. abss

  6. Mais um ano se passou pamerda sem mundial e não tem copinha chupa seus vermes

  7. Eduardo Caue disse:

    Galera queria pedi a ajuda de voces para se inscreverem no meu cnal ta pequeno mas pra dar aquela força.Faço Gameplays e Tuturiais https://www.youtube.com/channel/UCsgeiiWtQuD5SnoIcs6g5fg

  8. Realmente, deve ser muito desanimador para o jogador ver os problemas do futebol brasileiro, os do país, o comportamento dos torcedores (imaginem só o desgosto de ter que lidar com torcida orgnizada?), dirigentes… nessas horas, não tem como condenar quem resolve pensar mais no dinheiro.


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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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