Um gigante e a soberania de um certo Edgardo

Créditos da imagem: Yuri Edmundo/Agência Eleven / Gazeta Press

Na “Batalha do Horto” o gigante foi alvejado duas vezes, cambaleou, mas sobreviveu e parece cada vez mais forte. O São Paulo está nas semifinais da Copa Libertadores.

Em um jogo que teve todos os ingredientes de uma verdadeira decisão, o Atlético Mineiro foi valente, mas o São Paulo foi copeiro. Aos 15 minutos de jogo, o placar já apontava 2 x 1 para o Galo, e assim ficou até o apito final.

Tivemos lances ríspidos, bolas na trave de ambas as equipes, mas o Tricolor Paulista soube jogar como manda a cartilha da Libertadores.

Ah, meus amigos, e se tem um professor que sabe como poucos ensinar as lições dessa tal cartilha, esse é Edgardo “Patón” Bauza. Bicampeão do torneio com times que não eram favoritos (LDU e San Lorenzo), o argentino parecer saber enxergar e entender essa competição nos seus detalhes mais complexos.

O time do São Paulo é horroroso? Não, de maneira alguma. O time do São Paulo é uma máquina azeitada, com virtuoses geniais? Não, longe disso. Então “Patón” sabe “jogar o jogo”. Precisa vencer o temido River Plate no Morumbi? Pois bem, 2 x 1 com uma boa atuação, mas alguns sustos. Precisa empatar com The Strongest na sufocante altitude de La Paz? Vamos lá, Ganso (“o cara” contra o River)  na reserva e o odiado Wesley de titular: empate por 1 x 1, Wesley com bela atuação e um final de jogo épico, com direito ao zagueiro Maicon no gol e pancadaria pós-jogo. Oitavas contra o Toluca, que decide em casa, com altitude e um belo time? 4 x 0 no Morumbi e a classificação garantida. Nas quartas, duelo “caseiro” contra o Galo Mineiro, que sabe como ninguém decidir em casa? Vitória magra como mandante e se joga a vida em BH. Sim, o Tricolor sofreu, tomou dois gols relâmpagos, mas logo fez o dele, que foi suficiente para garantir a vaga.

O São Paulo continua sem ser brilhante, mas recuperou uma característica que estava perdida: a de saber decidir e crescer nesses momentos. Se, por um lado, Denis continua sem inspirar confiança, por outro, Rodrigo Caio, Hudson e Kelvin parecem ter amadurecido – e muito – nessa reta decisiva. Sem falar em Maicon e Calleri, que sempre foram monstruosos, e Ganso, que parece ter entendido o que se espera dele.

Agora a Libertadores para e só volta em meados de julho. O que, em tese, é ruim para uma equipe que vem embalada e com “sangue nos olhos”. Mas podemos enxergar o fator positivo: Bauza vai ter tempo para treinar e também jogar no Brasileirão com, acredito eu, uma pressão bem menor do que aquela que o elenco sofreu nos últimos tempos.

Penso que uma das grandes qualidades do ser humano é saber avaliar tudo que o cerca, principalmente as pessoas. Edgardo Bauza parece ser um desses treinadores que têm exata noção do que seu elenco pode render. Não hesita em mudar a escalação conforme o adversário ou as características que o jogo apresenta. Não se preocupa em jogar bonito ou feio, dança a música conforme ela é tocada.

De uma coisa estou certo: o “Soberano” vem forte. Não se pode duvidar de um clube em busca do tetra, que tem como comandante um técnico que busca o tri pessoal, por três equipes de países diferentes (!). É muita história, tanto na camisa tricolor, quanto naquele sujeito ali na beira do campo, com semblante sério, calejado e, acima de tudo, observador e sábio.

Obs: O adversário do São Paulo nas semifinais depende do que acontecerá no encerramento das quartas. Pela tabela original, seria o classificado de Atlético Nacional/COL x Rosario Central/ARG. Mas na hipótese de Rosario Central e Boca Juniors – que enfrenta o Nacional/URU – avançarem, o regulamento prevê o cruzamento entre os clubes do mesmo país. Nesse caso, então, o “Time da Fé” pegaria Independiente Del Valle/Equ ou Pumas/Méx.

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15 comentários em: “Um gigante e a soberania de um certo Edgardo

  1. Eu acho que a partir de agora virão times de futebol de verdade. O River e o Galo são pálidas lembranças do ano passado. Então, vou aguardar.

  2. Perfeito como sempre meu amigo Juliano (Tupã), acredito que o São Paulo reencontrou o caminho estreito que leva ao título da Libertadores, porém o SPFC poderá ser muito prejudicado e talvez perca a “pegada de Libertadores” (como já aconteceu num passado recente)e também jogadores, devido ao fato de retornar às semi finais somente em meados de Julho. Abraço parça.

    1. Valeu Marcão, obrigado mesmo, acho que a parada tem os pontos positivos e negativos, mas realmente seria bom jogar agora, que o time está na pegada, abraço parceiro

  3. O Vicente Prado sempre foi são-paulino, embora goste de dizer o contrário, só porque não deixaram que ele pedisse autógrafo ao Pedro Rocha, no título de 1970. Mas agora ele vai tirar do armário aquela camisa listrada e sair por aí….

  4. O gigante acordou…. Concerteza não será o melhor elenco dos quatro que disputarão as semi-finais, mas também podem acreditar que não será fácil bater esse São Paulo que voltou a impor respeito nas Américas… E méritos para o Bauza que fez esse time encontrar a essência perdida… Méritos para Calleri e Maicon que chegaram e ajudaram demais na formação dessa equipe… Que venha o adversário das Semi….

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